Dan Lin deixa o comando do cinema da Netflix quatro dias depois de Bela Bajaria

Chefe de filmes desde abril de 2024, ele aprovou ou comprou 88 longas até junho; o substituto não foi anunciado, e a escolha deve ficar com Peter Rice

Dan Lin no New York Film Festival, em 9 de outubro de 2026
Dan Lin no New York Film Festival, em 9 de outubro de 2026 — Foto: Bryan Berlin / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Dan Lin, que comandava o cinema da Netflix desde abril de 2024, está fora da empresa. A Variety publicou a saída às 12h25 de Brasília de 19 de outubro, citando fontes. TheWrap e Hollywood Reporter vieram minutos depois. A Netflix confirmou mais tarde e divulgou declarações de Lin e do co-CEO Ted Sarandos. A saída vem quatro dias depois do anúncio de que Bela Bajaria deixa a direção de conteúdo e de que Peter Rice, ex-Disney e ex-Fox, assume o posto em 26 de outubro.

Segundo a Variety, Lin foi dispensado no começo do fim de semana. O Los Angeles Times escreve que ele soube da saída no fim da semana anterior. No sábado, 17, ainda foi à gala do Museu da Academia. Nos dias anteriores, o corte global de cerca de 1.000 vagas tinha levado Doug Belgrad, o braço direito dele, e Sheroum Kim, que cuidava dos filmes independentes.

“Foi um grande privilégio liderar esta equipe incrível e trabalhar com cineastas e artistas extraordinários para levar os filmes deles ao mundo”, disse Lin na declaração publicada pelo Hollywood Reporter, em que agradece a Sarandos, a Greg Peters e a Bajaria. Sarandos elogiou o rigor dele “nas negociações e na estratégia”. “Sou grato ao Dan por tudo o que ele fez pelos filmes da Netflix”, afirmou.

O produtor de “It” e a ordem de gastar menos

De 1999 a 2007, Lin foi vice-presidente sênior de produção da Warner Bros., onde supervisionou Os Infiltrados, de Martin Scorsese, conta o TheWrap. Em 2008 fundou a Rideback, que, segundo a Variety, ficou conhecida pela franquia animada Uma Aventura Lego, pelas adaptações de It: A Coisa e pelos filmes de Sherlock Holmes.

Na Netflix, ele sucedeu Scott Stuber. Com Stuber, diretores de nome conseguiam ali orçamentos e cachês altos, segundo o Hollywood Reporter. Bajaria contratou Lin para conter gastos e, de preferência, elevar a qualidade de todos os filmes da casa, e não só a dos filmes de diretores famosos, diz a mesma reportagem. Sob Lin, a divisão foi reorganizada por gênero, com executivos responsáveis por categorias como ficção científica, comédia romântica e filme de família, e passou a apostar no orçamento médio que os estúdios deixaram de lado.

Da safra dele saíram sucessos de audiência como Um Maluco no Golfe 2 e filmes elogiados pela crítica como Sonhos de Trem, segundo o TheWrap. Com as salas de cinema, o site descreve uma linha dura. “Há um grupo de cineastas que ainda quer o lançamento em sala. São cineastas com quem aceitamos que simplesmente não vamos trabalhar”, disse Lin ao New York Times em junho, segundo a Variety.

Na mesma conversa, ele disse ter aprovado ou comprado 88 filmes para a Netflix até ali. Em pouco mais de dois anos, a média fica perto de 40 por ano. Em janeiro de 2021, com Stuber, a Netflix tinha anunciado 70 filmes para um único ano, um a cada semana, segundo a agência britânica PA. A comparação é imperfeita. Uma conta soma aprovações e compras, e a outra, estreias.

Brandon Katz, da Greenlight Analytics, disse ao Los Angeles Times que reduzir o volume de originais, sobretudo de filmes em inglês, “é uma decisão de melhor retorno sobre o investimento, mas naturalmente leva a menos bilhetes de loteria” com chance de prêmio grande. Com dados da Nielsen, Katz mostrou que os cinco filmes de ficção em inglês mais vistos da Netflix no verão americano de 2026 tiveram, nas oito primeiras semanas, a menor média de horas assistidas desde 2023.

O que chega ao Brasil e quem fica no lugar

Um Maluco no Golfe 2 somou 46,7 milhões de visualizações nos três primeiros dias, em julho de 2025, segundo o Tudum, o site da plataforma. No ranking semanal de filmes do Brasil, ficou em segundo lugar na semana de 21 a 27 de julho e em terceiro na seguinte.

Nárnia: O Sobrinho do Mago, de Greta Gerwig, é uma das exceções que Lin abriu para o lançamento em sala, segundo o TheWrap. No Brasil, a estreia nos cinemas está marcada para 11 de fevereiro de 2027, pela Sony, segundo o Omelete e o Ovicio. Na Netflix, entra em 2 de abril. As Novas Desventuras de Cliff Booth (no original, The Further Mis-Adventures of Cliff Booth), de David Fincher, com Brad Pitt, fica duas semanas só em salas IMAX, no mundo todo, a partir de 25 de novembro, e chega à Netflix em 23 de dezembro, diz o Tudum. As páginas lidas não listam as salas brasileiras.

O substituto de Lin não foi anunciado. A Variety informa que o nome deve sair nos próximos dias e registra a especulação de que Mike De Luca e Pam Abdy, que comandavam o cinema da Warner Bros., conversam com a Netflix. Segundo o Hollywood Reporter, a escolha deve ficar com Rice. Nenhum dos textos diz o que acontece com os filmes aprovados que ainda não estrearam.

Um agente que trabalha com a plataforma disse ao TheWrap, sob anonimato, que Lin teve o mesmo problema de Stuber, a qualidade, e que “quem assumir no lugar de Lin também vai ter o mesmo problema”.

O balanço do terceiro trimestre está marcado para 20 de outubro, às 17h01 de Brasília, e os executivos devem explicar ali como pretendem conduzir a empresa, segundo o Los Angeles Times.

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