“Minha Melhor Amiga” passa dos R$ 100 milhões, a maior comédia brasileira desde a pandemia
Em seis semanas, a comédia de Susana Garcia com Mônica Martelli e Ingrid Guimarães levou 5,62 milhões de pessoas ao cinema; a diretora já tinha feito “Minha Mãe É uma Peça 3”, e a continuação já tem ano para filmar
“Minha Melhor Amiga” passou dos R$ 100 milhões. O levantamento da Rentrak divulgado em 13 de outubro soma R$ 100,46 milhões de bilheteria e 5,62 milhões de espectadores desde a estreia, em 3 de setembro. Em seis semanas, a comédia de Susana Garcia virou a maior bilheteria de uma comédia brasileira desde a pandemia, à frente de “O Auto da Compadecida 2”, que levou cerca de 4,35 milhões de pessoas ao cinema a partir de dezembro de 2024.
O número tem uma particularidade. Dividir a receita pelo público é conta desta redação, e ela dá R$ 17,88 por ingresso: o filme ganhou na quantidade de gente, com preço médio baixo, e não no ingresso caro das salas especiais. É o perfil do sucesso de comédia popular no Brasil, e é um perfil que a diretora conhece de perto.
A diretora que já tinha feito isso
Susana Garcia é médica de formação, irmã de Mônica Martelli e a mulher por trás de “Minha Mãe É uma Peça 3”, lançado em 26 de dezembro de 2019 com Paulo Gustavo. Aquele filme custou R$ 8 milhões e arrecadou cerca de R$ 143,9 milhões, e está em quarto lugar entre os filmes brasileiros mais vistos da história, no ranking da Ancine que a Gazeta do Povo recuperou ao analisar o fenômeno de agora. Antes dele, Garcia tinha dirigido “Minha Vida em Marte” (2018), com a própria Martelli, premiado como melhor comédia no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2019. Depois veio “Minha Irmã e Eu” (2023). Três filmes, três vezes acima de 5 milhões de espectadores.
“Minha Melhor Amiga” repete o método. Martelli é Julia, jornalista divorciada que se sente desvalorizada no trabalho; Ingrid Guimarães é Clara, corretora de imóveis com o casamento em crise. As duas passam dos 50 e, quando as filhas de 16 anos, vividas por Giulia Benite e Gabi Amaral, partem para um intercâmbio em Portugal, resolvem sair da rotina. A viagem não sai como o planejado. A produção é da Paris Entretenimento, de Marcio Fraccaroli, André Fraccaroli e Veronica Stumpf, e a distribuição, da Paris Filmes.
A crítica não foi unânime. A divergência diz algo sobre o público. Na Folha de S.Paulo, Lúcia Monteiro achou a experiência “bastante agradável”, elogiou o entrosamento das atrizes e apontou uma contradição: o roteiro fala em empoderamento depois dos 50, mas arranjar um par continua sendo um objetivo central das personagens. No AdoroCinema, Aline Pereira leu o filme como uma história sobre vencer o medo, do envelhecimento à solidão, e viu na amizade uma alternativa à ideia de que a realização afetiva passa por um romance. Para ela, o filme parece quase improvisado, e isso faz parte do charme.
Seis semanas de fôlego
O caminho até os R$ 100 milhões foi menos uma explosão que uma escada. A estreia, em 1.531 salas de 436 cidades, rendeu R$ 11,4 milhões e 461,8 mil espectadores de quinta a domingo, a melhor abertura de um filme brasileiro em 2026, e tirou “Homem-Aranha: Um Novo Dia” da liderança depois de cinco semanas. O feriado de 7 de setembro empurrou a marca para 700 mil pessoas em menos de uma semana.
Dali em diante, a escada subiu um degrau por semana. Em duas semanas eram 3,12 milhões de ingressos; em três, 4,37 milhões, quando a comédia ultrapassou “O Auto da Compadecida 2”; em quatro, 5 milhões. O primeiro fim de semana responde por pouco mais de 8% de tudo o que o filme vendeu até aqui. O resto veio depois. E veio, na maior parte das semanas, sem feriado para ajudar.
O feriado de outubro deu o empurrão final. De quinta (8) a domingo (11), “Minha Melhor Amiga” foi o segundo filme mais visto do país, com R$ 5,66 milhões e 233 mil ingressos, atrás só de “Verity”, a adaptação do romance de Colleen Hoover, que liderou a semana. “Outra Mamãe”, o terror com Jessica Chastain, estreou em terceiro, e “Se Eu Fosse Você 3”, com Glória Pires e Tony Ramos, ficou em quinto: dois filmes brasileiros no top 5 do mesmo fim de semana. Na segunda-feira de feriado, 12 de outubro, a bilheteria nacional superou a de qualquer dia do fim de semana, puxada pelos filmes infantis, segundo o Filme B. Foi essa segunda que levou a comédia para além dos R$ 100 milhões.
Os números são da Rentrak, que mede a bilheteria dia a dia. A Ancine publica depois os dados oficiais consolidados, e foi ela que registrou os 3 milhões de espectadores em 18 de setembro.
A continuação já tem ano
Marcio Fraccaroli, presidente da Paris Filmes, já decidiu o que vem depois. “Tomamos a decisão, com a Susana, a Mônica e a Ingrid, de empurrar ‘Os Homens São de Marte’ para depois e filmar primeiro ‘Minha Melhor Amiga 2’ no ano que vem”, disse ele ao Filme B. A história, segundo o produtor, vai se inspirar nas viagens de Ingrid Guimarães e Mônica Martelli com as filhas, e ainda não tem um recorte definido. “Os Homens São de Marte”, a continuação de outro sucesso da casa, ficou para 2028.
Falta saber até onde o filme vai. A marca seguinte é a da própria diretora: os R$ 143,9 milhões de “Minha Mãe É uma Peça 3” estão a pouco mais de R$ 43 milhões de distância, e o calendário de novembro, sem feriado e com “Verity” na frente, vai mostrar se a comédia ainda tem semanas de fôlego pela frente.