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FOYER
A revista da semanaNº 2 · 30 Jul 2026

Laila Garin é Piaf

Roda Viva, 1968: a noite em que o CCC subiu ao palcoQuanto custa montar um musical no Brasil?Wagner Moura ovacionado em Avignon
foyer.digital · edição gratuita
O que vem por aí

Nesta edição

  1. 3A memória de casa cheiaEditorial
  2. 4Laila Garin, de Elis a PiafA semana · Teatro
  3. 9Recortes: o que disseram na semanaEntre aspas
  4. 10Galpão abre, Nanini fecha: a safra do teatro brasileiro desembarca no RioA semana · Teatro
  5. 15De pé para Wagner Moura: Avignon fecha 2026 com 1,5 milhão de ingressosA semana · Notícia
  6. 20Na tela: os programas da semanaYouTube do FOYER
  7. 21Roda Viva, 1968: a noite em que o palco virou alvoA semana · Bastidores
  8. 25De R$ 700 mil por mês a R$ 45,3 milhões: o preço de montar um musical no…A semana · Bastidores
  9. 31Diadema, Copan, Dinamarca: o Hamlet de Ícaro SilvaA semana · Teatro
  10. 36A semana em cartaz: São PauloAgenda
  11. 37A semana em cartaz: Rio de JaneiroAgenda
  12. 38Entre mestres: a arte pela palavraExclusivo
  13. 39ExpedienteQuem faz o FOYER
  14. 40A cortina desceContracapa
FOYER · A REVISTA · Nº 2230 Jul 2026
EditorialCarta ao leitor

A memória de casa cheia

Numa mesma semana, o teatro brasileiro olhou para trás e encontrou casa cheia. Em 27 de julho, a Unesco inscreveu o Theatro da Paz e o Teatro Amazonas na lista do Patrimônio Mundial sob o nome de Teatros da Amazônia, o primeiro título do gênero na Região Norte. Dois dias depois, o Grupo Galpão abriu a segunda edição do Festival de Teatro do Rio, que ocupa dois teatros cariocas até 16 de agosto. Entre uma data e outra, memória e bilheteria trocaram de lugar sem pedir licença.

É desse trânsito que esta edição trata. Recontamos a noite de julho de 1968 em que o CCC invadiu o palco de Roda Viva, ferida que completa 58 anos, e mostramos o que floresceu depois dela: Laila Garin preparando sua Édith Piaf para o Teatro Bradesco, Ícaro Silva vestindo o Hamlet de um cinema abandonado do Copan, Wagner Moura aplaudido de pé num Festival de Avignon que somou cerca de 1,5 milhão de ingressos. Também abrimos a planilha e explicamos quanto custa montar um musical no Brasil, porque palco se sustenta com arte e com conta feita.

A casa enxerga um fio costurando essas histórias. O país que viu atores espancados em cena aberta, e que deixou seus teatros da borracha atravessarem décadas de portas fechadas, hoje inscreve esses palcos no patrimônio da humanidade e forma fila do Riachuelo a Avignon. Guardar e lotar, aprendemos nesta semana, são o mesmo ofício. Boa leitura.

A direção do FOYER

FOYER · A REVISTA · Nº 2330 Jul 2026
TeatroFoto — Divulgação

Laila Garin, de Elis a Piaf

A baiana que ganhou cinco prêmios como Elis Regina assume Édith Piaf em musical inédito, a partir de 7 de agosto de 2026, no Teatro Bradesco, em São Paulo.

Desde 2013, Laila Garin vem emendando papéis de cantora em cena. Formada em artes cênicas pela Universidade Federal da Bahia, ela viveu Elis Regina, passou por Joana de Gota d'Água [a seco] e por Macabéa de A Hora da Estrela, e chega agora ao repertório de Édith Piaf: de La Vie en Rose a Non, Je Ne Regrette Rien, com orquestra.

Em 7 de agosto, Laila Garin entra no palco do Teatro Bradesco, em São Paulo, para viver Édith Piaf em PIAF, Eu Não Me Arrependo, musical inédito com dramaturgia de Newton Moreno e Alessandro Toller, direção de Sergio Módena e produção da Aventura. A temporada paulistana vai até 30 de agosto. Depois o espetáculo segue para o Rio de Janeiro, com apresentações no Teatro Riachuelo entre 10 de outubro e 1º de novembro, segundo a página de venda da Ingresso.com.

A escalação tem lógica. Desde 2013, a baiana de 48 anos vem emendando papéis de cantora em cena, e já tinha interpretado Elis Regina antes de chegar a Piaf.

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FOYER · A REVISTA · Nº 2430 Jul 2026
Teatrocontinuação

Laila Garin, de Elis a Piaf

De Salvador aos palcos do Sudeste

Laila Miranda Garin nasceu em Salvador, em 17 de fevereiro de 1978, filha de pai francês e mãe baiana. Formou-se em artes cênicas pela Universidade Federal da Bahia. A formação tinha começado bem antes: teatro aos 11 anos, canto lírico aos 13 e, aos 15, um grupo amador da Casa Via Magia.

Os primeiros créditos profissionais são dos anos 1990: A Casa de Eros (1996), Medeia (1997), Roberto Zucco (1998), Lábaro Estrelado (1999). Em 2002 entrou no elenco de Grease, o Musical, em São Paulo, como Marty. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 2009, quando estrelou Eu te amo mesmo assim, com supervisão de João Falcão. Também de Falcão veio outro musical que a aproximou do repertório popular brasileiro, Gonzagão, a Lenda, em 2012.

O papel que mudou a escala

Em 2013 veio Elis, A Musical, biografia cênica de Elis Regina dirigida por Dennis Carvalho. Em 2014, o papel lhe rendeu cinco prêmios: o Shell, o APCA, o Cesgranrio, o Bibi Ferreira e o Reverência, os que sua agência lista na biografia oficial. O espetáculo voltou aos palcos paulistanos dez anos depois, em edição comemorativa que estreou em 2023.

