Bruna Linzmeyer pesquisou submissão para viver vilã: “O filme de terror é real”
Atriz de Virtuosas relata ter encontrado discursos antivacina, racistas e LGBTfóbicos em vídeos sobre feminilidade e obediência ao marido
Vídeos que ensinavam mulheres a ser mais femininas e submissas ao marido levaram Bruna Linzmeyer a conteúdos armamentistas, antivacina, racistas e LGBTfóbicos. A descoberta fez parte da preparação para interpretar Virgínia, líder de um retiro religioso em Virtuosas, e foi relatada pela atriz em entrevista à revista CLAUDIA publicada na terça-feira (6). Segundo ela, os discursos apareciam em um mesmo canal do YouTube.
“O filme de terror é real”, afirmou Bruna.
A pesquisa incluiu o universo das tradwives, que defendem papéis tradicionais para as mulheres no casamento. Na leitura da atriz, Virgínia se aproveita da fé e da vulnerabilidade das participantes para conquistar poder. No longa de Cíntia Domit Bittar, ela comanda um retiro VIP que promete transformar as mulheres em versões melhores de si mesmas. As exigências de perfeição e obediência tornam a experiência cada vez mais perigosa.
Esse ideal também orientou a construção física da personagem. Em entrevista ao Feito por Elas, na época da estreia, Bruna descreveu as referências que encontrou: gestos pequenos, cabelos alinhados e corpos mantidos sob controle. Ela e a diretora trabalharam a maneira como essa aparência se desfaz quando a personagem perde o domínio da situação.
A atriz contou que marcou no roteiro os momentos em que o controle de Virgínia começa a falhar. Raiva, medo e frustração atravessam a imagem impecável que ela tenta sustentar diante das outras mulheres.
Virtuosas chegou aos cinemas brasileiros em 24 de setembro e marca a estreia de Bittar na direção de longas. O roteiro é assinado por ela e Fernanda De Capua. Produzido pela Novelo Filmes, em coprodução com a Olhar Filmes, o terror tem distribuição da Olhar Filmes e da Filmes do Estação.


