Romance que virou filme com Jennifer Lawrence e Robert Pattinson ganha versão teatral com Mariana Santos
Adaptado pela própria autora, Ariana Harwicz, "Morra, Amor" chega ao Brasil como solo dirigido por Victor Garcia Peralta. A peça acompanha uma escritora isolada no interior da França em plena crise existencial.
Uma escritora se muda com o marido e o filho bebê para uma região rural isolada da França, e a nova rotina derruba de uma vez os ideais românticos de casamento e maternidade. Em vez de se ajustar às expectativas, ela assume a desconexão com o mundo ao redor e adota o humor e o sarcasmo como linguagem. É esse o ponto de partida de "Morra, Amor", solo de Mariana Santos com direção de Victor Garcia Peralta.
O espetáculo adapta o romance de estreia da argentina Ariana Harwicz, publicado em 2012 e convertido em peça pela própria autora. A obra já ganhou versões teatrais na Argentina e em Israel, foi indicada ao Booker International Prize e chegou ao cinema em adaptação com Jennifer Lawrence e Robert Pattinson. No Brasil, o livro saiu pela editora Instante, com tradução de Francesca Angiolillo.
Uma peça feita de pensamento
A estrutura é o que define a montagem. Boa parte do texto se passa dentro da cabeça da protagonista, e é dali que vem a comédia ácida.
"Acho muito instigante e me fascina falar da crise dessa mulher a partir do seu pensamento", explica Victor Garcia Peralta. "A peça propõe entrar dentro da cabeça da protagonista, enxergar o seu ponto de vista sobre a situação. É o ponto de vista de uma mulher questionando os mandatos e imposições da sociedade."
O diretor destaca ainda uma camada pouco comentada da obra. "Outro aspecto que me chama atenção é o fato dela ser estrangeira. Ela é uma estrangeira na França. Por causa da maternidade, foi morar onde o marido decidiu, mesmo questionando. Então, ela enfrenta mais essa dificuldade, a cultura dos outros é diferente, por mais que não pareça."
Para além da desmistificação do casamento e da maternidade, a montagem trata do esforço de se manter viva e desejante diante de uma sociedade que oprime as individualidades em nome de uma vida padrão. A personagem recusa o que lhe é imposto e dá vazão aos próprios impulsos, mesmo que isso custe a desorganização completa de sua vida formal.
Da argentina mais disruptiva ao palco brasileiro
Nascida em Buenos Aires em 1977, Ariana Harwicz é considerada pela crítica internacional uma das vozes mais singulares da literatura argentina contemporânea. É autora de cinco romances, entre eles "A Atrasada Mental" e "Precoce", reunidos com "Morra, Amor" no volume "Trilogia da Paixão".
Victor Garcia Peralta se formou no Piccolo Teatro di Milano, sob direção de Giorgio Strehler, e dirigiu no Brasil montagens como "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?", "Tebas Land" e "Os Homens São de Marte, e É pra Lá que Eu Vou". Mariana Santos ficou conhecida pelo "Zorra Total" e atuou em novelas como "Pega Pega", "Elas por Elas" e "Mania de Você".
A produção é de Rodrigo Velloni, com direção musical de Nigga, iluminação de Maneco Quinderé, cenário de Aurora dos Campos e figurino de Karen Brusttolin.
Serviço
Morra, Amor
Texto e adaptação: Ariana Harwicz.
Direção: Victor Garcia Peralta.
Com Mariana Santos
Produção: Velloni Produções Artísticas Baseado no romance publicado no Brasil pela editora Instante, com tradução de Francesca Angiolillo Local.
ESTREIA: dia 09 de outubro (6ªf), às 20h
ONDE: Teatro TotalEnergies – Sala Adolpho Bloch
Rua do Russel, 804, no bairro da Glória, Rio de Janeiro
HORÁRIOS: sextas e sábados às 20h, domingos às 18h / INGRESSOS: sextas R$120 (inteira), R$60 (meia), sábados e domingos R$120 (inteira), R$60 (meia) em https://www.ingresso.com/evento/morra-amor ou na bilheteria de 3ªf a sab das 12h às 20h; dom das 12h às 19h / ACESSIBILIDADE: ambiente acessível para PcD, tradução em libras, audiodescrição e legendagem / CAPACIDADE: 359 espectadores / DURAÇÃO: 70 min / GÊNERO: comédia ácida / CLASSIFICAÇÃO: 14 anos / TEMPORADA: até 29 de novembro
