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Peça que recria o caso David Reimer volta a São Paulo em temporada gratuita

Com texto de Franz Keppler e direção de Yara de Novaes e Carlos Gradim, "Brian ou Brenda?" reestreia em 5 de novembro no Teatro João Caetano e fica até o dia 22.

Peça que recria o caso David Reimer volta a São Paulo em temporada gratuita
Foto: Heloisa Bortz

Os sete atores em cena têm origens, corpos e identidades de gênero diferentes, e a entrada é gratuita.

No palco há sete intérpretes com trajetórias, corpos e identidades distintas. Em cena, eles contam a história de alguém que passou boa parte da vida tendo a própria identidade determinada por outras pessoas. A coincidência é deliberada.

“Brian ou Brenda?” reestreia em São Paulo de 5 a 22 de novembro, no Teatro João Caetano, na Vila Clementino, de quinta a sábado às 20h e domingo às 19h. A entrada é gratuita, com retirada prévia de ingressos. O texto é de Franz Keppler, com direção de Yara de Novaes e Carlos Gradim, e o elenco reúne Anderson Müller, Daniel Tavares, Einat Falbel, Fábia Mirassos, Jui Huang, Paula Cancian e Paulo Campos.

O caso que a peça usa como ponto de partida

A trama se passa a partir de 1965, quando nascem os gêmeos Brian e Bruce. Aos oito meses, os dois passam por uma cirurgia de fimose, e durante o procedimento o pênis de Brian é acidentalmente cauterizado. Os pais procuram o psiquiatra John Money, que defendia a tese de que bebês nasceriam neutros e teriam o gênero definido pela criação. Ele aconselha a família a submeter Brian a uma cirurgia de redesignação sexual e a criá-lo como menina.

A criança passa a ser chamada de Brenda e cresce infeliz em um corpo que não reconhece como seu. Ainda na adolescência, tenta tirar a própria vida. Os pais decidem contar a verdade, e ela parte em busca da identidade que nunca havia deixado de ter. Anos depois, assume o nome de David Reimer.

Ficção, e não reconstituição

O diretor de produção faz uma distinção que organiza o espetáculo. “O caso real é muito importante para nós, mas ele é o ponto de partida para uma obra de ficção. O que precisava ser rigoroso eram os acontecimentos fundamentais e, principalmente, as questões que esse caso coloca”, explica Kiko Rieser.

Segundo ele, o equilíbrio era necessário. “Se ficássemos apenas na reconstituição dos fatos, corríamos o risco de fazer uma espécie de reportagem sobre uma história que é muito mais complexa.”

Rieser também afirma que houve cuidado para que a montagem não seja lida como conclusão simplista sobre transgeneridade. “O problema não é alguém querer modificar o próprio corpo ou fazer uma transição. O problema é ter essa decisão tomada por outra pessoa, quando você ainda não pode escolher. É uma diferença fundamental, e acho que a peça deixa isso bastante claro”, diz.

Um caso disputado por lados opostos

Conhecido como um dos episódios mais polêmicos da história da psiquiatria, o caso é usado por pesquisadores e instituições de vários países para alimentar a discussão sobre identidade de gênero, e serve a argumentos opostos.

Grupos conservadores o apresentam como exemplo de que uma pessoa nascida biologicamente com o sexo masculino sempre se identificará como homem. Teóricos de gênero sustentam que o sofrimento causado pela tentativa de impor uma identidade a David é o mesmo que atravessa a vida de pessoas transgêneras em sociedades que tentam impor seus padrões.

Por que o elenco é assim

A diversidade em cena não foi tratada como questão apenas de representatividade. “Você tem no palco pessoas com corpos, origens e experiências muito diferentes”, observa Kiko Rieser, “e você está contando, ao mesmo tempo, uma história sobre uma pessoa que passou boa parte da vida tendo sua identidade determinada pelos outros”. O elenco inclui uma atriz trans, um ator negro, um ator de origem asiática e uma atriz com deficiência.

Em cartaz desde 2019, o espetáculo foi indicado ao Prêmio Aplauso Brasil na categoria figurino e recebeu menções do site Observatório do Teatro e do blog e-urbanidade como destaque do ano em categorias como espetáculo, dramaturgia, direção e elenco. Em 2022 circulou pelo interior paulista e por centros culturais da capital, e em 2024 passou pelos teatros Itália, Alfredo Mesquita, Paulo Eiró e Arthur Azevedo, além do projeto Viagem Teatral do Sesi.

Serviço

Brian ou Brenda? Teatro João Caetano, Rua Borges Lagoa, 650, Vila Clementino, São Paulo
De 5 a 22 de novembro de 2026 Quinta a sábado, às 20h. Domingo, às 19h Entrada gratuita, com retirada prévia de ingressos
Duração: 80 minutos.
Classificação: 14 anos Texto: Franz Keppler. Direção: Yara de Novaes e Carlos Gradim
Com Anderson Müller, Daniel Tavares, Einat Falbel, Fábia Mirassos, Jui Huang, Paula Cancian e Paulo Campos
Cenário: André Cortez.
Figurino: Cassio Brasil.
Iluminação: Aline Santini.
Trilha sonora: Morris
Direção de produção: Kiko Rieser.
Realização: Rieser Produções Artísticas
Patrocínio: TozziniFreire Advogados, por meio da Lei de Incentivo à Cultura

Se você ou alguém que você conhece precisa de apoio emocional, o Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente, 24 horas por dia, pelo telefone 188 e pelo site cvv.org.br.

TeatroIsabel Branquinha
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