Os autores de "Spring Awakening" fizeram um musical sobre Nero, o imperador que queria subir ao palco

"Nero", de Steven Sater e Duncan Sheik, está em cartaz no Southwark Playhouse Elephant, em Londres, até 5 de dezembro, com Andrew Barth Feldman, de "Dear Evan Hansen", no papel-título.

Os autores de ”Spring Awakening” fizeram um musical sobre Nero, o imperador que queria subir ao palco
Foto: Divulgação

A noite de estreia para a imprensa é nesta sexta, 6 de novembro, e os ingressos partem de £ 20.

Nero é lembrado pela crueldade, pelos assassinatos dentro da própria família e pela lenda de que tocou lira enquanto Roma queimava. O que o musical de Steven Sater e Duncan Sheik escolheu como centro é outra coisa: ele queria ser artista, e se apresentava em público, o que era escandaloso para um imperador.

“Nero” começou as apresentações em 2 de novembro no Southwark Playhouse Elephant, em Londres, e tem estreia oficial para a crítica nesta sexta, 6. A temporada vai até sábado, 5 de dezembro.

O protagonista é o americano Andrew Barth Feldman, em sua primeira montagem londrina. Na Broadway, ele foi o Evan de “Dear Evan Hansen” e integrou o elenco de “Maybe Happy Ending”. Sally Dexter interpreta Agripina, mãe de Nero, e Stephen Carlile faz o filósofo Sêneca, tutor do imperador.

O conflito que o musical persegue

Nero governou Roma entre os anos 54 e 68. Segundo a sinopse oficial, o espetáculo o trata como artista e herdeiro relutante lançado ao poder absoluto, num enredo em que ambição, família, amor e intriga política se misturam até a busca por identidade virar loucura.

A produção apresenta a montagem como leitura contemporânea sobre celebridade, liderança e o preço do poder, o que é uma aposta transparente: a figura do governante que também quer ser performer não precisa de muita tradução em 2026.

O método é o mesmo de “Spring Awakening”

A dupla já fez esse movimento antes. “Spring Awakening” partia de um texto antigo, a peça que Frank Wedekind escreveu em 1891, para falar de juventude, repressão e desejo com canções de rock contemporâneo. Em “Nero”, o ponto de partida é a história romana, e o procedimento é o mesmo.

Aquele musical estreou na Broadway em 2006 e ganhou oito prêmios Tony em 2007, entre eles melhor musical, melhor texto e melhor trilha original para Sater e Sheik. Levou o rock alternativo para o centro de um gênero ainda dominado pelo formato clássico e projetou nomes como Lea Michele e Jonathan Groff.

Um projeto que acompanha a dupla há 20 anos

“Nero” não é obra nova. O musical já teve montagem no Magic Theatre, em San Francisco, por volta de 2006, o mesmo ano em que “Spring Awakening” chegou à Broadway, e passou por desenvolvimento com o New York Stage and Film, em 2008, e na Universidade Carnegie Mellon, em 2015. Ou seja: os dois carregam esse espetáculo há tanto tempo quanto existe o trabalho que os tornou conhecidos.

A versão londrina é produzida pela empresa sul-coreana Seensee Company e por Park Myung-Sung, arranjo que diz algo sobre como musicais de risco se financiam hoje, com dinheiro asiático bancando estreia em teatro pequeno de Londres.

A direção é de Lindsay Posner, com coreografia de James Cousins e cenografia de Georgia Lowe. São cerca de 2h30, com intervalo.

Avisos de conteúdo

A produção recomenda o espetáculo para maiores de 15 anos. Segundo o teatro, a montagem tem linguagem forte, sangue, nudez, violência, incesto e representações de morte, suicídio e violência sexual.

Serviço

Nero Southwark Playhouse Elephant, 1 Dante Place, Londres

Em cartaz até sábado, 5 de dezembro de 2026 Estreia para a imprensa na sexta, 6 de novembro De segunda a sábado às 19h, com sessões extras às 14h30 nas quintas e nos sábados Ingressos a partir de £ 20 Cerca de 2h30, com intervalo. Classificação: 15 anos

Texto e letras: Steven Sater. Música: Duncan Sheik Direção: Lindsay Posner. Coreografia: James Cousins. Cenografia: Georgia Lowe Com Andrew Barth Feldman, Sally Dexter, Stephen Carlile, Nabi Brown e Rhianne-Louise McCaulsky, entre outros Produção: Seensee Company e Park Myung-Sung

Teatro MusicalIsabel Branquinha
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