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FOYER · A REVISTA · Nº 2530 Jul 2026
Teatrocontinuação

Laila Garin, de Elis a Piaf

Entre uma temporada e outra de Elis, veio uma fila de personagens. Foi Selminha em O Beijo no Asfalto, O Musical (2015), Joana em Gota d'Água a seco] (2016 e 2017), a partir do texto de [Chico Buarque, e Helena em 2 Filhos de Francisco, O Musical (2017 e 2018). De 2020 a 2022 protagonizou A Hora da Estrela ou O Canto de Macabéa, montagem a partir de Clarice Lispector com direção de André Paes Leme e canções originais de Chico César. A trilha virou disco, gravado por ela e pelo compositor. Em 2023 apareceu na comédia da Broadway Alguma Coisa Podre, como Bea.

Na televisão, fez Maria José em Babilônia (2015), Ana Laura em Rock Story (2016 e 2017) e, principalmente, a antagonista Marcela na série 3%, da Netflix. Depois vieram Dom, em 2021, Fim, em 2023, e Maria e o Cangaço, em 2025. No cinema, esteve em Deserto Particular, de Aly Muritiba, e em Vitória.

Ela já tinha cantado Piaf antes

Em 2019, no segundo episódio da minissérie Hebe, produzida pelos Estúdios Globo, Laila Garin já havia aparecido como a cantora francesa.

Agora o papel vem em outra escala. Em entrevista ao jornal O Globo, reproduzida pelo Jornal Correio, a atriz pôs o foco na independência da personagem:

"Uma artista e uma mulher que escolheu fazer o que quis sem se dobrar às convenções. Não se casou, não teve filhos e comandou a própria carreira. Também era livre sexualmente", disse Laila Garin ao jornal O Globo.
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FOYER · A REVISTA · Nº 2630 Jul 2026
Teatrocontinuação

Laila Garin, de Elis a Piaf

O musical vai da infância pobre de Édith Piaf em Paris à consagração internacional. No caminho estão a descoberta nas ruas de Pigalle por Louis Leplée, o envolvimento com a resistência francesa durante a Segunda Guerra e os acidentes e problemas de saúde dos últimos anos. Em cena, Laila canta La Vie en Rose, Hymne à l'Amour, Padam, Padam, Milord e Non, Je Ne Regrette Rien, acompanhada por orquestra sob direção musical de Claudia Elizeu. Luísa Vianna faz a alternante do papel-título, e o elenco inclui Claudio Lins como Jean Cocteau, Bruna Pazinato como Marlene Dietrich e Patrick Amstalden como o boxeador Marcel Cerdan.

A produção é da Aventura, de Aniela Jordan e Luiz Calainho, a mesma casa que assinou Elis, A Musical. O espetáculo é apresentado pela Bradesco Seguros via Lei Federal de Incentivo à Cultura, desenho de financiamento comum entre as montagens de grande porte no Brasil.

"Contar a história de Piaf em um musical é falar sobre vencer o destino que nos é imposto, mas celebrar a força feminina, a solidariedade e a vida inspiradora de uma mulher que superou todos os desafios e que jamais se arrependeu de suas escolhas", afirma Aniela Jordan, diretora artística da Aventura, em release da produção.
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FOYER · A REVISTA · Nº 2730 Jul 2026
Teatrocontinuação

Laila Garin, de Elis a Piaf

Um ano cheio

Em 2026 Laila Garin também está em As Centenárias, de Newton Moreno, que ganhou versão musical em São Paulo ao lado de Juliana Linhares, com direção de Luiz Carlos Vasconcelos e canções inéditas de Chico César. A montagem recebeu três indicações no primeiro período do 37º Prêmio Shell de Teatro, anunciado em julho: melhor atriz para Juliana Linhares, música para Chico César e figurino para Kika Lopes e Heloisa Stockler. Segundo o material de divulgação de PIAF, a atriz completa 30 anos de carreira em 2026.

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Serviço

PIAF, Eu Não Me Arrependo

Temporada em São Paulo: 7 a 30 de agosto de 2026, no Teatro Bradesco (Bourbon Shopping São Paulo, Rua Palestra Itália, 500, Perdizes)

Horários: quintas e sextas, às 20h; sábados, às 16h e 20h; domingos, às 15h

Ingressos: 1º lote de R$ 50 a R$ 300

Classificação: 12 anos

Temporada no Rio de Janeiro: 10 de outubro a 1º de novembro de 2026, no Teatro Riachuelo (Rua do Passeio, 38, Centro)

FOYER · A REVISTA · Nº 2830 Jul 2026
Entre aspas, com a origem

Recortes da semana

FOYER · A REVISTA · Nº 2930 Jul 2026
TeatroFoto — João Pacca

Galpão abre, Nanini fecha: a safra do teatro brasileiro desembarca no Rio

A segunda edição do Festival de Teatro do Rio ocupa os teatros Riachuelo e TotalEnergies de 29 de julho a 16 de agosto, com Lilia Cabral, Fábio Porchat e uma mostra dedicada à nova geração.

Depois de estrear em 2025 com lotação esgotada todos os dias, o Festival de Teatro do Rio volta maior. De 29 de julho a 16 de agosto de 2026, os teatros Riachuelo e TotalEnergies concentram o que movimentou os palcos do país no último ano: o Grupo Galpão abre com (Um) Ensaio sobre a Cegueira, Lilia Cabral revive Rita Lee e Marco Nanini fecha a conta com Fim de Partida. No meio do caminho, a mostra Nova Cena reserva uma sala para quem está chegando ao teatro carioca.

A partir da próxima quarta-feira (29), o Rio de Janeiro concentra em dois teatros uma safra de espetáculos que movimentou os palcos brasileiros no último ano. A segunda edição do Festival de Teatro do Rio ocupa o Teatro Riachuelo, no Centro, e o Teatro TotalEnergies até 16 de agosto, com abertura do Grupo Galpão e encerramento com Marco Nanini. Os ingressos já estão à venda pela Ingresso.com.

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FOYER · A REVISTA · Nº 21030 Jul 2026
Teatrocontinuação

Galpão abre, Nanini fecha: a safra do teatro…

Produzido pela Aventura, de Aniela Jordan e Luiz Calainho, com curadoria e direção geral de Maria Siman, o festival volta maior depois de uma estreia com lotação esgotada todos os dias em 2025. A programação reúne nomes como Lilia Cabral, Fábio Porchat, Eduardo Moscovis e Malu Galli, além de uma novidade: a mostra Nova Cena, dedicada a artistas em ascensão do teatro carioca.

