Ragtime bate o recorde do Lincoln Center Theater e fecha a temporada limitada em 16 de agosto
O revival de Ragtime faz a última apresentação na Broadway em 16 de agosto, três semanas depois de assinar a maior bilheteria semanal da história do Lincoln Center Theater. Na semana encerrada em 26 de julho, o espetáculo arrecadou US$ 1.625.400, com a casa 100% ocupada e ingresso médio de US$ 192,95, segundo os números da Broadway League. O FOYER publicou o recorde em 31 de julho, na semana em que a avenida inteira somou US$ 34.864.840.
Bater recorde e baixar a cortina no mês seguinte soa como contradição, mas a temporada já tinha data para acabar desde o primeiro anúncio.
Catorze semanas e três prorrogações
O Lincoln Center Theater vendeu Ragtime como temporada limitada de 14 semanas. A estreia oficial foi em 16 de outubro de 2025, no Vivian Beaumont. A procura esticou o cartaz duas vezes: primeiro até 14 de junho, depois até 2 de agosto, extensão anunciada pela própria casa em 23 de março. A terceira prorrogação, de mais duas semanas, saiu em 9 de junho, logo depois dos quatro prêmios Tony conquistados em 7 de junho, entre eles o de melhor revival de musical.
O calendário do Beaumont também não tem folga. Companhia sem fins lucrativos, o Lincoln Center Theater anuncia a temporada inteira com antecedência, e a sala já tem o próximo inquilino. A Few Good Men, primeiro revival do texto de Aaron Sorkin na Broadway, com Bradley Whitford e Tom Blyth sob direção de Michael Arden, começa em 8 de outubro. Depois dele vem The Sound of Music, a partir de 23 de março de 2027.
O recorde é o teto da sala
Os US$ 1.625.400 saíram de uma semana com 100% de ocupação: não sobrava poltrona para vender. Nos mesmos sete dias, O Rei Leão arrecadou US$ 2.428.755, com uma nona sessão extra no calendário e ingresso médio de US$ 162,70. Vendeu mais barato que Ragtime e faturou mais, porque tem mais cadeiras para vender.
A ficha de elenco publicada pelo Lincoln Center Theater traz 43 nomes. O custo semanal de manter isso em cartaz a companhia não divulga. O que decide quanto tempo a conta fica de pé é o teto de arrecadação da sala. Musicais de temporada aberta, como Wicked, que passou dos 20 anos em cartaz, jogam outro jogo.
Nem a explicação fácil do verão americano fraco colou nesta temporada. Na semana do recorde, a Broadway cresceu 12,5% sobre os sete dias anteriores e a ocupação média subiu para 94,06%, com 30 espetáculos em cartaz. O mercado estava aquecido. O que terminou foi o contrato de temporada.
É a mesma lógica da conta de quanto custa montar um musical no Brasil: o ponto de equilíbrio de um espetáculo grande se resolve no número de cadeiras à venda.
A montagem, de todo modo, não acaba em 16 de agosto. A produção anunciou em 29 de abril uma turnê norte-americana para o segundo semestre de 2027, com abertura no Shea's Buffalo Theatre, em Buffalo.
"Ragtime é um dos musicais mais ambiciosos já escritos, e parece mais atual do que nunca", afirmaram os produtores Tom Kirdahy, Kevin Ryan, Robert Greenblatt e Lamar Richardson, em comunicado distribuído pela produção.
Quem quiser ver o revival premiado no palco onde ele bateu o recorde tem duas semanas.


