Death Note: musical do mangá estreia no Barbican, em Londres, quatro anos depois de passar pelo Rio
Death Note: The Musical entrou em cartaz em 30 de julho no Barbican Theatre, em Londres, e fica até 12 de setembro. São 50 apresentações. As primeiras sessões são pré-estreias: a noite de estreia oficial, para imprensa e convidados, está marcada para 11 de agosto, segundo a Playbill. Em inglês, o musical só tinha sido apresentado em forma de concerto. O Barbican recebe a estreia mundial desta nova produção, encenada.
O espetáculo vem do mangá de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, publicado entre 2003 e 2006, com mais de 30 milhões de exemplares vendidos no mundo, segundo a produção. A trama acompanha Light Yagami, estudante que encontra um caderno capaz de matar quem tiver o nome escrito nele, e o detetive conhecido apenas como L, encarregado de descobrir quem está por trás das mortes.
Um musical escrito em inglês que estreou em japonês
A partitura é de Frank Wildhorn, compositor de Jekyll & Hyde e Bonnie & Clyde, com letras de Jack Murphy e libreto de Ivan Menchell. O trio escreveu a obra em inglês, e um álbum conceito no idioma foi gravado ainda em 2014, com Jeremy Jordan no papel de Light, segundo o site britânico London Theatre. A estreia mundial, porém, aconteceu em japonês, em 2015, no Nissay Theatre, em Tóquio, sob produção da HoriPro.
Da Ásia veio a carreira longa. Na Coreia do Sul, a montagem de 2022 levou quatro prêmios do Korea Musical Awards entre dez indicações, e a produtora britânica apresenta a obra como vencedora do prêmio de melhor musical. A temporada mais recente em Seul ficou em cartaz por quase oito meses seguidos, segundo o jornal The Japan Times. Fora da Ásia, o título passou por Moscou em 2021 e pelo Rio de Janeiro em 2022. A estreia em inglês só veio em agosto de 2023, em concerto no London Palladium, com transferência para o Lyric Theatre em setembro, conforme o London Theatre.
“Desde a estreia em Tóquio, em 2015, nossa aspiração sempre foi levar Death Note ao palco de Londres”, afirmou Mr Hori, presidente do grupo HoriPro, em comunicado divulgado pela Trafalgar Entertainment.
O que muda na montagem do Barbican
A versão londrina tem roteiro revisto e canções novas ao lado da partitura original. A direção é de Stephen Whitson, que tem no currículo as montagens britânicas de Hamilton e Moulin Rouge!, com cenário de Jon Bausor (Spirited Away), coreografia de Fabian Aloise (Evita, no Palladium) e orquestrações de Jason Howland. Xander Pang faz Light e Colin Ryan faz L, ao lado de Telly Leung como Ryuk, Grace Mouat como Rem, Stephanie Zaharis como Misa Amane e Paolo Montalban como Soichiro Yagami.
A produção é da HoriPro com a Trafalgar Theatre Productions, apresentada em associação com o Barbican. O espetáculo dura 2h20, com intervalo de 20 minutos, e a casa recomenda a partir de 12 anos, com aviso de conteúdo adulto, referência a suicídio e efeitos de luz estroboscópica.
Death Note divide o verão londrino com outras estreias musicais, entre elas uma nova montagem de Cats no Regent's Park Open Air Theatre, a versão musical de Trainspotting no West End e o retorno de Martin Guerre ao Old Vic.
O Rio de Janeiro montou esse musical em 2022
Quatro anos antes do Barbican, o musical passou pelo Rio de Janeiro. Nos dias 20, 21, 27 e 28 de julho de 2022, o Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, recebeu Death Note – O Musical, apresentado pela Escola de Artes Faz Assim em parceria com a Callaghans Productions, do Reino Unido. Era a mesma obra que chega agora a Londres: o JBox descreve a montagem carioca como baseada no musical de Ivan Menchell, com letras de Jack Murphy e música de Frank Wildhorn, e o London Theatre inclui o Rio de Janeiro na linha do tempo do espetáculo.
Segundo a assessoria da montagem, citada pelo JBox, a temporada era autorizada como prática de montagem, o trabalho final do curso de formação de estudantes de teatro. É um estatuto diferente do que rege uma temporada comercial, e a escala era outra. A tradução foi de Noriko Tanaka, com versão de Gustavo Segundo e Luiz Gustavo Lopes. Fred Trotta dirigiu, com direção musical de Kika Tristão e direção de movimento de Ariane Rocha. Os ingressos custavam R$ 80 a inteira e R$ 40 a meia, e a montagem tinha cerca de duas horas, com dez minutos de intervalo.
“Estamos muito felizes em realizar a montagem de Death Note – O Musical, que é baseada em um dos mangás mais lidos no mundo”, afirmou Rachel Dalfior, diretora da escola e produtora, em material de divulgação publicado pelo Diário do Rio.
Foi uma produção de outra natureza, longe das cifras de uma montagem comercial, as mesmas que o FOYER levantou em quanto custa montar um musical no Brasil. Ainda assim, o palco carioca chegou antes. A estreia da obra em inglês só viria treze meses depois, em agosto de 2023, nos concertos do London Palladium, anunciados pelos produtores daquela temporada como a primeira apresentação do musical no idioma, em nota publicada pelo WhatsOnStage.
O plano seguinte é a Broadway
O comunicado da Trafalgar Entertainment que anunciou a temporada, em fevereiro, descreve a montagem como uma releitura para o West End e para uma temporada planejada na Broadway. Não há data nem teatro anunciados para essa etapa. As seis semanas do Barbican são a primeira temporada cênica dessa versão.
O caso não é isolado. Segundo o The Japan Times, a temporada londrina faz parte de um esforço de produtores japoneses para levar seus musicais além da Ásia e disputar o reconhecimento internacional que hoje cabe às produções britânicas e americanas.
Serviço
Death Note: The Musical
Barbican Theatre, Silk Street, Londres, EC2Y 8DS
De 30 de julho a 12 de setembro de 2026; estreia oficial em 11 de agosto
Duração: 2h20, com intervalo de 20 minutos
Classificação: recomendado a partir de 12 anos (menores de 5 anos não entram)
Ingressos: a partir de £ 34 (£ 30 mais £ 4 de taxa)
Vendas: bilheteria do Barbican e site oficial da casa