"Ficamos muito felizes com o sucesso do Festival ano passado. Não somente com os espetáculos lotados, mas também com todo o interesse e os debates com nossas ações formativas, com uma plateia diversa e atenta. A ideia com o Festival é mesmo mobilizar a cena teatral carioca, fomentar a produção e também dar uma contribuição na formação de novas plateias", afirma Aniela Jordan, diretora artística do festival.

Grupo Galpão abre, Marco Nanini encerra

A abertura, nos dias 29, 30 e 31 de julho, às 20h, no Teatro Riachuelo, fica com o Grupo Galpão, que chega de Belo Horizonte no auge de suas quatro décadas de trajetória com (Um) Ensaio sobre a Cegueira, montagem dirigida por Rodrigo Portella.

Na outra ponta do calendário está Fim de Partida, que Marco Nanini apresenta pela primeira vez no Rio depois de vender todos os ingressos da temporada paulistana e colher elogios da crítica. Também dirigido por Rodrigo Portella, o espetáculo reúne no palco Guilherme Weber, Ary França e Helena Ignez, de 13 a 16 de agosto, no Teatro TotalEnergies (quinta a sábado às 20h, domingo às 18h).

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FOYER · A REVISTA · Nº 21130 Jul 2026
Teatrocontinuação

Galpão abre, Nanini fecha: a safra do teatro…

Rita Lee, Moscovis e Porchat no meio do caminho

Entre a abertura e o encerramento, o público carioca terá a estreia na cidade de Rita Lee: Balada da Louca, solo em que Lilia Cabral revive Rita Lee, nos dias 4 e 5 de agosto, no Riachuelo. A montagem chega ao festival depois de uma temporada de estreia esgotada em São Paulo.

O festival também traz de volta montagens que tiveram temporadas concorridas no Rio: O Motociclista no Globo da Morte, que rendeu prêmios a Eduardo Moscovis (5 e 6 de agosto), Mulher em Fuga, com Malu Galli e Tiago Martelli (7 de agosto), e Deserto, com direção de Luiz Felipe Reis (8 e 9 de agosto). Completam a grade Histórias do Porchat (8 de agosto), A Pediatra (9 de agosto), Como um Palhaço (30 e 31 de julho), Um Sim à Vida, com Viviane Mosé (1º de agosto), Negra Palavra: Poesia do Samba (1º de agosto), A Menina Escorrendo dos Olhos da Mãe (2 de agosto), Ideias para Adiar o Fim do Mundo (2 de agosto) e Meu Corpo Está Aqui (4 de agosto).

Nova Cena: a aposta na nova geração

A principal novidade de 2026 é a mostra Nova Cena, montada em uma sala criada especialmente dentro do Teatro TotalEnergies para receber espetáculos em formato intimista. A seleção reúne O Dinossauro de Plástico, estrelado por Rafael Saraiva e dirigido por Barbara Duvivier (8 de agosto), Aqueles que Deixam Omelas, com João Pedro Zappa (9 de agosto), 1 Peça Cansada, com Natasha Corbelino (15 de agosto), e Na Quinta Dor, com Dora de Assis (1º de agosto). A bilheteria do festival lista ainda Maldita, nos dias 11 e 12 de agosto.

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FOYER · A REVISTA · Nº 21230 Jul 2026
Teatrocontinuação

Galpão abre, Nanini fecha: a safra do teatro…

Há também um trabalho em fase de criação: O Buraco, com direção de Stella Rabello e texto de Bernardo Coimbra e João Miller, abre seu processo criativo ao público em ensaio aberto gratuito nos dias 13 e 14 de agosto, com ingressos liberados às 18h30 do dia da apresentação.

"A proposta é trazer jovens artistas e criadores que estão renovando a linguagem e despontando na cena teatral. Queremos abrir uma janela para a vitalidade, a diversidade e a reinvenção constante do nosso teatro", explica Maria Siman, curadora do festival.

Palco 360: oficinas, cursos e debates

Nesta edição, o festival ocupa todo o espaço do Teatro TotalEnergies, incluindo a Sala Adolpho Bloch, a área de convivência e a sala de ensaios, que abrigam as ações formativas reunidas sob o nome Palco 360. A bilheteria já lista oficinas como Palavra Presença, com Eduardo Moreira (30 de julho), Reflorestar Imaginários, com Yumo Apurinã e João Bernardo Caldeira (1º de agosto), Pedagogia da Palavra, com o Complexo Negra Palavra (2 de agosto), e O Tecido do Vazio, sobre o teatro de Anton Tchekhov, com Pedro Muller (6 e 7 de agosto).

"O Festival cresceu e estamos trabalhando para já fazer parte do calendário cultural da cidade. Este ano vamos expandir, ter ainda mais encontros com a classe teatral e o público, ações gratuitas e também mais um palco e espaços adaptados para a apresentação dos espetáculos", diz Maria Siman.
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FOYER · A REVISTA · Nº 21330 Jul 2026
Teatrocontinuação

Galpão abre, Nanini fecha: a safra do teatro…

Serviço

2º Festival de Teatro do Rio

Quando: de 29 de julho a 16 de agosto de 2026

Onde: Teatro Riachuelo (Rua do Passeio, 38, Centro) e Teatro TotalEnergies (Rua do Russel, 804), Rio de Janeiro

Ingressos: à venda pela Ingresso.com; valores variam por espetáculo e setor

Ensaio aberto de O Buraco: gratuito, com ingressos liberados às 18h30 do dia da apresentação

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FOYER · A REVISTA · Nº 21430 Jul 2026
NotíciaFoto — Christophe Raynaud de Lage

De pé para Wagner Moura: Avignon fecha 2026 com 1,5 milhão de ingressos

Um dos maiores encontros de teatro do mundo encerrou a edição de 2026 em 25 de julho com casas cheias na mostra oficial e recorde de espetáculos no Off; a volta do ator brasileiro ao palco, na peça de Christiane Jatahy, terminou em longa ovação.

No Gymnase do liceu Aubanel, um júri sorteado na plateia decidia a cada noite se o médico vivido por Wagner Moura era mesmo um inimigo do povo. Fora dali, os números do festival do sul da França contavam um julgamento favorável: cerca de 1,5 milhão de ingressos entre o In e o Off, a língua coreana como convidada de honra e segredo absoluto guardado para os 80 anos, em julho de 2027.

