8 filmes musicais com histórias LGBTQIA+ para conhecer
Romances, drag, fantasia e a epidemia de aids aparecem numa seleção que vai de “Cabaret” a “The Prom”
Uma adolescente que quer ir ao baile com a namorada, uma cantora que tenta contar sua própria história e um rapaz que encontra magia numa montagem de Shakespeare. O cinema musical abriu caminhos diferentes para personagens LGBTQIA+, sem restringi-las a um único tom ou tipo de enredo.
Os oito filmes desta seleção têm relações distintas com esse repertório. Alguns vieram do palco; outros foram criados para a tela. Há comédia e fantasia, mas também violência, discriminação e perda. A presença de canções não faz deles automaticamente filmes para crianças.
1. “Hedwig and the Angry Inch” (2001)
John Cameron Mitchell dirigiu e protagonizou a adaptação do musical que criou com Stephen Trask. Hedwig usa um show de rock para narrar uma trajetória atravessada por migração, violência e desejo de reconhecimento. As canções confrontam versões de sua identidade, sem reduzir a personagem a uma categoria capaz de explicar toda a sua vida.
2. “Rent” (2005)
A versão dirigida por Chris Columbus leva ao cinema a comunidade criada por Jonathan Larson. Artistas do East Village convivem com precariedade e HIV/aids, construindo relações de cuidado. Collins e Angel, assim como Maureen e Joanne, participam do centro afetivo da história. O filme não deve ser confundido com os registros de apresentações do musical.
3. “The Prom” (2020)
Emma quer participar do baile da escola com Alyssa, sua namorada. A resistência da comunidade mobiliza artistas da Broadway, que chegam dispostos a ajudar e também interessados na própria imagem. Ryan Murphy adapta o musical teatral, colocando o romance adolescente ao lado de uma sátira sobre celebridades e suas boas intenções.
4. “Cabaret” (1972)
O filme de Bob Fosse acompanha Sally Bowles e Brian numa Berlim em transformação política. Desejo e bissexualidade atravessam os vínculos, enquanto os números do clube comentam o avanço do autoritarismo. A liberdade aparente daquele espaço convive com uma ameaça que se torna progressivamente difícil de ignorar.
5. “Victor ou Victoria” (1982)
Julie Andrews interpreta uma cantora que passa a se apresentar como um homem que faz números de imitação feminina. O plano criado com Toddy, vivido por Robert Preston, provoca dúvidas sobre desejo e aparência. A comédia de Blake Edwards trabalha com convenções de gênero e inclui personagens gays, mas sua protagonista não deve ser automaticamente descrita como uma mulher trans.
6. “Were the World Mine” (2008)
Um jovem gay encontra na montagem escolar de “Sonho de uma Noite de Verão” uma possibilidade fantástica de alterar o mundo ao redor. O filme de Tom Gustafson usa a magia para desorganizar certezas de uma comunidade hostil. O desejo de ser correspondido passa a conviver com perguntas sobre o poder de interferir nos sentimentos alheios.
7. “Canções de Amor” (2007)
Christophe Honoré acompanha relações afetivas em Paris, usando músicas de Alex Beaupain para atravessar desejo e luto. A história não se organiza como uma aventura de grandes números de palco: as canções entram na vida das personagens e em seus deslocamentos cotidianos. Novos vínculos surgem sem apagar os que vieram antes.
8. “Zero Patience” (1993)
John Greyson constrói uma fantasia musical que enfrenta o estigma da aids e a ideia de atribuir a epidemia a um único “paciente zero”. Humor, desejo e invenção confrontam uma narrativa de culpabilização. O filme é uma intervenção artística sobre memória e preconceito, não uma explicação científica literal da origem do HIV.
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