Os 10 musicais que nasceram de livros e ganharam palco no Brasil (2026)
No dia 16 de junho de 2026, no Teatro Riachuelo, o 20º Prêmio APTR entregou Melhor Espetáculo e Melhor Produção Musical a uma montagem que começou como romance: Torto Arado – O Musical, tirado do livro de Itamar Vieira Junior. O caminho da estante para o palco cantado é antigo e mais movimentado do que parece.
Esta lista reúne dez montagens que passaram por palcos brasileiros e nasceram de um livro publicado antes. O que conta para entrar é o palco daqui: a lista tem criações brasileiras e também versões nacionais de musicais estrangeiros que vieram de livros, caso de A Cor Púrpura e de Wicked. Entram romance do século XIX, biografia, autobiografia de roqueira e clássico infantil. Cada item traz a obra de origem, o ano da montagem, quem dirigiu e o que a adaptação fez com o texto.
1. Torto Arado – O Musical (2024)
Quase um milhão de exemplares vendidos e um Prêmio Jabuti antes de qualquer palco: o romance de Itamar Vieira Junior estreou como musical em 13 de setembro de 2024, no Teatro Sesc Casa do Comércio, em Salvador. A direção-geral é de Elísio Lopes Júnior, que assina a dramaturgia com Aldri Anunciação e Fábio Espírito Santo. São 22 profissionais em cena: 16 atores e seis músicos. A adaptação é livre e concentra o romance em três figuras: Bibiana, Belonísia e a avó Donana, que, como Anunciação contou à Agência Brasil, acaba se tornando protagonista também. Donana é vivida por Lilian Valeska, Larissa Luz faz Bibiana e Bárbara Sut, Belonísia. Levou três troféus no Prêmio APTR de 2026: Melhor Espetáculo, Melhor Produção Musical e o de direção musical, para Jarbas Bittencourt.
2. Dom Casmurro, o Musical (2024)
Zé Henrique de Paula assinou a direção-geral da versão musicada do romance de 1899 de Machado de Assis, que estreou em novembro de 2024 no Teatro Estúdio, em São Paulo, com texto de Davi Novaes e canções, composições e direção musical de Guilherme Gila. A adaptação puxa o ciúme de Bentinho para o campo da masculinidade tóxica e passa a trilha por rock e MPB. Voltou em 2026 ao Itaú Cultural em temporada gratuita.
3. Rita Lee: Uma Autobiografia Musical (2024)
O livro Rita Lee: uma autobiografia saiu em 2016, lançado pela própria cantora, e o palco veio oito anos depois, na estreia de 26 de abril de 2024, no Teatro Porto, em São Paulo. A direção-geral é de Débora Dubois e Marcio Macena, com roteiro e pesquisa de Guilherme Samora. Mel Lisboa faz Rita. A adaptação transforma a primeira pessoa do livro em cena, atravessando a infância, os Mutantes, a prisão de 1976, na ditadura, e o encontro com Roberto de Carvalho. A quarta temporada, em 2025, foi de 31 de janeiro a 27 de abril, no mesmo teatro.
4. Chatô e os Diários Associados (2025)
Um jornalista desempregado chamado Fabiano encontra a estátua de Assis Chateaubriand em Recife e é levado por ele a revisitar a criação de O Cruzeiro e a inauguração da TV Tupi. O personagem-guia não está na biografia Chatô, o Rei do Brasil, de Fernando Morais: foi inventado pela adaptação, que estreou em 28 de março de 2025 no Teatro João Caetano, no Rio, com direção-geral de Tadeu Aguiar e texto do próprio Morais com Eduardo Bakr. Stepan Nercessian faz Chatô, e a trilha é de canções de Caetano Veloso, Gal Costa e Ivan Lins.
5. Bertoleza (2020)
Em fevereiro de 2020, no Sesc Belenzinho, em São Paulo, a Gargarejo Cia estreou uma releitura de O Cortiço que inverte o protagonismo do romance de Aluísio Azevedo, publicado em 1890: quem conduz a narrativa é Bertoleza, mulher negra escravizada, no lugar do português João Romão. A adaptação, a direção e as canções originais são de Anderson Claudir, com dramaturgia dele e de Letícia Conde. Homenageia em cena Antonieta de Barros, Maria Firmina dos Reis e Carolina Maria de Jesus. Venceu o Prêmio APCA 2020 de Espetáculo e voltou em 2026 ao Teatro Alfredo Mesquita, de graça.
