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Game of Thrones no teatro: RSC cancela pré-estreias em Stratford e mantém a estreia em 8 de agosto

Game of Thrones no teatro: RSC cancela pré-estreias em Stratford e mantém a estreia em 8 de agosto
Foto: Johan Persson/RSC (divulgação)

A Royal Shakespeare Company remarcou para 28 de julho a primeira apresentação pública de George R. R. Martin's Game of Thrones: The Mad King, depois de cancelar, uma a uma, as pré-estreias da semana anterior no Royal Shakespeare Theatre, em Stratford-upon-Avon. A companhia britânica afirma que a noite de abertura oficial continua marcada para 8 de agosto e que a temporada segue até 5 de setembro.

O porte da montagem dá a medida do que ficou parado. Adaptada por Duncan Macmillan a partir dos livros de George R. R. Martin e dirigida por Dominic Cooke, a peça reúne 36 atores, dura quatro horas com um intervalo de 20 minutos e obrigou a RSC a reconfigurar a plateia do próprio teatro em torno de um palco em forma de cruz. É a estreia mundial do texto, coproduzida pela Warner Bros. Theatre Ventures em nome da HBO, por Simon Painter, Tim Lawson e Mark Manuel e pela Access Entertainment, de Leonard Blavatnik e Danny Cohen.

O que a RSC anunciou, e quando

O comunicado de elenco distribuído pela própria RSC anunciava pré-estreias a partir de 20 de julho. Em 24 de julho, um porta-voz da companhia informou à Variety que as quatro apresentações daquela semana haviam sido canceladas e que a sessão de sábado, 25, estava mantida.

Não estava. A RSC anunciou no Instagram, conforme registrou a Deadline, que a apresentação das 19h15 daquele sábado também não aconteceria. O WhatsOnStage e o Stratford Observer contam que o cancelamento foi comunicado por volta das 16h.

"A decisão de cancelar apresentações é sempre difícil e só é tomada depois de considerar com cuidado todas as opções disponíveis. Reconhecemos como isso será decepcionante para o público e pedimos sinceras desculpas pelo transtorno causado", diz o comunicado da RSC reproduzido pelo WhatsOnStage e pelo jornal local The Stratford Observer.

A companhia prometeu reembolso integral e automático, incluindo taxas. Em nota divulgada ainda no sábado, acrescentou que, "devido à natureza ambiciosa e épica desta produção e diante de uma série de atrasos imprevistos", precisava de "tempo adicional" antes de encarar uma plateia pagante.

Para que serve o período de pré-estreias

À Variety, a companhia foi mais específica sobre o que faltava.

"A decisão de adiar a primeira pré-estreia foi tomada para dar aos atores e às equipes criativa e técnica o tempo adicional necessário para avançar e refinar o trabalho em tempo real", declarou o porta-voz da companhia à Variety.

A expressão descreve a rotina do circuito britânico. Uma montagem desse porte entra em cartaz semanas antes da abertura oficial, vendendo ingressos enquanto ainda ajusta marcações, trocas de cenário, tempos de luz e som. Cada sessão funciona como laboratório com plateia pagante, e a noite de abertura, aqui marcada para 8 de agosto, é o momento em que a produção se apresenta como acabada. Quando o ensaio técnico não termina a tempo, a conta aparece onde apareceu em Stratford: nas pré-estreias.

O mesmo circuito produziu casos recentes de percurso acidentado, como a chegada de Trainspotting ao West End e a nova versão de Martin Guerre no Old Vic.

Trinta e seis atores sobre um palco em forma de cruz

A página oficial da produção descreve o Royal Shakespeare Theatre "transformado", com bancadas de arquibancada novas instaladas para a ocasião, algumas com acesso por degraus. O palco cruciforme faz com que nenhum assento ofereça a mesma visão, segundo a RSC.

A lista de fichas técnicas divulgada pela companhia dá a dimensão do que precisa funcionar em conjunto todas as noites. Nick Barnes e Finn Caldwell, da Lume, respondem por bonecos e movimento. Chloe Lamford assina o cenário; Georgia McGuinness, os figurinos; Jon Clark, a iluminação; Will Stuart, a trilha; Tom Gibbons, o desenho de som. Ao lado deles trabalham uma diretora de lutas, Bethan Clark, uma diretora de intimidade, Ingrid Mackinnon, uma preparadora de sotaques, Hazel Holder, e uma consultora de dança de época, Francesca Roche.

São funções que o público raramente vê e que costumam definir se um espetáculo estreia ou não. A mesma lógica vale para os bonecos em escala real que já passaram pelos palcos brasileiros e para o trabalho de figurino de grandes musicais: quanto mais engrenagem, mais pontos de falha.

Por que Westeros foi parar na casa de Shakespeare

No anúncio da montagem, o nome de William Shakespeare apareceu no argumento dos dois lados.

"Shakespeare é o maior nome da literatura inglesa, e as peças dele foram uma fonte constante de inspiração para mim e para a minha escrita. Além disso, ele enfrentou desafios parecidos ao colocar uma batalha no palco, então estamos em boa companhia", afirmou George R. R. Martin em comunicado da RSC.

No mesmo material, Duncan Macmillan e Dominic Cooke afirmam que a narrativa de Martin é "shakespeariana em escala e em temas", com disputa dinástica, ambição, rebelião, loucura, profecia e amor malfadado. Os codiretores artísticos da companhia, Daniel Evans e Tamara Harvey, afirmaram que o ciclo de famílias em guerra "está em continuidade com os ciclos históricos de Shakespeare".

Macmillan assina Lungs, People, Places and Things e Every Brilliant Thing, além da adaptação de 1984 feita com Robert Icke. Cooke dirigiu Follies e Hello, Dolly!, comandou o Royal Court, foi diretor associado da própria RSC e assume agora a direção artística do Almeida Theatre, em Londres.

O público que viajou e não entrou

Os cancelamentos também tiveram custo para quem já havia comprado ingresso. A Deadline registrou a irritação de quem tinha ingresso para as sessões canceladas, e a Variety apurou que entre os prejudicados havia fãs vindos de longe, inclusive de fora do Reino Unido. "Depois de reservar hotéis e pagar a viagem, isso é absolutamente inaceitável", escreveu um espectador em post no Reddit reproduzido pela Deadline, onde outros relatam ter recebido o aviso já hospedados em Stratford. Nenhum deles falou com um repórter. Ainda segundo a Deadline, a página de vendas aparecia esgotada até o fim da temporada, o que deixa pouca margem para remarcar.

Uma ressalva de método antes do serviço. A própria RSC sustenta hoje duas datas diferentes para o início da temporada: o comunicado oficial de elenco anuncia "segunda-feira, 20 de julho", e a página da peça no site da companhia lista "sábado, 25 de julho". O FOYER não conseguiu apurar qual das duas prevalece, e por isso não adota nenhuma como a data de estreia da temporada. Na prática, as duas foram superadas pelos cancelamentos: a primeira apresentação diante de público pagante foi mesmo a de 28 de julho.

Serviço

George R. R. Martin's Game of Thrones: The Mad King
Royal Shakespeare Theatre, Stratford-upon-Avon, Reino Unido
Temporada até 5 de setembro de 2026, com noite de abertura oficial em 8 de agosto
Duração: 4 horas, com intervalo de 20 minutos
Ingressos: a partir de £ 23,50, com a taxa de £ 3,50 já incluída; visão restrita a partir de £ 13,50; limite de 4 por pessoa
Informações e vendas: rsc.org.uk

NotíciaRedação Foyer

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