Descalços no Parque, último papel de Robert Redford no teatro, volta ao Rio
Robert Redford faria 90 anos em 18 de agosto de 2026. É o primeiro aniversário desde a morte dele, em 16 de setembro de 2025, aos 89 anos, em casa, no Estado de Utah. O obituário do The Guardian, assinado por Ronald Bergan, fecha com a linha seca do registro: nascido em 18 de agosto de 1936, morto em 16 de setembro de 2025.
Em outubro, a peça que ele estreou aos 27 anos entra em cartaz no Rio de Janeiro.
A ficha do Playbill Vault guarda o começo dessa história. Barefoot in the Park, de Neil Simon, abriu no Biltmore Theatre, na rua 47, em 23 de outubro de 1963, com direção de Mike Nichols. Robert Redford aparece ali como Paul Bratter, com a marcação de elenco original, ao lado de Elizabeth Ashley como Corie Bratter. A temporada foi até 25 de junho de 1967 e somou 1.532 apresentações. Redford não ficou para ver o fim.
A temporada premiou quase todo mundo
O bloco de prêmios da mesma ficha mostra o que aquele elenco rendeu. Mike Nichols ganhou o Tony de direção de peça em 1964. Elizabeth Ashley concorreu como atriz, o produtor Arnold Saint-Subber concorreu na categoria dele e a montagem concorreu como melhor peça. São quatro linhas, e o nome de Redford não está em nenhuma.
Era a primeira vez que Nichols dirigia Neil Simon, registra a coluna de efemérides do Playbill. Ao diretor, o encontro rendeu o Tony daquele ano. Ao ator, rendeu o último papel da vida dele no teatro.
Ele saiu no primeiro ano e não voltou
O Guardian é direto sobre o que veio depois: Redford ficou na peça durante o primeiro ano dos quatro que ela passou em cartaz, e nunca mais trabalhou no teatro. A Broadway.com, no obituário assinado por Michael Appler, descreve Paul Bratter da mesma forma, como o último papel dele nos palcos de Nova York.
A ficha do Playbill Vault mostra a fila que se formou atrás dele. Joel Crothers, Robert Reed e Tony Roberts assumiram Paul Bratter como substitutos. Ilka Chase, Eileen Heckart e Sylvia Sidney passaram por Mrs. Banks, a mãe da noiva. Judd Hirsch entrou como o homem do telefone.
Antes de Barefoot in the Park, Redford tinha feito outras quatro produções na Broadway, conta a Broadway.com: Tall Story (1959), The Highest Tree (1959), Little Moon of Alban (1960) e Sunday in New York (1961). Foi na quarta delas que o crítico Howard Taubman, do The New York Times, reparou nele.
"O sr. Redford tem charme pessoal. Ele vai virar um galã de matinê se não tomar cuidado", escreveu Taubman na crítica de Sunday in New York, em trecho reproduzido pela Broadway.com e traduzido pela redação.
Em 1967 ele repetiu Paul Bratter no cinema, ao lado de Jane Fonda. Mesmo personagem, ofício diferente.
O texto chegou ao Brasil antes do filme
A comédia não esperou Hollywood para atravessar o equador. A Enciclopédia Itaú Cultural registra Descalços no Parque no Teatro Maison de France, no Rio de Janeiro, em 10 de junho de 1964. A tradução era de Tati de Moraes e a direção, de Ziembinski, que também estava em cena. Cecil Thiré e Helena Ignez faziam o casal, e Helena Ignez consta na ficha como Corie Bratter. A cenografia era de Napoleão Moniz Freire e a produção, de Oscar Ornstein.
De 23 de outubro de 1963 a 10 de junho de 1964 são menos de oito meses. A conta é desta redação, com as duas datas acima.
Outros títulos da Broadway fizeram o mesmo percurso, e continuam fazendo: Miguel Falabella estrelou Uma Coisa Engraçada Aconteceu a Caminho do Fórum por aqui. O material divulgado pela produção atual lembra ainda uma remontagem de 1990, com Lidia Brondi e Thales Pan Chacon, tradução de Flavio Marinho e direção de Ricardo Waddington.
O que sobe no Clara Nunes em outubro
Guilherme Weber assina idealização, tradução, adaptação e direção artística da montagem nova, com direção residente de Camille Frambach. No elenco estão Larissa Manoela, André Luiz Frambach, Flávia Reis e Claudio Mendes. Os dois primeiros são casados na vida real e dividem um palco pela primeira vez. Ela voltou aos palcos em A Noviça Rebelde, ao lado de Malu Rodrigues.
A adaptação troca o endereço da peça. Lara e Edu voltam da lua de mel no Copacabana Palace para um apartamento alugado no Catete, no Rio dos anos 1950, com trilha de bossa nova e samba canção. O prédio sem elevador continua lá. A sogra também.
"Astuta e hilária, Descalços no Parque explora os descalabros da intimidade, a distância entre o autoengano e a verdade e o quão engraçada é a vida a dois quando podemos ter uma certa distância para observá-la", diz o diretor Guilherme Weber no material divulgado pela produção.
No Rio, tudo isso acontece no Teatro Clara Nunes, na Gávea. Depois da temporada carioca, a peça segue para São Paulo em 2027.
Redford ficou um ano com Paul Bratter e passou o resto da vida em outro ofício. O personagem seguiu sem ele. Em outubro, no Catete, atende por Edu.
Serviço
Descalços no Parque, de Neil Simon, com direção de Guilherme Weber
Rio de Janeiro: Teatro Clara Nunes, Rua Marquês de São Vicente 52, Gávea. De 8 de outubro a 29 de novembro de 2026, de quinta a sábado às 20h e domingo às 19h.
São Paulo: Teatro Liberdade, Rua São Joaquim 129. De 4 de março a 25 de abril de 2027, de quinta a sábado às 20h e domingo às 17h.
Duração de 120 minutos, com intervalo. Classificação de 12 anos.
Ingressos no Rio: plateia a R$ 220 (inteira) e R$ 110 (meia); balcão a R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia); balcão popular a R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).
Ingressos em São Paulo: plateia premium a R$ 220 (inteira) e R$ 110 (meia); plateia a R$ 180 (inteira) e R$ 90 (meia); balcão popular a R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).
Vendas online e nas bilheterias dos dois teatros. Valores conforme a ficha divulgada pela produção.