Um dos maiores encontros de teatro do mundo fecha as cortinas neste sábado (25) com casas cheias e um capítulo especial para o público brasileiro. O Festival de Avignon, no sul da França, encerra a edição de 2026 com balanços positivos tanto na mostra oficial, o chamado "In", quanto no gigantesco festival paralelo Off, que somados apontam cerca de 1,5 milhão de ingressos vendidos, segundo números divulgados nesta semana pela imprensa francesa. E o nome mais comentado entre os artistas convidados fala português: Wagner Moura foi ovacionado de pé na sua volta ao teatro.

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FOYER · A REVISTA · Nº 21530 Jul 2026
Notíciacontinuação

De pé para Wagner Moura: Avignon fecha 2026 com 1,5…

O diretor do festival, o português Tiago Rodrigues, apresentou o balanço na terça-feira (21), quatro dias antes do encerramento, em números repercutidos pela agência France-Presse e pelo site franceinfo, da televisão pública francesa.

"Hoje, terça-feira 21 de julho, vendemos 119 mil lugares, de 136 mil colocados à venda. É um número levemente maior que a quantidade de ingressos vendidos no mesmo dia do ano passado", disse Rodrigues à France-Presse.

A ovação a Wagner Moura

Para o leitor brasileiro, o destaque da edição veio do Gymnase do liceu Aubanel, um dos palcos da mostra oficial. Ali, Wagner Moura estreou em 11 de julho Un Procès (Après l'Ennemi du Peuple), criação da diretora brasileira Christiane Jatahy que imagina uma continuação para Um Inimigo do Povo, escrita por Henrik Ibsen em 1882. A crítica do franceinfo classificou a recepção como um triunfo: no aplausômetro, Moura, Julia Bernat e Danilo Grangheia tiveram direito a uma longa ovação de pé.

Na trama, o médico Thomas Stockmann, "brasileiro apesar do nome norueguês", como escreveu o franceinfo, descobre que as águas termais de sua cidade estão contaminadas e vira alvo de uma campanha de difamação ao tentar alertar a população. A montagem transforma o palco em uma espécie de tribunal social: espectadores sorteados na plateia formam o júri que decide, a cada noite, se Stockmann é mesmo um inimigo do povo. Ecologia, chantagem de emprego, notícias falsas e a solidão de quem denuncia irregularidades atravessam o espetáculo, que mistura vídeos gravados e câmeras ao vivo.

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FOYER · A REVISTA · Nº 21630 Jul 2026
Notíciacontinuação

De pé para Wagner Moura: Avignon fecha 2026 com 1,5…

O papel marca a volta de Moura aos palcos: segundo o franceinfo, o projeto nasceu do desejo do próprio ator de reencontrar o teatro, em colaboração de longa data com a amiga Jatahy. O ator vem de uma sequência rara: prêmio de interpretação no Festival de Cannes de 2025 e Globo de Ouro em 2026 por O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho. Depois de Avignon, a montagem segue em turnê internacional, com passagem já anunciada pelo Festival de Edimburgo, na Escócia, em agosto.

Coreia do Sul no centro do palco

A edição de 2026 teve a língua coreana como convidada de honra, com 20% da programação reservada às artes cênicas do país: teatro popular, teatro documental, performances visuais, dança, circo e pansori, a arte coreana do relato cantado. A escolha seguiu a lógica adotada por Tiago Rodrigues desde 2023, quando o festival passou a homenagear um idioma por ano: inglês naquela edição, espanhol em 2024 e árabe em 2025.

Foram 47 espetáculos na mostra oficial, com abertura de Maldoror, de Julien Gosselin, na Cour d'Honneur do Palais des Papes, o pátio do palácio medieval que é o palco mais simbólico do festival. Segundo a rádio pública ICI Vaucluse, do grupo Radio France, 64% das obras foram criações pensadas para Avignon e 40% eram estreias mundiais; quase sete em cada dez artistas do programa pisavam no festival pela primeira vez. O público novato também cresceu: o dispositivo "primeira vez", voltado a espectadores estreantes, dobrou em quatro anos, de 5 mil para 10 mil pessoas.

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FOYER · A REVISTA · Nº 21730 Jul 2026
Notíciacontinuação

De pé para Wagner Moura: Avignon fecha 2026 com 1,5…

A taxa de ocupação das salas ficou em 85%, contra 96% no ano anterior, uma queda que a direção atribui ao aumento da oferta: havia 13 mil lugares a mais à venda em 2026. Nem o calor extremo que castigou o sul da França afastou os espectadores, que passaram a comprar cada vez mais em cima da hora.

"É uma questão democrática: o festival criado por Jean Vilar se fez sobre as férias remuneradas, para que todo mundo pudesse ter tempo de aproveitar essa viagem ao país do teatro", afirmou Rodrigues à ICI Vaucluse, ao defender a permanência do evento em julho.

Off: 1,4 milhão de ingressos e um recorde de espetáculos

Ao lado da mostra oficial, o festival Off, organizado pela associação Avignon Festival & Compagnies, chegou à sua 60ª edição como a maior vitrine mundial das artes cênicas independentes. O balanço parcial divulgado na quinta-feira (23), detalhado pelo jornal econômico regional L'Écho du Mardi e pelo site Presse Agence, impressiona: 1.812 espetáculos, cerca de 27 mil sessões em 141 espaços e quase 1.600 companhias, ante 1.400 no ano passado.

A estimativa é de 1,41 milhão de ingressos vendidos, com ocupação média de 54% das salas e bilheteria total avaliada em 22 milhões de euros. A Carte Off, cartão de descontos do festival, deve fechar a edição com 86 mil unidades vendidas, acima das 80 mil de 2025. O teatro domina a programação, com 55% dos espetáculos, seguido pelo humor, com 20%. O evento credenciou ainda 2.080 profissionais, entre eles 1.580 programadores e cerca de 500 jornalistas.

