“Feito Pipa” é escolhido para representar o Brasil no Oscar 2027
Filme de Allan Deberton acompanha um menino queer criado pela avó no interior do Ceará; longa com Lázaro Ramos e Teca Pereira já foi premiado em Berlim, Guadalajara e Gramado
“Feito Pipa”, de Allan Deberton, foi escolhido nesta quarta-feira, 16 de setembro, para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2027.
A decisão foi tomada pela comissão da Academia Brasileira de Cinema. O longa superou outros cinco finalistas: “100 Dias”, de Carlos Saldanha; “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai; “A Natureza das Coisas Invisíveis”, de Rafaela Camelo; “Nosso Segredo”, de Grace Passô; e “Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins.
A escolha ainda não significa uma indicação ao Oscar. “Feito Pipa” passa agora a ser o representante oficial brasileiro e será submetido à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood ao lado dos títulos enviados por outros países.
O Brasil chega a essa etapa depois de duas temporadas consecutivas entre os indicados da categoria. “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, venceu Melhor Filme Internacional em 2025. No ano seguinte, “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, também chegou à disputa.
“Feito Pipa” tentará levar o país aos cinco finalistas pelo terceiro ano seguido, algo que o cinema brasileiro nunca conseguiu.
Um menino queer no interior do Ceará
O filme acompanha Gugu, interpretado por Yuri Gomes, um menino de quase 12 anos apaixonado por futebol que vive com a avó Dilma, papel de Teca Pereira, em uma comunidade próxima ao açude Araújo Lima, no Ceará.
Criado pela avó de forma livre e afetuosa, Gugu encontra dentro de casa espaço para ser quem é. A situação começa a mudar quando Dilma se torna mais frágil e ele passa a enfrentar a possibilidade de ter de morar com Batista, seu pai, interpretado por Lázaro Ramos.
A identidade queer do protagonista faz parte diretamente desse conflito. Fora da casa da avó, Gugu encontra a desaprovação do pai e de pessoas ao seu redor. O filme foi inclusive selecionado para o Teddy Award de 2026, prêmio da Berlinale dedicado ao cinema queer.
A temática também acompanhou o longa no Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, no México. “Feito Pipa” venceu Melhor Filme no Premio Maguey, seção dedicada a produções LGBTQIA+, e Yuri Gomes e Teca Pereira dividiram o prêmio de Melhor Interpretação.
Dois prêmios em Berlim e quatro Kikitos em Gramado
A estreia mundial aconteceu na mostra Generation Kplus da Berlinale, em fevereiro. O longa saiu do festival com os dois principais prêmios da seção: o Urso de Cristal de Melhor Filme, concedido pelo júri infantil, e o Grande Prêmio do Júri Internacional.
Meses depois, “Feito Pipa” voltou a acumular prêmios no Brasil.
Na 54ª edição do Festival de Gramado, Allan Deberton venceu Melhor Direção, Teca Pereira recebeu o Kikito de Melhor Atriz, Lázaro Ramos foi escolhido Melhor Ator Coadjuvante e o longa ganhou Melhor Filme pelo Júri Popular. Yuri Gomes ainda recebeu uma Menção Honrosa.
A trajetória transformou o filme em um dos títulos brasileiros de maior circulação internacional em 2026 antes mesmo de sua estreia comercial em circuito nacional.
“Feito Pipa” chega aos cinemas brasileiros em 5 de novembro, com distribuição da Paris Filmes.
Até lá, a campanha pelo Oscar já estará em andamento.
A Academia de Hollywood divulgará em 15 de dezembro a shortlist de Melhor Filme Internacional. Os cinco indicados serão conhecidos em 21 de janeiro de 2027.
A cerimônia da 99ª edição do Oscar acontece em 14 de março, em Los Angeles.



