Bram Stoker e Oscar Wilde disputaram a mesma mulher, e a rivalidade virou musical glam rock em Londres

"Stoker Wilde" tem sete apresentações no Wilton's Music Hall, o mais antigo music hall em funcionamento no mundo, e encerra no sábado, 31 de outubro.

Bram Stoker e Oscar Wilde disputaram a mesma mulher, e a rivalidade virou musical glam rock em Londres
Foto: Divulgação

É uma montagem de desenvolvimento, etapa em que texto e canções são testados diante do público antes de uma produção maior.

Antes de “Drácula” e de “O Retrato de Dorian Gray”, Bram Stoker e Oscar Wilde eram dois jovens de Dublin tentando a vida em Londres, e cortejaram a mesma mulher. É desse período que trata “Stoker Wilde”, musical com trilha em glam rock que estreou na terça, 27 de outubro, no Wilton's Music Hall, e fica em cartaz até o sábado, 31, em sete sessões.

A temporada é apresentada oficialmente como musical em desenvolvimento. Na prática, é uma versão encenada que permite aos autores ouvir a reação da plateia e ajustar o espetáculo antes de buscar uma produção comercial. A sessão desta quarta, 28, às 19h, é a aberta à imprensa.

Isso muda a natureza da notícia. Com seis apresentações restantes em Londres e nenhuma temporada futura anunciada, o que está em jogo é o nascimento de um título, não um convite para comprar ingresso.

A rivalidade tem base histórica

O musical acompanha a amizade e a disputa entre os dois escritores, seus romances mantidos em segredo e suas identidades queer, e passa pela criação dos livros que os tornaram célebres.

A rivalidade não é invenção dramatúrgica. Stoker e Wilde cortejaram Florence Balcombe, que se casou com Stoker em 1878. No espetáculo, ela aparece como Florence Stoker, interpretada por Christina Bennington.

Quem está no palco

Jamie Bogyo, que criou o Christian de “Moulin Rouge!” no West End, faz Bram Stoker, e Glenn Adamson vive Oscar Wilde. David Bedella, vencedor do Olivier, interpreta Henry Irving, astro do teatro vitoriano de quem Stoker foi empresário por quase três décadas no Lyceum Theatre.

Completam o elenco Jemma Geanaus como a atriz Ellen Terry, parceira de cena de Irving, Matt Rixon como o poeta americano Walt Whitman, que Stoker admirava e com quem trocou cartas, e Oliver Stockley como Lord Alfred Douglas, o Bosie, amante de Wilde.

O texto e as letras são de Eric Rosen, ex-diretor artístico do Kansas City Repertory Theatre, nos Estados Unidos, com músicas e letras de Rodney Bush. A direção é de Séimí Campbell, que foi diretora associada do National Theatre entre 2021 e 2024, e a produção é de Jerry Goehring e Andrew House.

O teatro é da mesma época dos personagens

O endereço acrescenta uma camada ao espetáculo. Inaugurado em 1859 no leste de Londres, o Wilton's é considerado o mais antigo grande music hall ainda em funcionamento no mundo, e estava de pé enquanto Stoker e Wilde construíam suas carreiras na cidade.

São 90 minutos em ato único.

Serviço

Stoker Wilde Wilton's Music Hall, Graces Alley, Londres Até sábado, 31 de outubro de 2026

Quarta e sexta às 19h.
Quinta e sábado às 14h e às 19h
Texto e letras: Eric Rosen.
Músicas e letras: Rodney Bush Direção: Séimí Campbell Com Jamie Bogyo, Glenn Adamson, David Bedella, Christina Bennington, Jemma Geanaus, Matt Rixon e Oliver Stockley
90 minutos, sem intervalo.
Ingressos a partir de £ 18

Quem aparece nesta matériaBram Stoker
Teatro MusicalIsabel Branquinha
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