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Broadway fatura US$ 34,8 milhões em uma semana e “Ragtime” bate o recorde histórico do Lincoln Center

Broadway fatura US$ 34,8 milhões em uma semana e “Ragtime” bate o recorde histórico do Lincoln Center
Foto: Epicgenius/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Broadway somou US$ 34.864.840 na semana encerrada em 26 de julho, alta de 12,5% sobre os sete dias anteriores, segundo o balanço publicado pela Playbill em 28 de julho. Foram 273.061 espectadores pagando para ver os 30 espetáculos em cartaz. No meio deles, um marco: o revival de Ragtime arrecadou US$ 1.625.400 e registrou a maior semana de bilheteria da história do Lincoln Center Theater.

O que dá o tamanho do momento é o conjunto. Com uma única exceção, todas as peças e musicais da avenida venderam mais do que na semana anterior, ainda de acordo com a Playbill. A Deadline puxou a mesma linha por outro número: o público cresceu 7% de uma semana para a outra e ficou 11% acima do mesmo período da temporada passada. Passada a ressaca tradicional do feriado de 4 de Julho, a Broadway voltou a vender com força.

Quem puxou a fila

O topo da lista tem nomes conhecidos. O Rei Leão, da Disney, liderou a semana com US$ 2.428.755, ajudado por uma nona apresentação extra no calendário. Hamilton veio logo atrás, com US$ 2.341.119. E o revival de A Morte do Caixeiro-Viajante, de Arthur Miller, com Nathan Lane e Laurie Metcalf sob direção de Joe Mantello, faturou US$ 2.234.252 fazendo apenas sete sessões, o que diz muito sobre o preço que o público aceita pagar para ver os dois em cena.

Completam os cinco primeiros MJ, o musical de Michael Jackson, com US$ 1.933.319, e Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, com US$ 1.887.297. Ao todo, 15 dos 30 espetáculos passaram de US$ 1 milhão na semana, um clube que inclui veteranos como Wicked, Aladdin e Moulin Rouge!.

Por que "Ragtime" virou a história da semana

O caso de Ragtime interessa a quem olha o negócio. O musical de Terrence McNally, Lynn Ahrens e Stephen Flaherty, vencedor de quatro prêmios Tony em 2026, incluindo o de melhor revival de musical, ocupa o Vivian Beaumont Theater em temporada limitada. A produção já foi prorrogada três vezes e sai de cartaz em 16 de agosto, segundo a Deadline. Quanto mais perto do fim, mais cara a poltrona: o ingresso médio pago na semana foi de US$ 192,95, atrás apenas de Hamilton (US$ 217,91) e do próprio Caixeiro-Viajante (US$ 212,79).

A conta é simples: oferta com prazo para acabar, procura crescendo. Com US$ 1.625.400 em sete dias e 100% das poltronas ocupadas, a montagem quebrou o recorde que ela mesma havia estabelecido na casa, o maior valor semanal desde que o Lincoln Center Theater existe.

A pressa de quem vai embora

Aviso de despedida virou combustível de bilheteria em mais de um endereço. Cats: The Jellicle Ball, revival do clássico, anunciou o encerramento antecipado para 8 de agosto e viveu na sequência sua melhor semana: US$ 1.189.431, um salto de US$ 365.460 sobre a semana anterior, conforme a Playbill. Já Joe Turner's Come and Gone, de August Wilson, com direção de Debbie Allen, fechou sua temporada de quatro meses em alta, com US$ 1.183.148 e 99% de ocupação na última semana no Ethel Barrymore.

Houve ainda o efeito Meg Stalter. De volta ao papel-título de Oh, Mary! depois de faltar a algumas sessões por doença, a atriz recolocou a comédia no regime de casa cheia: US$ 1.078.641 no Lyceum, praticamente tudo vendido, segundo a Deadline. Nem todo mundo surfou a onda: o revival de The Rocky Horror Show ficou atrás dos colegas que estrearam na primavera, no balanço da Deadline.

A régua de uma temporada recorde

Na média, cada ingresso saiu por US$ 127,68, US$ 6,42 a mais do que sete dias antes, e 21 das 30 produções ocuparam 90% ou mais das poltronas. Os números chegam depois de uma temporada 2025-26 que terminou em maio com US$ 1,91 bilhão de receita e 14,6 milhões de espectadores, segundo a Broadway League. Foi mais um recorde de bilheteria, o maior faturamento de uma temporada na história da Broadway, como registrou a BroadwayWorld ao fechar a conta.

Para o leitor brasileiro, a comparação ajuda a dimensionar o mercado que serve de referência aos nossos produtores. Por aqui, a montagem mais cara de que se tem registro, O Fantasma da Ópera de 2018, custou R$ 45,3 milhões no total, como contamos no guia sobre quanto custa montar um musical no Brasil. É o orçamento de anos de um projeto inteiro, num país que ainda assim disputa a fama de terceiro maior produtor de teatro musical do mundo. Lá, uma semana morna de verão paga isso com folga; a diferença está menos no talento e mais no tamanho do público pagante e no preço que ele aceita.

Agosto começa com duas despedidas marcadas, um recorde na mesa e a temporada 2026-27 já em andamento. Para quem acompanha o dinheiro do teatro, vale ficar de olho: quando o verão vende assim, a régua do ano seguinte já sobe junto.

NotíciaPedro Amaral

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