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FOYER · A REVISTA · Nº 21830 Jul 2026
Notíciacontinuação

De pé para Wagner Moura: Avignon fecha 2026 com 1,5…

Os números escondem, porém, uma fragilidade estrutural que o próprio balanço admite: 81% dos espetáculos do Off não recebem nenhuma subvenção pública territorial, ante 78% no ano anterior. A maioria das companhias banca a própria vinda e depende da bilheteria e da venda dos espetáculos para turnês futuras, o que faz do festival um investimento de risco para boa parte delas. Entre as prioridades listadas para os próximos anos estão o custo de hospedagem das equipes e a adaptação do evento às ondas de calor.

2027: 80 anos e segredo absoluto

O próximo capítulo já tem data e mistério. Em 2027, o festival completa 80 anos de sua criação por Jean Vilar, em 1947, e Tiago Rodrigues prometeu à France-Presse "uma programação extraordinária", que será mantida em segredo até abril: nem o espetáculo de abertura nem a língua convidada serão revelados antes disso.

À rádio ICI Vaucluse, o diretor encerrou o balanço com uma garantia: "Estaremos lá, de novo, em Avignon, em julho de 2027".

FOYER · A REVISTA · Nº 21930 Jul 2026
O canal, esta semana

Na tela

FOYER · A REVISTA · Nº 22030 Jul 2026
BastidoresFoto — Palácio do Planalto

Roda Viva, 1968: a noite em que o palco virou alvo

Em 18 de julho de 1968, encapuzados do CCC invadiram o Teatro Ruth Escobar, destruíram o cenário e espancaram o elenco da primeira peça de Chico Buarque. A censura completou o que os cassetetes começaram.

Uma comédia musical sobre a fabricação de um ídolo pop acabou tratada como inimiga a ser destruída. Cinquenta e oito anos depois, o que houve na sala Galpão do Teatro Ruth Escobar ainda explica por que, no Brasil, um palco capaz de incomodar o poder pode virar alvo.

Na noite de 18 de julho de 1968, cerca de vinte homens encapuzados entraram na sala Galpão do Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, armados de cassetetes. Em poucos minutos, destruíram o cenário, rasgaram figurinos e espancaram o elenco de Roda Viva, a primeira peça escrita por Chico Buarque. O ataque foi obra do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), grupo paramilitar de ultradireita, e entrou para a memória do país como um dos episódios mais brutais já vividos pelo teatro brasileiro.

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FOYER · A REVISTA · Nº 22130 Jul 2026
Bastidorescontinuação

Roda Viva, 1968: a noite em que o palco virou alvo

Cinquenta e oito anos depois, a data ainda pesa. Vale recontar como uma comédia musical sobre a indústria do disco terminou em sangue, tribunal de censura e uma carreira interrompida à força.

A primeira peça de Chico Buarque

Chico escreveu Roda Viva no fim de 1967, quando já era o compositor celebrado de "A Banda" e um dos rostos mais queridos da MPB. Era sua estreia na dramaturgia. A direção coube a José Celso Martinez Corrêa, que vinha da experiência tropicalista de O Rei da Vela e transformou o texto num embate direto com a plateia.

A peça estreou em janeiro de 1968, no Teatro Princesa Isabel, no Rio de Janeiro, com Marieta Severo, Heleno Prestes e Antônio Pedro nos papéis principais, um coro de doze atores e a expressão corporal orientada pelo coreógrafo Klauss Vianna. No elenco despontavam nomes que marcariam as décadas seguintes, entre eles Zezé Motta, André Valli e Pedro Paulo Rangel. A temporada carioca foi considerada um sucesso.

Um palco em confronto com a plateia

O enredo acompanha um ídolo pop fabricado pela indústria cultural e devorado pela própria fama. Nas mãos de Zé Celso, a sátira ao estrelato ganhou contornos de enfrentamento ao regime militar instalado em 1964. Algumas cenas atiçavam a plateia mais conservadora: um ator fardado de soldado defecava dentro de um capacete, e o coro destroçava um enorme fígado de boi cru, cujo sangue respingava sobre os espectadores das primeiras filas.

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FOYER · A REVISTA · Nº 22230 Jul 2026
Bastidorescontinuação

Roda Viva, 1968: a noite em que o palco virou alvo

O crítico Anatol Rosenfeld batizou o resultado de "teatro agressivo". Parte da crítica e da própria esquerda recebeu a montagem com desconfiança, sem enxergar seu peso político. Nesse vácuo, o ódio da direita golpista cresceu. A provocação artística passou a ser tratada como afronta a ser revidada à força.

A noite do dia 18

Quando Roda Viva desembarcou em São Paulo, no Teatro Ruth Escobar, Marília Pêra havia assumido o papel no lugar de Marieta Severo. Foi ali, na noite de 18 de julho de 1968, que o CCC agiu. Os cerca de vinte invasores depredaram a sala Galpão e partiram para cima do elenco. Houve espancamento e, segundo relatos da época, atos de violência sexual contra as atrizes. André Valli e Marília Pêra estiveram entre os agredidos. No tumulto, parte do elenco conseguiu deter um dos atacantes e entregá-lo à polícia.

A classe teatral reagiu no dia seguinte. Cacilda Becker e a produtora Ruth Escobar lideraram os protestos, cobraram a punição dos responsáveis, garantias de vida ao elenco e a responsabilização do Estado pelos danos ao teatro. A resposta das autoridades foi morna: suspeitos foram liberados e a apuração, esvaziada.

Porto Alegre e a censura

Mesmo depredada, a peça seguiu viagem. Ainda em 1968, no Teatro Leopoldina, em Porto Alegre, os atores voltaram a ser atacados, agredidos e sequestrados. Depois desse segundo episódio, Roda Viva não voltou mais aos palcos de forma profissional na época.

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FOYER · A REVISTA · Nº 22330 Jul 2026
Bastidorescontinuação

Roda Viva, 1968: a noite em que o palco virou alvo

O golpe final veio da censura, que classificou a montagem de "degradante" e "subversiva". Em parecer, o censor Mário F. Russomano justificou o veto:

"O senhor Chico Buarque criou uma peça que não respeita a formação moral do espectador, ferindo de modo contundente todos os princípios de ensinamento de moral e de religião herdados de nossos antepassados", escreveu o censor Mário F. Russomano.

Em dezembro daquele mesmo ano, no dia 13, o governo militar editaria o Ato Institucional nº 5, o AI-5, que endureceria de vez a repressão e a censura no Brasil e submeteria os espetáculos a um controle prévio ainda mais rígido.

