A voz é de Grimes, o rosto foi gerado por IA: a cantora estreia no cinema em dezembro
"Gods Don't Give Gifts", antologia de ficção científica do estúdio Fable, chega aos cinemas dos Estados Unidos em 4 de dezembro, sem data no Brasil.
A produção se apresenta como o primeiro filme inteiramente gerado por inteligência artificial a ter lançamento comercial em salas, afirmação que não foi verificada de forma independente.
Grimes gravou as falas. O rosto que aparece na tela, não. A cantora canadense estreia no cinema em “Gods Don't Give Gifts”, longa de ficção científica produzido com inteligência artificial, em que a voz é dela e a aparência foi criada por máquina.
O estúdio Fable anunciou a participação na quinta, 5 de novembro. O filme chega aos cinemas dos Estados Unidos na sexta, 4 de dezembro, e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.
Ela interpreta Zayinth Alda, aristocrata desiludida de Niiro Cradle, mundo fictício onde, segundo a produção, “os corpos são descartáveis e a consciência virou mercadoria”. São quatro curtas interligados sobre as consequências da tentativa humana de superar os limites do corpo físico.
A alegação de “primeiro filme” precisa de ressalva
O argumento de venda do lançamento é a primazia: seria o primeiro longa inteiramente gerado por IA a estrear comercialmente em salas. A informação parte da própria produção e não foi confirmada por fonte independente. Projetos anteriores feitos com ferramentas generativas já tiveram exibição em circuito limitado, o que torna a afirmação discutível e dependente da definição de “inteiramente” e de “comercial”.
Como a personagem foi construída
Segundo a Forbes, a voz no filme é a da própria Grimes, gravada por ela, enquanto a aparência na tela foi produzida por inteligência artificial. Para desenhar a personagem, o estúdio estudou visuais antigos da cantora, de aparições no Met Gala e no Coachella a clipes, e testou versões com ela antes do resultado final.
O método começa por storyboards e fichas de personagem. Os atores gravam as falas antes de as cenas serem geradas, e a atuação, segundo o criador do projeto, Zack London, é “toda conduzida pela interpretação vocal de Grimes”.
Os termos do contrato e a remuneração da cantora não foram divulgados, o que deixa sem resposta a parte mais concreta do caso: quanto vale ceder voz e imagem nesse arranjo.
O filme foi criado por London, conhecido na internet como Gossip Goblin, com o Fable, estúdio comandado por Edward Saatchi. Para o produtor, o modelo vai se espalhar. “As imagens das pessoas, conduzidas por suas performances vocais, vão estar em muitos filmes”, afirmou.
Por que este caso é diferente
O episódio não se encaixa nas polêmicas mais comuns sobre IA e imagem de artista, porque Grimes autorizou e participou do processo. Ela já havia liberado ferramentas que imitam a própria voz e disponibilizado gratuitamente mais de 200 faixas criadas com elas. Sobre o assunto, afirmou que, quando todos têm acesso a ferramentas de qualidade profissional, o talento real passa a se destacar.
O que continua em aberto
O consentimento individual resolve uma parte da questão e não resolve as outras. A indústria segue discutindo quem é o autor de uma cena gerada por máquina, o que conta como interpretação quando o rosto do ator é sintético e como impedir que a imagem de um artista seja reutilizada fora do combinado. Proteções contra o uso de IA foram um dos pontos centrais da greve de atores de Hollywood em 2023.
London reconhece que as categorias existentes não dão conta do projeto. Segundo ele, o rótulo de animação se encaixa mal, e os cargos usuais do cinema não serviram para creditar sua equipe.
Campanha pelo Oscar
O Fable realiza sessões privadas para votantes e pretende inscrever o filme na categoria de melhor animação no Oscar e no Bafta. As regras da Academia determinam que o uso de IA não ajuda nem prejudica as chances de indicação, e que o grau de autoria humana será levado em conta. Inscrever, porém, não garante elegibilidade nem indicação.
A estratégia de lançamento também aposta em público de internet. London publica três vídeos por semana há quatro anos, e o trailer soma 16 milhões de visualizações, segundo o estúdio. Um painel na Times Square, em Nova York, divulga o filme desde 2 de novembro.
Grimes, por sua vez, lança em 22 de janeiro o álbum “Psy Opera”, que, segundo ela, foi feito sem IA generativa, embora trate dos efeitos da tecnologia.
Serviço
Gods Don't Give Gifts Estreia nos cinemas dos Estados Unidos na sexta, 4 de dezembro de 2026 Sem data de lançamento no Brasil
Criação: Zack London. Produção: Fable, de Edward Saatchi Com Grimes como Zayinth Alda Antologia de ficção científica, quatro curtas interligados
Psy Opera, álbum de Grimes, com lançamento previsto para 22 de janeiro de 2027
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