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Camisas sociais masculinas acumulam no palco a cada estágio do abuso em solo no Teatro Glaucio Gill

Camisas sociais masculinas acumulam no palco a cada estágio do abuso em solo no Teatro Glaucio Gill
Foto:Cláudia Ribeiro

Escrito e interpretado por Márciah Luna Cabral a partir de experiência pessoal, "Todos os Amores Menos Aquele" estreia em 7 de outubro, com direção de Rogerio Fanju, e fica em cartaz às quartas-feiras até 28 de outubro.

À medida que a ação avança, camisas sociais masculinas vão sendo introduzidas em cena, cada uma simbolizando um estágio do abuso. É nesse acúmulo que se constrói "Todos os Amores Menos Aquele: um relato dramatizado", solo escrito, composto e interpretado por Márciah Luna Cabral, com direção de Rogerio Fanju. A estreia acontece em 7 de outubro, no Teatro Glaucio Gill, em Copacabana, com sessões às quartas-feiras, às 20h, até 28 de outubro. Os ingressos custam R$ 60 e R$ 30 (meia).

Autoficção construída a partir de experiência pessoal da atriz, a peça trata do abuso psicológico e de sua frequente invisibilidade nas relações. O espetáculo percorre as etapas de um relacionamento que gradualmente revela mecanismos de controle, ciúme, manipulação e desqualificação, convidando o público a reconhecer sinais muitas vezes minimizados.

Quatro presenças, uma delas invisível

A estrutura divide a atriz em duas personagens: Mulher, ela própria quando jovem e vítima do abuso, e Narradora, ela no presente, em relação direta com o público. Completam a encenação Nina, espécie de subconsciente representado por um manequim, e o teclado, tocado pela própria atriz. O parceiro, namorado ou marido, nunca aparece fisicamente.

"O conceito da peça foi construído numa viagem entre o consciente e o inconsciente de uma mulher enredada nas teias do comportamento de um homem narcisista", explica o diretor. "Através do fluxo de dezenas de camisas sociais masculinas em cena e de um grande círculo de luz, temos uma metáfora para o domínio e o encarceramento."

Para Rogerio Fanju, a metáfora carrega uma ambiguidade central. "Essa metáfora traz a forte ambiguidade entre onipresença e ausência, não apenas do homem, mas da própria mulher, cuja identidade vai sendo diluída na trajetória desse encontro, nos silêncios, num ciclo perturbador, na paralisia", diz. "Colocar o piano em cena foi uma maneira de sustentar, com música, aquilo que a Mulher não diz."

Nos quadros que se sucedem, as situações de abuso escalam enquanto a protagonista duvida da própria percepção dos fatos, até que não seja mais possível não enxergar. As canções originais, de autoria da atriz, permeiam a ação.

Apesar do tema, a autora afirma que sua abordagem inclui também a capacidade de libertação e reinvenção.

Dramaturgia vira livro

Junto com a estreia, será lançado o livro com a dramaturgia da peça. O prefácio é da psicanalista clínica Patricia Serfaty, pesquisadora em violências e subjetividades, com doutorado e mestrado pela UFRJ.

Márciah Luna Cabral é cantora, atriz e arranjadora, bacharel em Música Popular Brasileira pela UNIRIO, com passagens por espetáculos como "Vestido de Noiva", "Evita" e "Marlene Dietrich: as Pernas do Século". Rogerio Fanju tem 40 anos de carreira e assina montagens como "As Pessoas", vencedora do Prêmio Sesc de Artes Cênicas em 2022, e "João Caetano ou Morte".

Serviço

Todos os Amores Menos Aquele: um relato dramatizado Teatro Glaucio Gill, Praça Cardeal Arcoverde, Copacabana, Rio de Janeiro
De 7 a 28 de outubro de 2026, às quartas-feiras, às 20h Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia), no site funarj.eleventickets.com e na bilheteria, de segunda a sexta das 16h às 21h, sábados e domingos das 15h às 21h
Duração: 55 minutos.
Classificação: 16 anos
Espaço acessível Texto, músicas e atuação: Márciah Luna Cabral.
Direção: Rogerio Fanju

Se você ou alguém que você conhece está em uma situação de violência, a Central de Atendimento à Mulher atende gratuitamente pelo telefone 180, 24 horas por dia.

TeatroIsabel Branquinha

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