O que restou de Roda Viva

Da peça sobrou, sobretudo, a canção-tema. "Roda Viva" foi regravada muitas vezes e virou um dos clássicos de Chico. Já o espetáculo permaneceu por décadas como uma ferida aberta, quase nunca revisitado. Anos mais tarde, o próprio Chico deu sinal verde para que José Celso o remontasse, retomando a parceria interrompida em 1968.

O ataque de 1968 volta à conversa toda vez que a liberdade artística é ameaçada no país. Antes de Roda Viva, o teatro brasileiro já havia enfrentado a tesoura da censura em textos de Nelson Rodrigues e de muitos outros autores. Depois dele, ficou a certeza de que um palco capaz de incomodar o poder podia virar alvo. Por isso a noite de 18 de julho continua sendo contada.

FOYER · A REVISTA · Nº 22430 Jul 2026
BastidoresFoto — Divulgação

De R$ 700 mil por mês a R$ 45,3 milhões: o preço de montar um musical no Brasil

Claudia Raia abriu a planilha de Tarsila, A Brasileira em evento na B3 em 21 de julho de 2026; entre a Lei Rouanet, o patrocínio e a bilheteria, o FOYER mostra quem paga a conta do teatro musical brasileiro.

Uma equipe fixa de 73 profissionais, tetos de captação que chegam a R$ 15 milhões e um mercado que movimentou R$ 1,1 bilhão na economia paulistana em 2023: os números que vieram a público dão a medida de quanto custa manter a cortina aberta.

Os valores variam com o tamanho do projeto, e os números que vieram a público dão a régua: O Fantasma da Ópera custou R$ 45,3 milhões na temporada paulistana de 2018, valor que fez dele a produção mais cara da história do teatro brasileiro. Já a operação mensal de Tarsila, A Brasileira, musical estrelado e produzido por Claudia Raia, consome cerca de R$ 700 mil, segundo a atriz detalhou em evento na B3, a bolsa de valores de São Paulo, em 21 de julho de 2026.

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FOYER · A REVISTA · Nº 22530 Jul 2026
Bastidorescontinuação

De R$ 700 mil por mês a R$ 45,3 milhões: o preço de…

A conta ficou mais transparente nos últimos dias. Ao participar da cerimônia do toque da campainha que abriu a nova fase de circulação de Tarsila na B3, Claudia Raia e Stephanie Mayorkis, diretora de operações da divisão de entretenimento da produtora IMM, expuseram os bastidores financeiros de uma indústria que funciona como empresa itinerante: meses de captação de recursos, negociações com patrocinadores e dezenas de profissionais contratados antes de a cortina abrir, conforme registrou a reportagem do site Seu Dinheiro.

De onde vem o dinheiro?

No Brasil, o motor principal é a Lei Rouanet, a lei federal de incentivo que permite a empresas e pessoas físicas destinarem parte do imposto de renda devido a projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura. Aprovação, porém, garante apenas o direito de captar: o produtor ainda precisa convencer patrocinadores a assinar o cheque.

"Tem gente que prefere não entender como funciona a Lei Rouanet. Você manda o seu projeto para o Ministério da Cultura, que avalia e devolve a possibilidade de captar. Depois, você pega o projeto debaixo do braço, algo que eu faço pessoalmente, e vai atrás dos patrocinadores para ver quem acredita naquele projeto. É uma peregrinação", contou Claudia Raia no encontro na B3.
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FOYER · A REVISTA · Nº 22630 Jul 2026
Bastidorescontinuação

De R$ 700 mil por mês a R$ 45,3 milhões: o preço de…

Os tetos de captação são definidos por instrução normativa do Ministério da Cultura. Pela IN 23/2025, publicada em 6 de fevereiro de 2025, um projeto comum de pessoa jurídica pode captar até R$ 1,5 milhão; espetáculos de teatro, dança e circo com itinerância por pelo menos duas regiões do país chegam a R$ 6 milhões; e projetos de teatro musical e ópera, que antes tinham limite de R$ 10 milhões, agora podem captar até R$ 15 milhões, o maior teto da tabela ao lado de festivais, bienais, festas e feiras.

O restante vem da iniciativa privada fora do incentivo fiscal e da bilheteria. No caso de O Fantasma da Ópera, o Ministério da Cultura autorizou a captação de R$ 28,6 milhões via Rouanet; somado o aporte direto de patrocinadores, liderados pelo Bradesco Seguros, o investimento total alcançou os R$ 45,3 milhões, como registrou o Blog do Arcanjo, do jornalista Miguel Arcanjo, na estreia da montagem no Teatro Renault.

"Sem o apoio de grandes empresas que apoiam a cultura seria impossível montar um espetáculo com esta estrutura", disse à época Renata Alvim, então gerente geral da divisão de projetos da Time For Fun, produtora responsável pela montagem.

Para Claudia Raia, o mecanismo é condição de existência do setor. "Se a Lei Rouanet acabar, acabam também as produções de teatro musical", afirmou a atriz na B3.

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FOYER · A REVISTA · Nº 22730 Jul 2026
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De R$ 700 mil por mês a R$ 45,3 milhões: o preço de…

Para onde vai cada real?

A folha de pessoal é o coração do orçamento. Tarsila, A Brasileira, que estreou em 2024 e já foi vista por mais de 140 mil pessoas, mantém uma equipe fixa de 73 profissionais, entre elenco, músicos, técnicos e os responsáveis por cenografia, iluminação, figurino, maquiagem e produção. São esses salários, somados a aluguel de teatro, manutenção de cenário e divulgação, que formam os R$ 700 mil mensais citados pela produção.

Quando o espetáculo viaja, a conta cresce. A turnê nacional de Tarsila deve passar por sete cidades até o início de 2027, entre elas Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife e Salvador, além de novas temporadas em São Paulo e no Rio de Janeiro. No palco, Jarbas Homem de Mello segue como Oswald de Andrade na história da pintora que dá nome ao espetáculo, tema do musical desde o anúncio da montagem.

"O Brasil é um país muito grande e não é fácil viajar com uma caravana de 73 pessoas", resumiu Claudia Raia ao comentar a logística.

