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Uma visita que a história de São Paulo resumiu em um parágrafo virou peça no Sesc Santana

"Sarah Bernhardt em São Paulo", de Samir Yazbek e com direção de Ulysses Cruz, estreia em 16 de outubro e fica até 22 de novembro.

Uma visita que a história de São Paulo resumiu em um parágrafo virou peça no Sesc Santana
Foto: Ronaldo Gutierrez

A montagem traz Arietha Corrêa de volta aos palcos depois de sete anos e tem participação especial de Bárbara Bruno.

Quando a atriz francesa Sarah Bernhardt passou por São Paulo, em 1886, a cidade era uma província de 60 mil habitantes e faltavam dois anos para a abolição oficial da escravatura. O que aconteceu ali é pouco documentado. Ulysses Cruz conta que Roberto Pompeu de Toledo, em “A Capital da Solidão”, dedica pouco mais de um parágrafo ao episódio.

“Samir Yazbek preencheu com imaginação os encontros da atriz com seus fãs, então estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, além de outras personagens, revelando o choque de culturas e um encontro de mundos”, diz o diretor. “A França sofisticada de Sarah Bernhardt se depara com o Brasil em transformação, em um momento de efervescência cultural e política.”

“Sarah Bernhardt em São Paulo” tem estreia nacional em 16 de outubro no Sesc Santana e fica em cartaz até 22 de novembro, com sessões às sextas e sábados, às 20h, e domingos e feriados, às 18h. São 24 sessões no total, e os ingressos custam R$ 60, R$ 30 e R$ 18.

Personagens que homenageiam, sem biografar

A peça parte da relação da atriz com os estudantes da então Academia de Direito de São Paulo e trata da importância do teatro na sociedade, dos contrastes entre Brasil e França, do racismo e do preconceito contra a mulher.

Entre os personagens estão José Menezes, estudante de Direito e aspirante a dramaturgo que tenta escrever uma peça sobre Luiz Gama, e Francisco da Conceição, estudante e aspirante a ator, filho de cafeicultores, que se aproxima de Sarah interessado em ajuda para expandir os negócios do pai no mercado estrangeiro. Aparecem ainda a pintora Louise Abbéma, o promotor e abolicionista Antônio Bento, os estudantes Florêncio de Abreu, José Bonifácio e Venceslau Brás, e a advogada piauiense Esperança Garcia.

A produção faz questão de registrar que todas as personagens homenageiam figuras históricas do Brasil e da França sem serem fiéis às suas biografias. A ressalva importa, porque alguns desses nomes não coincidem com a cronologia de 1886.

Os ideais de Luiz Gama, advogado, jornalista e poeta morto em 1882, influenciavam os estudantes daquela geração, e ele é uma das principais inspirações do texto.

O teatro francês de um lado, o realismo brasileiro nascente do outro

Na passagem pelo Brasil, Bernhardt apresentou peças como “A Dama das Camélias”, de Alexandre Dumas, e “Fedra”, de Racine. O espetáculo contrapõe essa tradição clássica e romântica francesa ao teatro realista que começava a se formar no Brasil, num período marcado pela efervescência do movimento abolicionista.

“Quando o diretor Ulysses Cruz me contou sobre a visita da atriz Sarah Bernhardt a São Paulo, logo notei que essa história, tão pouco conhecida dos brasileiros, possibilitava um mergulho em temas que marcaram a nossa formação e que continuam ecoando em nossa sociedade”, diz Samir Yazbek.

A dupla retoma a parceria iniciada em “Perfeita!”, espetáculo de ficção científica de 2024, e traz de volta parte da equipe de criação daquele trabalho, como a iluminadora Aline Santini, a figurinista e visagista Jal Vieira e os compositores Irmãos Lessa.

O retorno de Arietha Corrêa

A montagem marca o primeiro encontro de Arietha Corrêa, Ulysses Cruz e Samir Yazbek no teatro. Os três trabalharam, em momentos distintos, com Antunes Filho no Centro de Pesquisas Teatrais do Sesc São Paulo.

Desde a morte do diretor, em 2019, a atriz não havia se interessado por nenhuma obra a ponto de querer voltar aos palcos. “Sarah Bernhardt em São Paulo veio ao encontro de um propósito maior em minha alma, que é uma peça sobre teatro e sobre uma personalidade ímpar, uma mulher à frente de seu tempo, independente, versátil, empreendedora e forte”, declara Arietha Corrêa.

O elenco reúne Daniel Haidar, Jorge Neto e Gabriela Correa, além de quatro jovens egressos da Escola Superior de Artes Célia Helena, Flávio Passos, Gabriel Amaral, Gabriel Frossard e Henrique Fredel. Bárbara Bruno faz participação especial como Louise Abbéma.

Serviço

Sarah Bernhardt em São Paulo Sesc Santana, Avenida Luiz Dumont Villares, 579, Santana, São Paulo
De 16 de outubro a 22 de novembro de 2026, com 24 sessões Sextas e sábados, às 20h.
Domingos e feriados, às 18h
Sessões extras às 15h em 23 e 30 de outubro, 6 e 13 de novembro, sextas-feiras, e em 12 de novembro, quinta-feira Ingressos: R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia) e R$ 18 (credencial plena)
Classificação: 12 anos Audiodescrição disponível de 23 de outubro a 22 de novembro
Texto: Samir Yazbek.
Direção artística e espaço cênico: Ulysses Cruz
Direção assistente e de movimento: Leonardo Bertholini
Com Arietha Corrêa, Daniel Haidar, Jorge Neto, Gabriela Correa, Flávio Passos, Gabriel Amaral, Gabriel Frossard e Henrique Fredel, e participação especial de Bárbara Bruno
Iluminação: Aline Santini.
Figurino e visagismo: Jal Vieira.
Trilha original: Irmãos Lessa
Realização: Sesc São Paulo

TeatroIsabel Branquinha
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