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Teatro Foyer

Solo sobre espelhos, filtros e padrões de beleza tem três últimas sessões gratuitas na Mário de Andrade

Solo sobre espelhos, filtros e padrões de beleza tem três últimas sessões gratuitas na Mário de Andrade
Foto: Otávio De Roque

Adaptação do livro de Liv Strömquist, "Na Sala dos Espelhos" fica em cartaz em 28 de setembro, 1º e 5 de outubro. Duas das sessões terminam em conversa, com Rosana Hermann e a neurocientista Natália Mota.

E se fosse possível olhar para o espelho sem procurar imediatamente o que precisa ser consertado? A pergunta move "Na Sala dos Espelhos", solo idealizado e protagonizado por Carolina Manica que cumpre sua quarta temporada em São Paulo, na Biblioteca Mário de Andrade. Restam três sessões: 28 de setembro, 1º e 5 de outubro, sempre às 19h. A entrada é gratuita, com ingressos distribuídos uma hora antes de cada apresentação.

Adaptado do livro homônimo da sueca Liv Strömquist, o espetáculo tem direção e adaptação de Michelle Ferreira e Maíra De Grandi. Carolina Manica foi indicada ao Prêmio APCA de melhor atriz em 2025 pela atuação na peça.

Duas gerações diante do mesmo espelho

Na trama, uma mãe percebe que a filha pré-adolescente, Nina, entra em crise com a própria aparência. Ao tentar criar uma menina feminista em um mundo caótico, ela convida a filha e o público a pensar sobre o mito da beleza e sobre as regras invisíveis que ensinam meninas e mulheres a se comparar e se corrigir.

Enquanto Nina entra na adolescência, a mãe atravessa outra transformação. São dois corpos em mudança diante do mesmo reflexo, o que permite à peça tratar de autoestima, envelhecimento, desejo, maternidade e da sensação permanente de estar sendo observada.

"Interpretar esta peça tem sido uma jornada", conta Carolina Manica. "No palco, falo sobre o olhar, a beleza, a cobrança, os padrões e prisões internas, mas fora dele, sou mãe de uma menina que começa a descobrir seu próprio reflexo. Percebi o quanto herdamos espelhos trincados, distorcidos por expectativas."

As diretoras resumem a aposta da montagem, que troca a reflexão puramente intelectual pela experiência física: "O que pode um corpo? No teatro, um corpo pode tudo."

A trilha sonora original é de Ava Rocha, em parceria com Grisa, com cenário e figurino de Fábio Namatame e iluminação de Caetano Vilela.

Jornalismo e neurociência no debate

Nesta temporada, quatro das seis sessões se estendem em conversas com convidadas de áreas diferentes, tratadas pela produção como parte da dramaturgia ampliada. Duas ainda acontecem.

Em 28 de setembro, Rosana Hermann discute papéis sociais e feminismo, a partir do que as telas fizeram com a relação de cada um com a própria imagem. Jornalista, escritora e roteirista, ela é bacharel em Física pela USP, atua na televisão desde 1983 e criou o blog pioneiro Querido Leitor.

Em 1º de outubro, a psiquiatra e neurocientista Natália Mota, pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, fala sobre saúde mental e narcisismo na sociedade digital, trazendo a perspectiva científica sobre como o cérebro reage à comparação e à aprovação social.

As conversas começam às 20h e são abertas ao público presente no espetáculo.

Serviço

Na Sala dos Espelhos Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo
Sessões restantes: 28 de setembro, 1º e 5 de outubro de 2026, às 19h Entrada gratuita, com ingressos distribuídos uma hora antes
Conversas após as sessões, às 20h: Rosana Hermann em 28 de setembro e Natália Mota em 1º de outubro
Duração: 50 minutos.
Classificação: 16 anos
Texto original: Liv Strömquist.
Direção e adaptação: Michelle Ferreira e Maíra De Grandi
Idealização e atuação: Carolina Manica

TeatroIsabel Branquinha

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