A cadeia produtiva vai além do palco. "O teatro musical movimenta praticamente todas as linhas da economia. Também gera oportunidades para milhares de trabalhadores de base: técnicos, camareiras, costureiras, maquiadores, cabeleireiros, peruqueiros. É muita gente que vive hoje do teatro musical", disse Stephanie Mayorkis no mesmo evento.

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FOYER · A REVISTA · Nº 22830 Jul 2026
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De R$ 700 mil por mês a R$ 45,3 milhões: o preço de…

Qual o tamanho desse mercado no Brasil?

Um estudo da Fundação Getulio Vargas encomendado pela Sociedade Brasileira de Teatro Musical calculou que o gênero movimentou R$ 1,1 bilhão na economia da cidade de São Paulo em 2023, considerando impactos diretos e indiretos, alta de 8,9% sobre 2019, último ano antes da pandemia. Segundo Mayorkis, o Brasil disputa hoje com o México o posto de terceiro maior mercado produtor de teatro musical do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Reino Unido.

O calendário reforça a tese. Wicked cumpre sua primeira temporada carioca na Cidade das Artes, depois de mais de um milhão de espectadores no país, e O Diabo Veste Prada, com Claudia Raia como Miranda Priestly, estreia em fevereiro de 2027 no Teatro Santander, antes mesmo da Broadway. Cada um desses títulos repete, em escala própria, a mesma engenharia: incentivo fiscal, patrocínio direto e bilheteria dividindo o risco de uma arte que custa caro para ficar de pé.

Perguntas rápidas

Qual foi o musical mais caro já montado no Brasil? A montagem brasileira de O Fantasma da Ópera, de 2018, com investimento total de R$ 45,3 milhões, dos quais R$ 28,6 milhões autorizados para captação via Lei Rouanet. A cifra superou a da primeira versão brasileira, de 2005, vista por 880 mil pessoas.

Quanto um musical pode captar pela Lei Rouanet? Desde a IN 23/2025, projetos de teatro musical e ópera podem captar até R$ 15 milhões cada um. O teto de um projeto comum de pessoa jurídica é de R$ 1,5 milhão, e espetáculos em turnê por duas regiões do país chegam a R$ 6 milhões.

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FOYER · A REVISTA · Nº 22930 Jul 2026
Bastidorescontinuação

De R$ 700 mil por mês a R$ 45,3 milhões: o preço de…

Quanto custa manter um musical em cartaz por mês? Depende da escala. Tarsila, A Brasileira, com equipe de 73 profissionais, custa cerca de R$ 700 mil mensais, segundo Claudia Raia, produtora e protagonista do espetáculo.

Teatro musical dá retorno econômico? Estudo da FGV para a Sociedade Brasileira de Teatro Musical estimou impacto de R$ 1,1 bilhão na economia paulistana em 2023, e o Brasil disputa com o México a posição de terceiro maior mercado do gênero no mundo.

FOYER · A REVISTA · Nº 23030 Jul 2026
TeatroFoto — Rael Barja

Diadema, Copan, Dinamarca: o Hamlet de Ícaro Silva

Aos 39 anos, o ator e cantor assumiu o papel-título de Hamlet, Sonhos que Virão no canteiro de obras do Nu Cine Copan, em São Paulo, herdando de Gabriel Leone o papel numa montagem que já tinha levado mais de 25 mil pessoas ao antigo cinema.

Filho de um segurança de biblioteca que levava livros infantis emprestados para os filhos, Ícaro Silva publicou o primeiro livro aos oito anos e estreou na TV ainda menino. Entre 16 de maio e 16 de julho de 2026, coube a ele o príncipe de Shakespeare na encenação site-specific que ocupou o Nu Cine Copan, capítulo mais recente de uma carreira que corre em três pistas: teatro, música e televisão.

Ícaro Silva subiu ao trono da Dinamarca no meio de um canteiro de obras. Desde 16 de maio de 2026, o ator e cantor de 39 anos assumiu o papel-título de Hamlet, Sonhos que Virão, a encenação site-specific que ocupou o Nu Cine Copan, no centro de São Paulo, até 16 de julho. Ele herdou o posto de Gabriel Leone, que abriu a temporada e levou mais de 25 mil pessoas ao antigo cinema abandonado. Foi a mais recente parada de uma carreira que corre em três pistas ao mesmo tempo: teatro, música e televisão.

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FOYER · A REVISTA · Nº 23130 Jul 2026
Teatrocontinuação

Diadema, Copan, Dinamarca: o Hamlet de Ícaro Silva

Quem é Ícaro Silva?

Nascido em São Bernardo do Campo em 19 de março de 1987 e criado em Diadema, na Grande São Paulo, Ícaro começou cedo e por um caminho pouco comum. Aos oito anos lançou o primeiro livro infantil, "Três Historinhas de Ícaro Silva", e no mesmo período apareceu pela primeira vez na TV por um motivo triste, quando as chuvas de 1995 ameaçaram o barraco onde a família morava. A exposição acabou abrindo a porta dos palcos.

Filho de uma funcionária pública e de um segurança de biblioteca que levava livros infantis emprestados para os filhos, Ícaro estreou como ator ainda menino, na novela Meu Pé de Laranja Lima (1998), da TV Bandeirantes. A projeção nacional veio entre 2004 e 2007, como o Rafa da série teen Malhação, da Globo.

Como o teatro musical fez seu nome?

Foi no palco cantado que Ícaro se firmou como um dos intérpretes mais versáteis da sua geração. Em Rock in Rio, O Musical, entre 2013 e 2016, viveu dois papéis, entre eles uma versão de Gilberto Gil. Deu vida ao cantor Wilson Simonal em dois espetáculos, S'Imbora, o Musical e Show em Simonal, e encarnou Jair Rodrigues em Elis, A Musical, papel que repetiu no cinema, no filme Elis (2016).

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FOYER · A REVISTA · Nº 23230 Jul 2026
Teatrocontinuação

Diadema, Copan, Dinamarca: o Hamlet de Ícaro Silva

Em 2017, ampliou o alcance para fora do teatro ao vencer a primeira temporada do quadro Show dos Famosos, no antigo Domingão do Faustão. No ano seguinte, tirou do papel um projeto autoral, o show Ícaro and the Black Stars, em que revisita clássicos da black music mundial, de Michael Jackson e James Brown a Tim Maia, ao lado do diretor Pedro Brício. Também emprestou a voz ao leão Simba na versão brasileira do remake de O Rei Leão (2019) e passou por novelas como Joia Rara, Pega Pega, Verão 90 e Cara e Coragem, na qual fez seu primeiro vilão.

