“Ninguém Quer” é uma história real? O romance que inspirou a série
Erin Foster partiu da relação com o marido, Simon Tikhman, para criar a comédia com Kristen Bell e Adam Brody
A resposta é sim, mas com uma ressalva: “Ninguém Quer” foi inspirada num relacionamento real, não concebida como uma reprodução fiel dele.
A criadora Erin Foster usou experiências de sua vida amorosa e da relação com o marido, Simon Tikhman, para desenvolver a comédia da Netflix. Na tela, Kristen Bell interpreta Joanne, uma apresentadora de podcast agnóstica que se apaixona por Noah, rabino vivido por Adam Brody.
O ponto de aproximação está no encontro entre pessoas com referências diferentes e nas negociações necessárias para construir uma vida em comum.
Em conversas divulgadas pela Netflix, Foster relacionou a série a uma mudança em sua própria maneira de escrever. Durante anos, experiências amorosas frustradas haviam servido de material para a comédia. Encontrar uma parceria estável exigiu descobrir conflitos que não dependessem apenas de traição, mentira ou de um pretendente evidentemente errado.
Daí vem uma parte reconhecível de Joanne: o desconforto de receber afeto sem saber muito bem como reagir e a disposição para criar problemas quando as coisas parecem estar funcionando.
Isso não significa que cada discussão do casal tenha acontecido com Foster e Tikhman. Personagens, situações e conflitos passam por invenção e elaboração dramatúrgica. Não é possível usar um episódio como documento da intimidade dos dois.
A série também transforma diferenças familiares e religiosas em motores da narrativa. O romance é o centro, mas precisa conviver com expectativas que existiam antes de Joanne e Noah se conhecerem.
Mais do que perguntar qual cena aconteceu de verdade, vale observar o que Foster decidiu aproveitar: a experiência de se apaixonar por alguém que obriga a rever ideias estabelecidas sobre amor, compromisso e sobre si mesma.
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