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Com Homem-Aranha, os cinemas dos Estados Unidos e do Canadá caminham para o maior fim de semana de bilheteria da história

Com Homem-Aranha, os cinemas dos Estados Unidos e do Canadá caminham para o maior fim de semana de bilheteria da história
Foto: Divulgação/Sony Pictures

Na sexta-feira, 31 de julho, Homem-Aranha: Um Novo Dia vendeu US$ 168 milhões em ingressos nos Estados Unidos e no Canadá. É o maior primeiro dia já registrado naquele mercado, acima dos US$ 157,4 milhões de Vingadores: Ultimato em 2019, segundo o balanço publicado pelo Deadline no sábado, 1º de agosto. O filme da Sony com a Marvel Studios abriu em 4.487 cinemas.

O número que interessa a quem vive de sala de cinema, porém, é outro. Somando tudo o que está em cartaz, o mercado americano caminha para US$ 434 milhões em três dias, pelas contas do TheWrap. Seria o maior fim de semana da história da bilheteria dos Estados Unidos e do Canadá, acima dos US$ 402 milhões do fim de semana de abril de 2019 em que Ultimato estreou.

O recorde tem letra miúda

Dos US$ 168 milhões de sexta, US$ 72 milhões vieram das sessões antecipadas. Também é recorde: a marca anterior pertencia a Ultimato, com US$ 60 milhões, informou a Variety na sexta-feira, 31 de julho.

A comparação, no entanto, não é entre iguais, e o TheWrap fez questão de registrar isso. As pré-estreias de Um Novo Dia incluíram sessões de quarta-feira reservadas a assinantes do Prime Video, e as de quinta começaram ao meio-dia, contra as 18h de Vingadores: Ultimato. Mais horários, mais sessões, mais bilhetes vendidos antes de a sexta começar.

Duas ressalvas maiores valem para cada cifra deste texto. A primeira: nada disso está fechado. São estimativas de sábado, publicadas por Deadline e TheWrap com o domingo ainda por acontecer. O fechamento oficial do fim de semana americano sai depois, e o número pode subir ou cair. A segunda: as comparações estão em dólares correntes, sem correção da inflação. O ingresso americano ficou mais caro entre 2019 e 2026, então parte da vantagem sobre Ultimato é preço, e não gente na poltrona. O próprio TheWrap carimba os recordes que cita: são valores anteriores ao ajuste inflacionário.

Descontadas as antecipadas, a sexta pura do Homem-Aranha ficou em US$ 96 milhões, um pouco abaixo dos US$ 97,4 milhões de Ultimato, pela conta do Deadline. Por isso o recorde de maior estreia de todos os tempos, US$ 357,1 milhões, seguia em disputa no sábado: a Sony projetava US$ 325 milhões para os três dias, enquanto estimativas do setor recolhidas pelo TheWrap falavam em US$ 358 milhões. A decisão fica para domingo, no público que compra ingresso na hora, escreveram os dois veículos.

Esse público, aliás, apareceu. Nas saídas de sessão do PostTrak, medidas por Screen Engine e Rentrak, 33% disseram ter comprado o ingresso no mesmo dia. O filme tirou nota A no CinemaScore.

A largada também foi comprada, e caro. A campanha de parcerias de Um Novo Dia reúne 165 marcas e alcançou valor de mídia mundial de US$ 309 milhões, recorde para um filme de Hollywood, revelou o Deadline em 30 de julho. O recorde anterior era da própria Sony, com os US$ 288 milhões de Homem-Aranha: Longe de Casa, em 2019. Little Caesars e McDonald's lideram o valor da campanha, seguidos por Samsung e BMW.

"Quando você tem um conjunto de parceiros como esse, consegue falar com públicos diferentes, em vez de inflamar um só", disse ao Deadline Jeffrey Godsick, vice-presidente executivo de estratégia de marca e parcerias globais da Sony.

Um filme, três quartos do mercado

Se a projeção da Sony se confirmar, um único título terá respondido por cerca de três quartos de tudo o que o mercado americano vendeu no fim de semana. É o desenho de sempre quando um lançamento desse porte entra: a maré sobe para um e desce para o resto.

A Odisseia, de Christopher Nolan, é a exceção. Na terceira semana, o épico distribuído pela Universal fez US$ 51 milhões, queda de 43%, e chegou a cerca de US$ 395 milhões acumulados no mercado americano, segundo o TheWrap. É o melhor terceiro fim de semana da carreira de Nolan por lá, registrou o Deadline.

O restante do cartaz encolheu junto. Toy Story 5 caiu 39%, Minions & Monstros 43% e Moana 50%, pelas estimativas de sábado do Deadline. Com o empurrão do fim de semana, a arrecadação anual das salas americanas passou de US$ 6 bilhões, calculou o TheWrap.

No Brasil, três milhões em três dias

Aqui o filme entrou antes, na quarta-feira, 29 de julho, e a largada brasileira já foi contada em detalhe quando ele abriu em mais de 2.500 salas, pelo balanço do Filme B. O que veio depois são dois números novos.

Na quinta-feira, 30, o Filme B registrou quase 2 milhões de espectadores em dois dias e o sétimo maior público de quinta-feira da história recente do mercado brasileiro. No sábado veio a marca de mais de 3 milhões de pessoas em três dias, anunciada em post da Sony Pictures Brasil e publicada pela Rolling Stone Brasil. É contagem de quem vende o filme, não balanço independente.

O que o recorde não prova

Quando um número desse tamanho vira manchete, a leitura fácil é a de que o cinema está salvo. O dado sustenta metade disso: as salas voltaram a encher, e encheram como nunca em dólares correntes. A outra metade depende de quantos filmes diferentes conseguem chegar a elas, e essa conta não melhorou junto. O fim de semana recorde nos Estados Unidos é obra de dois títulos.

No Brasil, o retrato do mês foi mais duro. No fim de semana anterior, de 23 a 26 de julho, os cinemas venderam 2,14 milhões de ingressos e nenhum filme brasileiro apareceu no Top 10. Um lançamento desse porte não cria sozinho o problema da concentração, mas também não o resolve.

Há ainda o caminho do dinheiro. Parte do que uma distribuidora estrangeira arrecada no Brasil é remetida ao exterior, e sobre essa remessa incide a Condecine, tributo cuja arrecadação é destinada ao Fundo Nacional da Cultura e alocada no Fundo Setorial do Audiovisual, conforme a própria Ancine explica. Bilheteria grande de Hollywood, portanto, também alimenta o caixa do fomento nacional.

O fechamento brasileiro do fim de semana sai na segunda-feira, com os números do Filme B e da Ancine. Vale ficar de olho em duas linhas: quanto o Homem-Aranha levou sozinho e o que sobrou para todo o resto do cartaz.

CinemaPedro Amaral

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