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Teatro Foyer

Aline Fanju estreia em São Paulo com “Paixão Simples”, adaptação de Annie Ernaux

Aline Fanju estreia em São Paulo com “Paixão Simples”, adaptação de Annie Ernaux
Foto: Lia Maciel

Primeiro monólogo da atriz chega ao Sesc Santana em agosto, com direção e dramaturgia de Alessandra Colasanti

A atriz Aline Fanju estreia em São Paulo seu primeiro monólogo, “Paixão Simples”, inspirado no romance homônimo de Annie Ernaux, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2022. A temporada acontece no Sesc Santana, de 28 de agosto a 3 de outubro, com sessões às sextas, sábados e domingos.

Com direção e dramaturgia de Alessandra Colasanti e idealização de Pablo Sanábio, o espetáculo leva ao palco a escrita direta e cortante de Ernaux para acompanhar uma mulher tomada por uma paixão avassaladora por um homem estrangeiro, casado, cujo nome nunca é revelado.

A montagem marca a primeira adaptação brasileira de uma obra literária de Annie Ernaux. Publicado originalmente na França em 1991, “Paixão simples” foi lançado no Brasil pela Fósforo, em tradução de Marília Garcia.

No livro, Ernaux transforma uma experiência íntima em matéria literária: durante meses, a narradora organiza a própria vida em torno da espera por encontros com o homem amado. Tudo passa a existir em função dessa ausência e da possibilidade do reencontro. A paixão, aqui, não aparece como ideal romântico, mas como estado de suspensão, obsessão e perda de contorno.

A peça parte dessa mesma radicalidade. Em cena, Aline Fanju interpreta uma mulher que tenta narrar aquilo que viveu sem pedir desculpas pelo desejo, pela exposição ou pela intensidade. O relato é íntimo, mas não fechado em si mesmo. Ao falar de uma paixão específica, o espetáculo encosta em algo mais amplo: a forma como mulheres foram historicamente ensinadas a esperar, justificar, desejar em silêncio ou transformar o amor em tarefa.

“‘Paixão Simples’ é sobre o feminino em sua totalidade. Não é só a história da Annie, personagem do livro, não se resume à experiência individual de uma mulher específica. É sobre uma espera que atravessa os séculos”, afirma Alessandra Colasanti.

A encenação, segundo a diretora, busca ampliar o caráter íntimo da obra sem perder sua força literária. O texto de Ernaux é conhecido pela economia, pela precisão e pela recusa do excesso sentimental. No palco, essa secura ganha corpo, voz, imagem e presença. A escrita deixa de ser apenas memória e se transforma em acontecimento diante do público.

Aline Fanju chega ao solo após uma trajetória no teatro, no cinema e na televisão. Recentemente, interpretou a delegada Marise na novela “Três Graças”, da Globo. No teatro, esteve em montagens como “Razão pra Ser Bonita”, “Pão com Mortadela”, “Decadência”, “Tremores Ligeiros” e “Ponto de Fuga”.

Em “Paixão Simples”, a atriz assume sozinha a condução de uma narrativa em que desejo, espera e escrita se confundem. A personagem não tenta transformar a paixão em lição moral. Ela observa o que aconteceu, revive o que sentiu e expõe a experiência com uma honestidade que pode ser desconfortável justamente por não se proteger da contradição.

O interesse recente de novas gerações por Annie Ernaux também ajuda a reposicionar a obra. Depois do Nobel, seus livros circularam com força entre leitores jovens e ganharam novo fôlego nas redes sociais, especialmente pela maneira como a autora aproxima autobiografia, classe, gênero, desejo e memória sem transformar a vida íntima em confissão domesticada.

Em “Paixão Simples”, esse procedimento aparece de forma especialmente intensa. A narradora escreve sobre uma paixão unilateral sem tentar parecer melhor, mais lúcida ou mais forte do que foi. O que importa não é construir uma personagem admirável, mas dar forma a uma experiência muitas vezes tratada como fraqueza: a de alguém que se vê tomada por um desejo que reorganiza o tempo, o corpo e a percepção de si.

A temporada paulistana no Sesc Santana acontece depois da estreia do espetáculo no Rio de Janeiro, em 2025. Para São Paulo, a montagem chega com uma equipe artística que reúne Bianca Joy na direção assistente, Aurora dos Campos na cenografia, Preta Marques no figurino, Lina Kaplan na iluminação, Carol Mathias na direção musical, Zoe Guglielmoni na direção de vídeo e projeções e Priscila Maia na direção de movimento.

Mais do que adaptar um livro de prestígio, “Paixão Simples” coloca no centro uma pergunta que atravessa a obra de Ernaux: o que acontece quando a escrita encara, sem ornamento, aquilo que muita gente prefere esconder? No palco, a resposta vem pelo corpo de uma atriz diante do público, sustentando a intimidade não como segredo, mas como matéria teatral.

Sinopse

“Paixão Simples” traz Aline Fanju em seu primeiro monólogo, no papel de uma mulher que relata sua paixão e sua espera por um homem estrangeiro, casado, cujo nome nunca é revelado. A partir do romance de Annie Ernaux, o espetáculo acompanha uma experiência de desejo avassalador e unilateral, transformando um episódio íntimo em reflexão sobre amor, expectativa, ausência e perda.

Serviço

Paixão Simples
Baseado no livro de: Annie Ernaux
Com: Aline Fanju
Idealização: Pablo Sanábio
Direção e dramaturgia: Alessandra Colasanti
Tradução: Marília Garcia

Temporada: de 28 de agosto a 3 de outubro de 2026
Local: Sesc Santana
Endereço: Avenida Luiz Dumont Villares, 579 — Santana, São Paulo — SP

Sessões:
Sextas e sábados, às 20h
Domingos, às 18h

Sessões extras:
7 de setembro, segunda-feira, às 18h
25 de setembro, sexta-feira, às 15h
2 de outubro, sexta-feira, às 15h

Ingressos: R$ 60 inteira | R$ 30 meia-entrada | R$ 18 credencial plena
Vendas: online pelo site do Sesc SP e presencialmente nas bilheterias das unidades do Sesc São Paulo
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
Capacidade: 330 lugares
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Ficha técnica

Baseada na obra de: Annie Ernaux
Com: Aline Fanju
Idealização: Pablo Sanábio
Direção e dramaturgia: Alessandra Colasanti
Direção assistente: Bianca Joy
Tradução: Marília Garcia
Direção de produção: Roberta Dias / Caroteno Produções
Produção executiva: Marcella Castilho
Cenografia: Aurora dos Campos
Assistente de cenografia: Rachel Merlino
Cenotécnico: Marquinhos
Contrarregras: Bruno Cavalcanti e Bruno Laurino
Figurino: Preta Marques
Iluminação: Lina Kaplan
Operação de luz: Maurício Medeiros Shirakawa
Trilha sonora: Alessandra Colasanti e Carol Mathias
Direção musical: Carol Mathias
Operação de som: Chico Beltrão
Operação de vídeo: Rodrigo Fonseca
Direção de vídeo e projeções: Zoe Guglielmoni
Pesquisa criativa e edição de vídeo: Octávio Tavares
Criação de conteúdo de projeções e mapping: Helô Duran
Direção de movimento: Priscila Maia
Design gráfico: Pedro Colombo
Fotografia de cena: Lia Maciel
Fotografia de estúdio: Elisa Maciel
Cinematografia: Chamon Audiovisuais
Produtores associados: Aline Fanju, Pablo Sanábio e Roberta Dias
Realização: Fanju Produções Artísticas

TeatroIsabel Branquinha

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