“A Odisseia” chega a US$ 639 milhões no segundo fim de semana e lidera a bilheteria também no Brasil
A Odisseia segue engolindo a concorrência. No segundo fim de semana em cartaz, o épico de Christopher Nolan vendeu US$ 87 milhões em ingressos nos Estados Unidos e no Canadá, segundo estimativas dos estúdios divulgadas no domingo, 26 de julho, e distribuídas pela agência Associated Press. Com mais US$ 128,3 milhões do circuito internacional no mesmo período, o filme já acumula US$ 639,6 milhões no mundo desde a estreia, em meados de julho.
O Brasil entrou nessa conta com apetite. Na semana de abertura, de 16 a 19 de julho, a adaptação do poema de Homero arrecadou R$ 22,2 milhões por aqui e tirou Toy Story 5 do topo, segundo o ranking da Rentrak reproduzido pelo CineBuzz. No fim de semana seguinte, de 23 a 26 de julho, seguiu como o filme mais vendido no top 5 da Ingresso.com, a tiqueteira on-line que publica o ranking semanal.
A queda que não veio
Blockbuster se mede menos pela largada e mais pelo tombo do segundo fim de semana. O de A Odisseia foi de 30%, uma descida suave para um lançamento desse tamanho. Em números absolutos, é o melhor segundo fim de semana da carreira de Nolan, sem corrigir a inflação: O Cavaleiro das Trevas havia feito US$ 75,2 milhões na mesma janela, em 2008. Entre os filmes de classificação R (restrita a menores nos Estados Unidos), só Deadpool & Wolverine vendeu mais em uma segunda semana.
"É um testemunho da empolgação e do entusiasmo que o público vem demonstrando pelo novo épico de Christopher Nolan", disse à Associated Press Paul Dergarabedian, chefe de tendências de mercado da Rentrak.
A largada também tinha sido histórica. Foram US$ 264,1 milhões no fim de semana de estreia, US$ 124,5 milhões deles nos Estados Unidos e no Canadá, a melhor abertura de Nolan desde O Cavaleiro das Trevas Ressurge, de 2012, acima até da estreia de Oppenheimer, como registrou o Estadão.
Quanto pesa o IMAX nessa conta
Promovido como o primeiro longa de Nolan rodado inteiramente com câmeras IMAX, o filme transformou o formato em motor de bilheteria. A rede colocou ingressos de algumas sessões em 70 mm à venda com um ano de antecedência, e cinemas abriram horários de meia-noite e de 3h da manhã para dar conta da procura. Esgotaram todos, segundo o Estadão.
A procura virou dinheiro no caixa. Na estreia, as salas IMAX responderam por US$ 51,8 milhões das vendas globais, US$ 29,6 milhões só no mercado americano, o melhor fim de semana da história da empresa, que reservou suas telas ao filme por três semanas. No segundo fim de semana, o formato somou outros US$ 48 milhões. As 41 salas do planeta capazes de projetar os 70 mm renderam US$ 5,2 milhões nesse período, com a maior parte das sessões esgotada até setembro, informou a companhia à Associated Press.
"O peso do formato IMAX ajudou a transformar o filme não apenas em um blockbuster, mas em um evento cultural global", afirmou Rich Gelfond, executivo-chefe da IMAX, em declaração publicada pelo Estadão.
A conta da Universal
Havia muito dinheiro na mesa. São US$ 250 milhões de orçamento de produção, um dos filmes de classificação R mais caros já feitos, mais cerca de US$ 125 milhões em marketing, segundo o Estadão. Para devolver esse dinheiro, a Universal aposta no histórico do diretor: Oppenheimer terminou a carreira com US$ 975 milhões no mundo.
"Nolan criou uma aventura épica. É algo em uma escala à qual o público respondeu extraordinariamente bem", disse Jim Orr, chefe de distribuição doméstica da Universal, em declaração reproduzida pelo Estadão.
O momento ajuda. A venda de ingressos deste verão americano está 10,4% acima da do ano passado, segundo a Rentrak, e a indústria projeta o primeiro ano de US$ 10 bilhões nas bilheterias dos Estados Unidos desde a pandemia.
No Brasil, a fila já olha para o próximo gigante
Por aqui, o elenco explica parte da corrida ao cinema: Matt Damon vive Odisseu no regresso a Ítaca depois da Guerra de Troia, Anne Hathaway é Penélope e Tom Holland faz Telêmaco, com Zendaya, Robert Pattinson, Charlize Theron, Lupita Nyong'o e Jon Bernthal completando o time. Na semana de estreia brasileira, Toy Story 5 ficou com R$ 12,51 milhões e a versão em live-action de Moana, com R$ 7,47 milhões, bem atrás dos R$ 22,2 milhões do líder, sempre segundo a Rentrak.
A lista da Ingresso.com do fim de semana de 23 a 26 de julho traz um detalhe de negócio: a pré-venda de Homem-Aranha: Um Novo Dia já aparece em segundo lugar no ranking de vendas, antes mesmo de o filme estrear, movimento que lembra o que a pré-venda de Barbie fez em 2023 no circuito brasileiro. Para dimensionar o salto, compare com o nosso balanço semanal dos cinemas do país, de uma semana comum, sem gigante em cartaz.
O teste de verdade começa agora. Homem-Aranha: Um Novo Dia chega aos cinemas em 31 de julho com Tom Holland e Zendaya dos dois lados da disputa, já que ambos estão também no épico de Nolan, e segundo a Associated Press, há analistas dizendo que o herói pode registrar a maior abertura do ano. Enquanto isso, Toy Story 5 cruzou US$ 1 bilhão no mundo, sexta animação da Pixar a alcançar a marca.
Para quem acompanha o dinheiro do cinema, vale ficar de olho no terceiro fim de semana: é ele que vai dizer se a viagem de Odisseu alcança os US$ 975 milhões de Oppenheimer ainda no meio do caminho ou se o Homem-Aranha corta a rota do rei de Ítaca.


