7 musicais que sobreviveram a fracassos na Broadway
Temporadas curtas não encerraram a história de obras que continuaram em gravações, remontagens e novas versões
Dezesseis apresentações podem parecer insuficientes para construir uma história duradoura. Foi o que a primeira temporada de “Merrily We Roll Along” teve na Broadway, em 1981. Mais de quatro décadas depois, uma remontagem conquistou o Tony de melhor revival de musical.
Outras obras também encontraram caminhos depois de temporadas curtas. A lista reúne fracassos de primeiras produções na Broadway, sem tratar todos como fracassos na estreia mundial. “The Rocky Horror Show” e “Chess”, por exemplo, já haviam sido apresentados em Londres antes de suas primeiras montagens nova-iorquinas.
O reconhecimento posterior tampouco prova que todas as remontagens deram lucro. Em alguns casos, a permanência aparece sobretudo no repertório, nas gravações e no interesse de novas equipes.
1. “Merrily We Roll Along”
O musical de Stephen Sondheim e George Furth conta uma história de amizade em ordem reversa, começando pelas relações desgastadas e voltando às expectativas da juventude. A produção de 1981, dirigida por Harold Prince, encerrou-se depois de 16 apresentações regulares. Revisões e novas encenações participaram de seu longo processo de recuperação. A montagem dirigida por Maria Friedman, com Jonathan Groff, Daniel Radcliffe e Lindsay Mendez, ganhou o Tony de melhor revival em 2024. A reversão não aconteceu numa única tentativa.
2. “Carrie”
A primeira montagem da Broadway, em 1988, teve cinco apresentações regulares. A adaptação do romance de Stephen King se tornou uma referência de fracasso teatral, mas seus autores voltaram ao material. Em 2012, o MCC Theater apresentou uma versão reformulada Off-Broadway, dirigida por Stafford Arima. Essa produção ganhou uma gravação de elenco, permitindo que o musical circulasse para além de sua reputação inicial. A obra também entrou no repertório de licenciamento para outras companhias.
3. “Anyone Can Whistle”
Stephen Sondheim e Arthur Laurents colocaram uma falsa promessa de milagre no centro de uma sátira sobre conformismo. Angela Lansbury e Lee Remick estavam no elenco da estreia da Broadway, em 1964, que terminou depois de nove apresentações. O histórico da Music Theatre International registra a formação de um interesse cult e novas encenações regionais e internacionais. Canções e apresentações em concerto mantiveram a obra acessível mesmo sem uma longa temporada original.
4. “Chess”
O musical de Benny Andersson, Björn Ulvaeus e Tim Rice nasceu de um projeto que passou por um álbum e uma produção londrina. A primeira versão da Broadway, de 1988, durou 68 apresentações. As diferentes versões de seu texto e o repertório musical continuaram a motivar novas produções e concertos. Seu percurso pede a distinção entre o resultado de uma montagem específica e a circulação da obra: o encerramento em Nova York não encerrou a história do musical.
5. “The Rocky Horror Show”
O espetáculo de Richard O’Brien estreou em Londres em 1973. Sua primeira temporada da Broadway, em 1975, terminou depois de 45 apresentações. Já a adaptação cinematográfica, lançada naquele mesmo ano, desenvolveu uma cultura de sessões participativas que daria à história outra forma de permanência. Por isso, seria incorreto apresentar o caso como uma obra que fracassou em sua primeira estreia e só então foi descoberta. O revés americano é uma etapa de uma trajetória maior.
6. “Mack & Mabel”
Jerry Herman e Michael Stewart transformaram o universo do cinema mudo e a relação entre Mack Sennett e Mabel Normand em musical. A produção da Broadway de 1974 teve 66 apresentações. Em 2015, Michael Ball e Rebecca LaChance protagonizaram uma nova montagem no Chichester Festival Theatre, dirigida por Jonathan Church, que depois saiu em turnê. Quatro décadas separaram essas produções, mostrando como o interesse em remontar uma obra pode sobreviver ao resultado de sua primeira temporada.
7. “Side Show”
A produção original de 1997 teve 91 apresentações na Broadway. Com música de Henry Krieger e texto e letras de Bill Russell, a história acompanha as irmãs siamesas Daisy e Violet Hilton e sua busca por autonomia e afeto. Uma versão revista passou por La Jolla Playhouse e Kennedy Center antes de retornar à Broadway em 2014. A existência de uma nova produção não deve ser confundida com garantia de êxito financeiro; evidencia, sobretudo, que o interesse artístico na obra sobreviveu ao primeiro encerramento.
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