Roteirista britânica Alice Birch, tem primeiro texto encenado no Brasil
A Verve Cia estreia "Revolte-se. Ela disse. Revolte-se de novo.", da britânica Alice Birch, com direção de Fernando Vilela, no Teatro do Núcleo Experimental, de 3 de novembro a 2 de dezembro, às terças e quartas, às 20h.
O público brasileiro já conhece a escrita de Alice Birch pelo cinema e pela televisão, de “Normal People” a “Lady Macbeth” e a “Die My Love”, dirigido por Lynne Ramsay com Jennifer Lawrence e Robert Pattinson.
Nenhum texto teatral dela, no entanto, havia sido montado no Brasil. Isso muda com “Revolte-se. Ela disse. Revolte-se de novo.”, que a Verve Cia estreia em 3 de novembro no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda.
A tradução e a direção são de Fernando Vilela. A temporada vai até 2 de dezembro, com sessões às terças e quartas, às 20h, para plateias de 90 pessoas. Os ingressos custam R$ 100 e R$ 50 (meia).
Uma peça que não resolve, acumula
O espetáculo não se organiza a partir de narrativa linear. Em lugar disso, desafia a linguagem por meio de uma sequência de ações intensas e interligadas que desmontam o sexo, o casamento, o trabalho, o corpo e a família, tensionando as forças que moldam a existência das mulheres.
É essa estrutura que o diretor aponta como razão para montar o texto agora. “Na dramaturgia de Birch, as repetições e sobreposições, sem um fechamento imediato, refletem uma ideia central de não haver resolução, e sim acúmulo”, diz Fernando Vilela. “Essa lógica dramatúrgica encontra um espelho inquietante na realidade brasileira contemporânea, onde as violências de gênero deixaram de ser exceções isoladas e se manifestam como padrões que atravessam instituições, discursos e corpos.”
A autora trata tanto das formas explícitas de violência, física e emocional, quanto dos mecanismos sutis e sistemáticos que mantêm essas dinâmicas funcionando. O texto dialoga com diferentes ondas do feminismo, de pautas históricas ligadas a direitos civis a debates contemporâneos sobre interseccionalidade e justiça social.
O elenco reúne Ariel Rodrigues, Dani Aoki, Fernanda Paixão, Filipe Augusto, Giovanna Ueda, Júlia Caterina e Malú Lomando, que também assina a preparação vocal. A luz é de Gabryel Matos, e a direção de arte, do próprio diretor.
Quem é Alice Birch
Nascida no Reino Unido, Birch ganhou reconhecimento no teatro com “Anatomy of a Suicide”, de 2017, que lhe rendeu o British Critics' Circle Theatre Award de melhor nova peça. Escreveu também “We Want You to Watch”, “Ophelias Zimmer” e “Romans: A Novel”, trabalhos marcados por estruturas pouco convencionais e por uma abordagem crítica de gênero e poder.
No audiovisual, assinou o roteiro de “Lady Macbeth”, de 2016, que revisita o arquétipo da mulher trágica em perspectiva feminista, e de “Mothering Sunday” e “The Wonder”. Escreveu para a série “Normal People” e criou “Dead Ringers”, com Rachel Weisz. “Die My Love” adapta o romance da argentina Ariana Harwicz, o mesmo livro que chega aos palcos brasileiros em versão teatral com Mariana Santos.
A Verve Cia atua desde 2018 e tem como eixos de pesquisa a violência em seus diversos recortes, questões identitárias e problemas sociais, além da investigação de linguagem.
Serviço
Revolte-se. Ela disse. Revolte-se de novo.
Teatro do Núcleo Experimental, Rua Barra Funda, 637, Barra Funda, São Paulo
De 3 de novembro a 2 de dezembro de 2026, às terças e quartas, às 20h
Ingressos: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia), pela Sympla Duração: 100 minutos.
Classificação: 16 anos.
Capacidade: 90 lugares
Texto: Alice Birch.
Tradução e direção: Fernando Vilela Com Ariel Rodrigues, Dani Aoki, Fernanda Paixão, Filipe Augusto, Giovanna Ueda, Júlia Caterina e Malú Lomando
Luz: Gabryel Matos.
Preparação vocal: Malú Lomando
Realização: Verve Cia
Se você ou alguém que você conhece está em uma situação de violência, a Central de Atendimento à Mulher atende gratuitamente pelo telefone 180, 24 horas por dia.
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