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Robert Pattinson vive Chris Hansen em "Primetime", thriller da A24 que estreia em Veneza

Robert Pattinson vive Chris Hansen em ”Primetime”, thriller da A24 que estreia em Veneza
Foto: Divulgação/A24

Dirigido por Lance Oppenheim, o filme revisita "To Catch a Predator", programa que colocou jornalismo, polícia e humilhação pública no mesmo estúdio. A première mundial acontece em 5 de setembro, na competição oficial do festival.

Robert Pattinson de terno, cabelo penteado e postura de apresentador, diante de um homem que acaba de entrar numa casa cheia de câmeras escondidas. É essa cena, repetida às centenas na TV americana dos anos 2000, que a A24 reconstrói em "Primetime", thriller que o ator protagoniza e produz. O filme tem première mundial em 5 de setembro, na competição oficial do Festival de Veneza, e chega aos cinemas dos Estados Unidos no dia 25. Ainda não há data anunciada para o Brasil.

Pattinson interpreta Chris Hansen, o jornalista que ficou conhecido pelas edições de "To Catch a Predator" exibidas no Dateline NBC. Dirigido por Lance Oppenheim, com roteiro de Ajon Singh, o longa parte de uma pergunta incômoda: o que acontece quando investigar alguém também precisa render boa televisão? Completam o elenco Merritt Wever, Skyler Gisondo, Phoebe Bridgers, Matthew Maher e Bokeem Woodbine.

Quando a indignação virou audiência

Criado em 2004 a partir de uma parceria entre o Dateline NBC e a organização Perverted Justice, o programa usava voluntários que se passavam por adolescentes em salas de bate-papo para atrair homens adultos interessados em encontros sexuais com menores. Quando eles chegavam ao endereço combinado, encontravam uma casa equipada com câmeras e, logo depois, Hansen, que os confrontava com as transcrições das conversas nas mãos. Do lado de fora, policiais frequentemente aguardavam para efetuar prisões.

As primeiras ações ultrapassaram 8 milhões de espectadores. A emissora não apenas registrava a operação: ajudava a montar o cenário, trabalhava com os responsáveis pelos perfis falsos e transformava o confronto em acontecimento televisivo. O processo judicial poderia vir depois. A condenação pública era imediata.

O caso que colocou o formato em xeque

O filme é inspirado, entre outras fontes, na reportagem de Luke Dittrich publicada pela revista Esquire em 2007 sobre uma operação realizada no ano anterior em Murphy, no Texas. Entre os investigados estava Louis William Conradt Jr., promotor assistente que havia conversado online com alguém que acreditava ser menor de idade.

Conradt não foi até a casa preparada pelo programa. Policiais foram à residência dele para efetuar a prisão, acompanhados por uma equipe ligada ao Dateline, e ele morreu por suicídio. Os demais casos daquela operação não tiveram prosseguimento judicial, e a família de Conradt processou a NBC. A discussão deixou de girar apenas em torno da intenção dos homens abordados e passou a incluir outra pergunta: até onde um programa de televisão pode participar da investigação que pretende registrar?

Um documentarista estreia na ficção

A escolha do diretor indica que "Primetime" não pretende ser uma cinebiografia. Oppenheim construiu a carreira no documentário, com trabalhos como "Some Kind of Heaven", sobre uma comunidade de aposentados na Flórida, "Spermworld", sobre um mercado informal de doadores de esperma, e a série "Ren Faire". Este é seu primeiro longa de ficção. Ao apresentar o filme em Veneza, ele resumiu seu interesse pelo tema ao momento em que a indignação moral virou televisão obrigatória.

O Hansen real comprou publicidade antes do filme

O apresentador não participou da produção e afirma ter tomado conhecimento da dimensão do projeto quando Pattinson já aparecia no material promocional. Convidado para uma sessão privada, não assistiu ao filme depois de se recusar a assinar um acordo de confidencialidade, alegando que o documento poderia comprometer direitos de imagem. Pessoas ligadas à produção sustentam que se tratava de procedimento padrão. Hansen tem insistido que o longa seja tratado como dramatização, e não como reprodução literal de sua trajetória.

Ele também soube aproveitar a exposição: comprou espaço publicitário para exibição antes de sessões do filme, promovendo a TruBlu, plataforma em que apresenta novas operações contra supostos predadores. O público vai ao cinema ver Pattinson interpretar Chris Hansen e encontra o próprio Hansen antes de a projeção começar.

Antes das redes, já existia a lógica da exposição

"To Catch a Predator" terminou em 2007, antes do Instagram, do TikTok e da economia de creators. Ainda assim, sua gramática soa familiar: alguém é confrontado, uma câmera registra, o material é apresentado como evidência e o público participa da condenação social. Nas décadas seguintes, criadores passaram a realizar operações próprias contra supostos predadores para o YouTube, enquanto autoridades alertam que ações amadoras podem comprometer investigações e provas.

O programa combinava uma causa capaz de gerar indignação legítima com uma estrutura dependente de audiência. Era possível condenar o que se via e continuar assistindo. Hoje não é mais preciso esperar o horário nobre para encontrar a próxima exposição pública.

Quando estreia "Primetime"

Première mundial em 5 de setembro de 2026, na competição oficial do Festival de Veneza. Estreia nos cinemas dos Estados Unidos em 25 de setembro. Sem data confirmada no Brasil.

Quem aparece nesta matériaRobert Pattinson
CinemaIsabel Branquinha

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