Tiago Rodrigues encontrou os dois últimos pontos de Portugal, e isso virou "Sopro", em cartaz no Sesc 14 Bis
A montagem brasileira do texto do português, dirigida por Marco Antonio Rodrigues, tem trilha original de Zeca Baleiro e seis atores em cena.
A temporada segue até 15 de novembro no Teatro Raul Cortez, com ingressos de R$ 18 a R$ 60 e sessões com Libras e audiodescrição em novembro.
Quando assumiu a direção artística do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, em 2015, Tiago Rodrigues descobriu que tinha no elenco de funcionários dois pontos profissionais, os dois últimos de Portugal. Dessa descoberta nasceu “Sopro”, peça que coloca no centro do palco a pessoa que trabalha para não ser vista.
O espetáculo está em cartaz em São Paulo, em montagem brasileira dirigida por Marco Antonio Rodrigues, no Teatro Raul Cortez, no Sesc 14 Bis. A temporada vai até domingo, 15 de novembro, com sessões de quinta a sábado às 20h e nos domingos e feriados às 18h. Os ingressos custam R$ 60, R$ 30 e R$ 18.
O que é um ponto
O ponto é o profissional que sopra as falas aos atores quando a memória falha, em geral escondido numa caixa junto à boca de cena. É uma função em extinção, e é dela que a peça trata.
O ponto de partida da dramaturgia é a imagem de uma mulher nas ruínas de um teatro onde trabalhou a vida inteira nessa função. Guardiã de um ofício que está desaparecendo, ela evoca memórias reais e inventadas, misturando histórias de coxia, fantasmas de artistas que passaram por ali e autores como Tchékhov, Racine e Molière.
A inspiração direta é Cristina Vidal, que foi ponto por quase três décadas no D. Maria II. Tiago Rodrigues descreveu a presença dela nos ensaios como “uma solenidade rigorosa de um samurai da palavra”. O relato em cena, segundo o autor, é “muito inspirado, mas muito transformado” a partir da vida dela e das centenas de profissionais de bastidor que passaram pelo teatro.
O objetivo, nas palavras dele, é “deslocar o olhar do espectador para quem está na sombra, numa espécie de homenagem aos bastidores, à máquina invisível que movimenta o visível no teatro”.
A peça que a pandemia impediu de chegar em 2020
A montagem europeia de “Sopro” deveria ter estreado no Brasil na 7ª edição da MIT, a Mostra Internacional de Teatro, em 2020, quando Tiago Rodrigues era o artista em foco do festival. A pandemia inviabilizou a vinda.
Seis anos depois, o texto chega em versão brasileira. “Sopro” estreou no Festival de Avignon e seguiu para o Teatro Nacional D. Maria II. Rodrigues venceu o Prêmio Europa Realidades Teatrais em 2018 e, desde setembro de 2022, dirige o próprio Festival de Avignon.
A montagem brasileira
Marco Antonio Rodrigues tem longa relação com o teatro português, com mais de 30 encenações feitas no país, que ele descreve como um oásis pela organização da cena, com apostas do Estado em estruturas coletivas e permanentes.
O elenco reúne Noemi Marinho, Amanda Acosta, Dagoberto Feliz, Nicolas Trevijano, Biah Ramos e Mada Rocco. A trilha sonora original é de Zeca Baleiro, com cenografia de Ulisses Cohn, luz de Aline Santini, figurinos de Cassio Brasil, som de Cecília Lüzs e visagismo de Dhiego Durso. A direção de produção é de Luís Henrique Luque Daltrozo.
São 105 minutos, classificação de 14 anos.
Sessões acessíveis
As sessões com tradução em Libras acontecem em 5 e 7 de novembro, às 20h, em 6 de novembro, às 15h, e em 8 de novembro, às 18h. As sessões com audiodescrição são em 7 de novembro, às 20h, e em 8 de novembro, às 18h.
Serviço
Sopro Sesc 14 Bis, Teatro Raul Cortez, Rua Doutor Plínio Barreto, 285, Bela Vista, São Paulo
Em cartaz até domingo, 15 de novembro de 2026 Quinta a sábado às 20h. Domingos e feriados às 18h Ingressos: R$ 60, R$ 30 e R$ 18 Vendas pela Central de Relacionamento do Sesc, pelo aplicativo Credencial Sesc e nas bilheterias das unidades 105 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Sala com 523 lugares
Libras em 5 e 7 de novembro, às 20h, 6 de novembro, às 15h, e 8 de novembro, às 18h Audiodescrição em 7 de novembro, às 20h, e 8 de novembro, às 18h
Texto: Tiago Rodrigues.
Direção: Marco Antonio Rodrigues Com Noemi Marinho, Amanda Acosta, Dagoberto Feliz, Nicolas Trevijano, Biah Ramos e Mada Rocco
Trilha sonora original: Zeca Baleiro.
Cenografia: Ulisses Cohn. Luz: Aline Santini
Figurinos: Cassio Brasil. Som: Cecília Lüzs.
Visagismo: Dhiego Durso
Direção de produção: Luís Henrique Luque Daltrozo.
Produção: Daltrozo Produções
Quem marca passa a ver as nossas matérias em destaque nas Principais Notícias do Google.