Parlapatões comemora 35 anos com um Arlequim brasileiro que faz jornada dupla para comer
Dirigido por Hugo Possolo, que também vive o protagonista, "Arlequim, Servidor de Dois Patrões" estreia em 2 de outubro no Sesc Bom Retiro e fica em cartaz até 15 de novembro.
Um criado esperto se desdobra entre dois patrões para garantir um prato de comida. A situação é do século 18, mas soa familiar. É nessa chave que o grupo Parlapatões celebra seus 35 anos com "Arlequim, Servidor de Dois Patrões", releitura do clássico de Carlo Goldoni que estreia em 2 de outubro no teatro do Sesc Bom Retiro e segue até 15 de novembro, às sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 18h. Os ingressos custam R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia) e R$ 18 (credencial plena).
Hugo Possolo assina a adaptação e a direção, e vive o protagonista. O elenco tradicional do grupo, com Alexandre Bamba, Camila Turim, Henrique Stroeter e Tadeu Pinheiro, ganha reforço de Rachel Ripani, Jéssica Turbiani e Robert Gomez, entre outros.
A fome como tema abandonado
"Escolhemos essa peça porque ela é celebrativa, popular e porque trata de um tema que parece que as pessoas abandonaram: que é a fome", afirma Possolo. "O teatro é político e é completamente brincalhão, sem ficar na lamúria, mas valorizando o que a pobreza tem de inteligência para sobreviver, que é a principal característica do Arlequim."
O diretor associa a trama original ao presente. "Ele é o cara que sobrevive com a famosa jornada dupla, que hoje a gente conhece tão bem, algo que antes era antiético, mas hoje é normal para as pessoas", diz.
Na história, Arlequim serve a Beatriz, disfarçada do irmão morto em uma briga, e a Florindo, suposto assassino dele e namorado dela. As confusões nascem das ordens misturadas e das tentativas do criado de fazer ao menos uma refeição.
Fuxico no lugar do bordado, maquiagem no lugar das máscaras
A montagem parte da Commedia dell'Arte sem reproduzir sua estrutura histórica. Mantém o improviso e a ideia do arquétipo, mas mistura tudo a uma visão contemporânea e brasileira, na narrativa e na estética.
Sem deslocar a trama de sua época e de seu lugar original, os Parlapatões recorrem à palhaçaria, a acrobacias e à música, com composições originais de Alexandre Dalóia. As máscaras dão lugar à maquiagem, a renda e o bordado cedem espaço ao fuxico e a cores vibrantes, em clima festivo e circense. Objetos populares, religiosos, artes visuais e pontos turísticos aparecem no cenário e no figurino, numa adaptação que o grupo define como antropofagicamente abrasileirada.
Fundado em 1991, o Parlapatões soma 71 espetáculos produzidos, além de mostras, eventos e festivais, com trabalho voltado à palhaçaria e ao teatro de rua e popular. O Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt, completa 20 anos em 2026. A temporada se junta também às comemorações dos 80 anos do Sesc.
Serviço
Arlequim, Servidor de Dois Patrões Sesc Bom Retiro, Alameda Nothmann, 185, Campos Elíseos, São Paulo
De 2 de outubro a 15 de novembro de 2026, exceto nos dias 4 e 25 de outubro Sextas e sábados às 20h, domingos às 18h. Sessão extra em 6 de novembro, às 15h
Ingressos: R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia) e R$ 18 (credencial plena), na bilheteria das unidades, no aplicativo
Credencial Sesc SP ou no site do Sesc
Duração: 90 minutos.
Classificação: 10 anos
Audiodescrição em 7 de novembro e Libras em 8 de novembro Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Texto: Carlo Goldoni.
Adaptação e direção: Hugo Possolo. Direção musical: Alexandre Dalóia