O Hamlet do canteiro de obras

A convite do diretor Rafael Gomes, com quem já trabalhou em quatro longas-metragens, Ícaro aceitou o desafio de assumir a tragédia de William Shakespeare depois que Gabriel Leone deixou o elenco. A montagem, com adaptação de Rafael Gomes e Bernardo Marinho e produção de Rafael Rosi, não acontece num teatro convencional: ocupa o Nu Cine Copan, cinema desativado há décadas e em reforma para reabrir em 2027. A plateia, de cerca de 360 pessoas, senta onde ficavam a tela e o palco da antiga sala, enquanto a ação toma o próprio canteiro de obras.

Assumir um papel que já vinha repercutindo com o público não era tarefa simples, e o ator não escondeu o tamanho do desafio.

"É teatro da melhor qualidade, o paraíso de qualquer ator", disse Ícaro Silva sobre a montagem, em material de divulgação da produção.

Sobre o próprio personagem, o intérprete resumiu a expectativa em tom de brincadeira.

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FOYER · A REVISTA · Nº 23330 Jul 2026
Teatrocontinuação

Diadema, Copan, Dinamarca: o Hamlet de Ícaro Silva

"Estou muito animado e não vejo a hora de ocupar o trono da Dinamarca", afirmou o ator.

Depois da temporada regular, a montagem ainda ganhou uma apresentação gratuita na Virada Cultural de São Paulo, mostrando o fôlego de um espetáculo que transformou uma ruína arquitetônica em cenário. O FOYER acompanhou a reestreia de Hamlet com Ícaro Silva no papel-título.

O que Ícaro Silva está fazendo agora?

Com o Hamlet paulistano encerrado, Ícaro segue dividido entre o teatro autoral, a música negra que leva ao palco em nome próprio e os trabalhos diante das câmeras. É esse vaivém, do musical à tragédia clássica e do quadro de auditório ao show de black music, que faz dele um dos nomes mais requisitados quando uma produção brasileira precisa de alguém que atue e cante com a mesma desenvoltura.

Perguntas rápidas

Quem é Ícaro Silva? Ator, cantor, modelo e escritor nascido em São Bernardo do Campo em 1987 e criado em Diadema. Ficou conhecido na novela Malhação e se firmou no teatro musical brasileiro em espetáculos como Elis, A Musical e Rock in Rio, O Musical.

Qual foi o último grande papel de Ícaro Silva no teatro? O príncipe Hamlet em Hamlet, Sonhos que Virão, encenação site-specific no Nu Cine Copan, em São Paulo, entre maio e julho de 2026, no lugar de Gabriel Leone.

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FOYER · A REVISTA · Nº 23430 Jul 2026
Teatrocontinuação

Diadema, Copan, Dinamarca: o Hamlet de Ícaro Silva

Ícaro Silva também canta? Sim. Além de papéis em musicais, ele leva aos palcos o show autoral Ícaro and the Black Stars, dedicado a clássicos da black music mundial.

Onde Ícaro Silva ficou conhecido na TV? Ganhou repercussão nacional como o personagem Rafa na série teen Malhação, da Globo, entre 2004 e 2007, e depois em novelas e no quadro Show dos Famosos, que venceu em 2017.

FOYER · A REVISTA · Nº 23530 Jul 2026
Sete dias pela frente

A semana em cartazSão Paulo

Sexta 31/077 Mulheres e Um MistérioNa noite de estreia, às 20h, Anna Toledo verte a comédia policial de Robert Thomas em musical: sete mulheres presas numa mansão na véspera de Natal, todas com bom motivo e péssimo álibi.033 Rooftop · São PauloSábado 01/08Tiago Iorc, turnê Troco Likes 10 AnosA noite que abre a turnê dos dez anos de Troco Likes, o disco em que Tiago Iorc passou a compor em português e mudou de tamanho; show às 22h no Espaço Unimed.Espaço Unimed · São PauloDomingo 02/08Tristão e Isolda, de WagnerÚltima récita da montagem de Allex Aguilera para a ópera em que Wagner leva amor e morte ao limite, aberta pelo célebre acorde de Tristão, com a Sinfônica Municipal regida por Roberto Minczuk, às 17h.Theatro Municipal de São Paulo · São PauloSegunda 03/08Atlântico Sertão, último diaSegunda-feira é a despedida da mostra gratuita que reúne mais de 70 artistas por todos os andares do prédio histórico para pensar o sertão como território de resistência; das 9h às 20h.CCBB São Paulo · São PauloTerça 04/08Toda Terça um JazzO projeto que ocupa as terças do clube de clima New Orleans em Moema com artistas da cena independente relendo lendas da música; sessão única às 20h.Bourbon Street Music Club · São PauloQuarta 05/08Marcelo Cigano convida Sébastien Giniaux TrioO acordeom de Marcelo Cigano encontra a guitarra do francês Sébastien Giniaux para cruzar o jazz manouche de Django Reinhardt com a música dos Bálcãs, às 20h.Blue Note São Paulo · São PauloQuinta 06/08Osesp toca Gershwin e RachmaninovA regente búlgara Delyana Lazarova volta à Osesp para uma noite de grandes melodistas do século 20: o Concerto em Fá de Gershwin com a pianista Joyce Yang e a Sinfonia nº 2 de Rachmaninov, às 20h.Sala São Paulo · São Paulo
FOYER · A REVISTA · Nº 23630 Jul 2026
Sete dias pela frente

A semana em cartazRio de Janeiro

FOYER · A REVISTA · Nº 23730 Jul 2026
Entre mestresA arte pela palavra
A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida.
Oscar Wilde
No ensaio "A Decadência da Mentira", 1889
FOYER · A REVISTA · Nº 23830 Jul 2026
ExpedienteNº 2
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FOYER · A REVISTA · Nº 23930 Jul 2026
Fechamos esta edição. A cortina desce.
“Ame a arte em você, e não você na arte.”
Constantin Stanislavski
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