“Hollywood Arts”, derivada de “Brilhante Victória”, estreia na Netflix e divide a crítica

Série nascida na Nickelodeon chega com 12 dos 26 episódios e Daniella Monet como a professora Trina Vega; a Variety viu “cópia sem graça de séries de uma era passada”, mas elogiou o elenco

Daniella Monet como Trina Vega, de volta à escola de artes onde estudou, agora como professora substituta, em cena de “Hollywood Arts”
Daniella Monet como Trina Vega, de volta à escola de artes onde estudou, agora como professora substituta, em cena de “Hollywood Arts” — Foto: Divulgação / Netflix

Hollywood Arts, série derivada de Brilhante Victória, estreou na Netflix em 15 de outubro, também no Brasil, com o título original, dublagem e legendas em português. Chegaram os 12 primeiros dos 26 episódios encomendados. Daniella Monet volta como Trina Vega, a irmã mais velha da protagonista da original, agora professora substituta sem qualificação na escola de artes cênicas de Los Angeles onde estudou.

Na Variety, Aramide Tinubu chamou a série de “quase um decalque” da original, exibida pela Nickelodeon de 2010 a 2013. O título da resenha fala em “cópia sem graça de séries de uma era passada”. Tinubu também escreve que o elenco “é talentoso” e que Emmy Liu-Wang, a Pepper, “tem uma voz incrível para cantar”. Para ela, a série “preenche um vazio” para pré-adolescentes.

O What's on Netflix deu uma estrela em cinco. Para Kristen Lopez, a série é “um sacrifício de assistir até o fim, com humor insosso e sem inspiração”. No Common Sense Media, guia americano para pais, a nota foi três em cinco, e o texto diz que a derivada “mantém a mesma energia extravagante e desvairada da antecessora”, embora os novos alunos lembrem cópias dos tipos da original.

Monet, que também é produtora executiva, disse em setembro à Tudum, site da Netflix: “Estou orgulhosa do que fizemos, trabalhamos muito. É engraçado e tem tudo o que eu queria que tivesse. E eu pensei no público original durante todo o processo”.

Quem está na sala de aula

Os showrunners são Samantha Martin, de Henry Danger, e Jake Farrow, que foi roteirista e produtor de Brilhante Victória e Sam & Cat e dava a voz de Rex, o boneco de Robbie. Dan Schneider, criador da original, não participa da derivada, informou o Deadline. Ele deixou a Nickelodeon em 2018. A passagem dele pelo canal é o foco do documentário Quiet on Set, de março de 2024, chamado no Brasil de “O Lado Sombrio da TV Infantil”.

Alyssa Miles, que faz Emmy, a aluna dos bastidores em quem Trina descobre uma cantora, estudou teatro e dança no Muhlenberg College, na Pensilvânia, e é da turma de 2025, informa a faculdade. Liu-Wang, a Ivy de Raven's Home, do Disney Channel, fez Amaryllis em The Music Man no Kennedy Center em fevereiro de 2019, numa versão semiencenada com Norm Lewis e Jessie Mueller, como registrou a Playbill.

Da escola antiga voltam Yvette Nicole Brown, no papel da diretora Helen, Eric Lange, como o professor Sikowitz, que se aposenta no primeiro episódio, e Matt Bennett, de novo Robbie. Victoria Justice não está no elenco divulgado pela Netflix. Tori, a irmã famosa, nunca aparece em cena; Trina só fala com ela por telefone, segundo o What's on Netflix. Lopez reclamou dos covers no meio das canções inéditas e chamou a versão de “Pink Pony Club”, de Chappell Roan, de “puro Kidz Bop”, a marca de sucessos pop regravados por crianças.

Por que uma série da Nickelodeon estreia na Netflix

Hollywood Arts nasceu na Nickelodeon, que acelerou o projeto no começo de 2025 e montou o elenco antes da mudança de casa, segundo o Deadline. Em agosto daquele ano, a Skydance concluiu a compra da Paramount, dona do canal, e o chefe da Nickelodeon, Brian Robbins, saiu. Em outubro, a série estava licenciada para a Netflix, com direito à primeira exibição. Produz o Paramount Television Studios, que já faz Emily em Paris e XO, Kitty para o serviço.

No anúncio, em outubro de 2025, a Netflix informou que Brilhante Victória somava mais de 45 milhões de visualizações na plataforma desde o começo de 2024. Na métrica da Netflix, visualização é o total de horas assistidas dividido pela duração do título. A conta não diz quantas pessoas viram a série. O Deadline escreveu na época que os motivos da nova direção da Paramount para licenciar a série, em vez de estreá-la em casa, “não estão totalmente claros”, mas que a mudança “vai trazer receita considerável”. Comédia, acrescentou o site, não era prioridade no Paramount+.

A Netflix fechou em 2019 um acordo com a Nickelodeon para filmes e séries baseados em marcas do canal, e as sitcoms That Girl Lay Lay e Erin & Aaron, da Nick, ganharam segunda exibição na Netflix americana, que as lançou no resto do mundo.

Em 6 de outubro de 2026, a Paramount, dona do estúdio que produz a série, concluiu a compra da Warner Bros. Discovery e passou a se chamar Skydance, que prepara a união de HBO Max e Paramount+. A Netflix tinha acertado em dezembro de 2025 a compra do estúdio e do streaming da Warner. Desistiu quando a Paramount aumentou a oferta, segundo a Associated Press.

No Brasil, sem a Nickelodeon

Brilhante Victória, a série em que Ariana Grande fez Cat Valentine, esteve entre as séries adolescentes mais populares da Nickelodeon no Brasil, ao lado de iCarly e Drake & Josh, segundo o jornal O Povo. O canal saiu da TV por assinatura em 1º de janeiro de 2026, no meio de um episódio de Bob Esponja, cortado por um aviso que indicava o Paramount+.

Em 15 de outubro de 2026, a original estava no Brasil na Netflix e no Paramount+, e de graça na Pluto TV, segundo o JustWatch. O anúncio de 2025 previa uma segunda janela na Nickelodeon e no Paramount+, sem dizer em quais países. Aqui o canal já não existe. Nenhum dos anúncios informa se a série chegará ao Paramount+ brasileiro. A Netflix também não disse quando chegam os outros 14 episódios, nem quanto pagou pela série.

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