6. A Cor Púrpura, o Musical (2019)
Dezessete atores, oito músicos, 90 figurinos e dois palcos giratórios: a versão brasileira do romance de Alice Walker, de 1982, estreou nesse tamanho em setembro de 2019, na Grande Sala da Cidade das Artes, no Rio, produzida pela Estamos Aqui Produções. A direção é de Tadeu Aguiar, e a adaptação para o público nacional é de Artur Xexéo, que também passou as canções para o português. O trabalho mais delicado foi de língua. Aguiar contou ao Correio Braziliense que não queria o sotaque caricato e resolveu a fala das personagens com erros de concordância verbal, que sugerem a falta de escolaridade delas. A montagem seguiu circulando.
7. Wicked (2016)
Myra Ruiz e Fabi Bang fizeram Elphaba e Glinda desde a estreia brasileira, em 2016, no Teatro Renault, em São Paulo, e voltaram aos papéis em 2025. O romance de origem, de Gregory Maguire, reescreve O Mágico de Oz pelo lado das bruxas. A montagem foi vista por mais de 340 mil pessoas e tem direção de produção original de Joe Mantello, direção residente de Rachel Ripani e versões brasileiras de Mariana Elisabetsky e Victor Muhlethaler.
8. Drácula – O Musical (2026)
Em pouco mais de uma hora, a adaptação condensa a trama em vez de seguir o romance de Bram Stoker, publicado em 1897, acontecimento a acontecimento. A montagem da Segundo Ato Entretenimento estreou em 10 de junho de 2026 no Teatro das Artes, em São Paulo, com texto e versões de Ella Dalcin, direção de Glaucia da Fonseca, direção musical de Di Angelo Mathias e idealização, cenografia e figurinos de Rodrigo Gomes. Nando Pradho faz o conde, e Pedro Navarro faz o Renfield que narra a história. As canções são de Di Angelo Mathias, Leopardo e Paula Souza Lima. A temporada ganhou datas extras.
9. O Alienista, um Solo Musicado (2024)
Sozinho em cena, Victor Garbossa interpreta Simão Bacamarte e os demais personagens do conto longo que Machado de Assis publicou em Papéis Avulsos, de 1882. Ele assina a adaptação com Eduardo Figueiredo, que dirige. A estreia foi em 2 de novembro de 2024, na Sala Léa Garcia do Teatro Shopping Metrô Tatuapé, em São Paulo. A versão foi pensada para o público infantojuvenil, com músicas ao vivo, e marcou os 185 anos de nascimento do autor. Detalhes da montagem no acervo.
10. O Mágico Di Ó (2019)
Nascido em 2014 de uma encomenda escolar em Minas Gerais, o espetáculo ganhou montagem mais elaborada em 10 de agosto de 2019, no Teatro João Caetano. O livro de partida é O Maravilhoso Mágico de Oz, de L. Frank Baum, lançado em 1900, e a adaptação leva a estrada de tijolinhos para o Cariri: Doroteia embarca num pau-de-arara com os tios, o cordelista Osvaldo narra em versos e as canções vão do frevo ao xote. O texto e as letras são de Vitor Rocha, a composição e a direção musical são de Marco França e a direção é de Ivan Parente e Daniela Stirbulov. Passou pelo Sesc Guarulhos em 21 e 22 de março de 2026.
O próximo da fila: Olga, prevista para 2027
Fernando Morais volta à lista antes mesmo da estreia. Olga, biografia de Olga Benário Prestes publicada em 1985, terá adaptação para o teatro musical, produzida pela Estamos Aqui Produções, com direção de Tadeu Aguiar, direção musical de Thalyson Rodrigues, composições e arranjos de Laura Visconti e letras de Eduardo Bakr. A estreia está prevista para o segundo semestre de 2027, ano em que se completam 85 anos da morte de Olga. Elenco, teatro e cidade ainda não foram divulgados.



