Nova produção de 'Cats' bate recorde de vendas em teatro a céu aberto de Londres
Do outro lado do Atlântico, um dos musicais mais conhecidos do planeta recomeça ao relento. Desde 25 de julho, o Regent's Park Open Air Theatre, teatro a céu aberto no centro de Londres, apresenta uma produção inteiramente nova de Cats, de Andrew Lloyd Webber, dirigida e coreografada por Drew McOnie. Antes mesmo da noite de estreia oficial, marcada para 6 de agosto, a montagem já entrou para o histórico da casa: segundo o próprio teatro, é o musical de venda mais rápida em seus 94 anos de atividade.
A temporada londrina é curta e vai só até 19 de setembro, depois de um prolongamento de uma semana anunciado ainda em abril por causa da procura. Terminada a passagem por Londres, o espetáculo parte para uma turnê pelo Reino Unido que segue até julho de 2027, com abertura em Plymouth e passagens já confirmadas por Hull, Birmingham, Manchester, Bristol, Llandudno e Glasgow.
Uma releitura sob a lua Jellicle
Baseado em Old Possum's Book of Practical Cats, coletânea de poemas de T.S. Eliot, Cats acompanha uma tribo de gatos de rua que se reúne uma vez por ano para decidir qual deles renascerá. A trilha de Andrew Lloyd Webber inclui números como "Old Deuteronomy", "Macavity: The Mystery Cat", "The Jellicle Ball" e a balada "Memory", que virou hit fora do teatro.
A aposta de Regent's Park é levar essa mitologia felina para o gramado de um dos anfiteatros ao ar livre mais antigos de Londres, sob aquilo que a produção chama de lua Jellicle. O desenho de cenário, figurinos e perucas é de Sami Fendall. A montagem tem direção musical de Geraint Owen e supervisão musical de Alex Parker, e dura cerca de duas horas e quinze minutos com intervalo. A produção é assinada pelo Regent's Park Open Air Theatre em parceria com Michael Harrison, à frente da Lloyd Webber Harrison Musicals.
McOnie, que dirige o teatro a céu aberto e já assinou por lá montagens de Jesus Christ Superstar e Brigadoon, tem uma ligação antiga com a obra. Ele foi integrante do elenco de Cats antes de virar diretor e coreógrafo.
Como para muitos dançarinos do meio, "Cats" foi uma experiência transformadora para mim, e, como ex-integrante do elenco, é emocionante dirigir e coreografar esta nova produção do icônico musical de Andrew Lloyd Webber
afirmou McOnie em comunicado reproduzido pelo site oficial do compositor. O anúncio da montagem também trouxe declaração de Lloyd Webber, que disse estar "muito animado para ver uma produção totalmente nova de 'Cats' de volta ao palco onde ela pertence" e definiu McOnie como o nome ideal para "trazer uma nova visão ao mundo dos Jellicles".
Quem está no elenco
O elenco reúne nomes conhecidos dos palcos britânicos. Gary Wilmot, veterano do West End, vive Gus, o gato do teatro. Melanie La Barrie, que integrou o elenco londrino de Hadestown, é Old Deuteronomy, a matriarca da tribo. E Rachael Wooding, vista em Standing at the Sky's Edge, assume Grizabella, a gata decaída que canta "Memory".
O time se completa com Millie O'Connell, Patricia Zhou, Charlotte Riby e um grande grupo de bailarinos e cantores, num espetáculo que sempre teve na dança sua espinha dorsal. As primeiras imagens dos ensaios, divulgadas em julho, mostram o elenco em trajes de treino antes da transição para os figurinos de Fendall.
Quando confirmou o prolongamento da temporada, McOnie comemorou a resposta do público em nota citada pelo site Theatre Weekly.
Estou muito feliz que nossa nova produção de "Cats" tenha capturado a imaginação do público. É maravilhoso estender a temporada em Regent's Park
disse o diretor. O teatro afirmou, no mesmo anúncio, que a montagem se tornou o musical de venda mais rápida de sua história, aberta em 1932.
Um clássico global que o Brasil vê de longe
Estreado no início dos anos 1980, Cats é um dos pilares da era dos megamusicais que transformou o West End e a Broadway em indústria. Pelos números divulgados pela produção, o espetáculo já foi encenado em mais de 54 países, traduzido para 23 idiomas e visto por mais de 77 milhões de pessoas. A gravação do elenco da Broadway levou o Grammy de melhor álbum de elenco.
No Brasil, o público raramente tem acesso a essas montagens em primeira mão, o que faz de temporadas assim uma referência distante para uma cena que tenta crescer. O teatro musical brasileiro tem importado e adaptado títulos estrangeiros num ritmo cada vez mais intenso, como mostra a chegada de Wicked à Cidade das Artes, no Rio, com Myra Ruiz e Fabi Bang, ou a leva de estreias internacionais que aportam por aqui. A conta, porém, não fecha fácil: montar um musical de grande porte no país é caro e arriscado, como o FOYER já detalhou em quanto custa montar um musical no Brasil.
Há ainda o contraste com a forma como o mercado britânico recebe suas próprias apostas. Nem toda estreia londrina é festejada: semanas antes de Cats, o West End viu a chegada conturbada de outro título, quando Trainspotting virou musical sob críticas duras. No caso da produção de Regent's Park, o veredito da imprensa especializada só virá depois da noite oficial de 6 de agosto. Por ora, o que existe é o recorde de bilheteria antecipada e a expectativa em torno de um nome disposto a mexer numa relíquia sem pedir licença.
Serviço
Cats, de Andrew Lloyd Webber, direção e coreografia de Drew McOnie. Regent's Park Open Air Theatre, Londres. Em cartaz de 25 de julho a 19 de setembro de 2026 (noite de estreia oficial em 6 de agosto). Sessões de segunda a sábado, às 19h45, com matinês às quintas e sábados a partir de 1º de agosto. Duração aproximada de 2h15, com intervalo. Ingressos a partir de 15 libras, mais taxa. Depois da temporada londrina, o espetáculo segue em turnê pelo Reino Unido até julho de 2027.


