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"O Último Tango" leva a São Paulo um viúvo de 80 anos, um professor sem casa e quatro sessões gratuitas

A montagem da companhia brasiliense Criaturas Alaranjadas, com direção de Sérgio Maggio, fica no Teatro Arthur Azevedo, na Mooca, de 19 a 22 de novembro, com entrada gratuita.

”O Último Tango” leva a São Paulo um viúvo de 80 anos, um professor sem casa e quatro sessões gratuitas
Foto: Caio Marins

A temporada vem acompanhada de aulão de tango na rua, exposição de fotos, oficina para pessoas na maturidade e debate, tudo de graça.

Antônio é viúvo, tem mais de 80 anos, perde a memória e vive sob a pressão dos filhos. Guarda uma promessa feita à mulher, Elvira: aprender a dançar tango e conhecer Buenos Aires. Manoel é artista, não tem residência fixa, enfrenta dificuldades financeiras e ensina tango em praça pública.

É do encontro dos dois que trata “O Último Tango”, espetáculo da companhia brasiliense Criaturas Alaranjadas que faz curta temporada em São Paulo, no Teatro Arthur Azevedo, no Alto da Mooca, de 19 a 22 de novembro. Os ingressos são gratuitos, retirados na bilheteria uma hora antes de cada sessão.

São quatro apresentações: de quinta, 19, a sábado, 21, às 20h, e no domingo, 22, às 19h. A duração é de 70 minutos, com classificação de 12 anos.

Dois homens e uma promessa

Miqueias Paz interpreta Antônio e Jones Abreu Schneider faz Manoel. O texto, inédito, é de Santiago Serrano, em tradução de Carmem Moretzsohn, com direção de cena de Sérgio Maggio.

A música é executada ao vivo por Janaina Sabino, no piano digital, e Pedro Tupã, na percussão, combinando tango e canções de matriz africana. O espetáculo é atravessado por um vídeo-dança assinado pela cineasta Catarina Accioli, filmado numa reserva natural do Distrito Federal com os bailarinos Lenna Siqueira e Dilo Paulo, da Cia. Corpus entre Mundos. A preparação e as coreografias de tango são de Paulo Pivetta.

O que o espetáculo discute

A produção descreve o trabalho como uma costura de temas: finitude, etarismo, intolerância religiosa, homofobia e, nas palavras da própria companhia, as contradições de um tempo que flerta com o fascismo. O eixo é a capacidade de reinvenção em qualquer idade e a autonomia na terceira idade.

“Entendemos o teatro como uma potente arte de desestruturar preconceitos”, afirma Jones Abreu Schneider, que tem 40 anos de palco. “É um projeto de fôlego, uma itinerância inédita que parte da montagem teatral e dialoga com multilinguagens como a dança e a fotografia, com o objetivo de pautar o envelhecimento e suas consequências.”

Para o crítico Rodrigo Ferret, da Crítica em Cena, a peça trata de etarismo, homofobia, racismo e racismo religioso “de uma forma profunda e ao mesmo tempo leve, com muita emoção, mas também com bom humor”.

Quatro dias de atividades gratuitas

A temporada vem com um programa paralelo, todo com entrada franca.

Exposição “Corpos que Dançam não Envelhecem”. No foyer do teatro, durante toda a temporada. A fotógrafa Nityama Macrini retratou bailarinos na maturidade para desmontar a ideia de que a dança pertence ao corpo jovem. Posaram Yara de Cunto, Gisèle Santoro, Lenora Lobo, Luciana Lara e o moçambicano Idio Chichava.

Aulão de tango. Sexta, 20 de novembro, das 17h às 18h, na entrada externa do teatro. Aberto a quem passar, sem limite de idade. Vale notar que é feriado nacional, o que facilita para quem quiser aparecer no fim da tarde.

Oficina de jogos para pessoas na maturidade. Sábado, 21, das 17h às 18h, conduzida por Jones Abreu Schneider, voltada a criatividade, memória e socialização.

Debate “A Arte Contra o Etarismo”. Domingo, 22, às 17h, sobre memória e experiências de envelhecimento em populações vulneráveis.

O projeto inclui ainda uma ação de formação de plateia em escola pública, em três etapas: os artistas visitam a escola, os estudantes vão ao teatro e depois dão retorno sobre a experiência.

De onde vem a montagem

“O Último Tango” recebeu o Prêmio de Estímulo ao Teatro da Funarte em 2022, estreou no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília em 2023 e percorreu seis cidades do Distrito Federal. Segundo a produção, foi visto por mais de 5 mil pessoas em 40 sessões.

A Criaturas Alaranjadas nasceu em 2007, no encontro entre Sérgio Maggio e Jones Abreu Schneider, e esta itinerância abre as comemorações dos 20 anos da companhia, que se completam em 2027. O grupo pesquisa teatro musical popular brasileiro e já foi indicado aos prêmios Bibi Ferreira e Reverência. O projeto foi contemplado pelo Fundo de Apoio à Cultura do Governo do Distrito Federal.

Serviço

O Último Tango Teatro Arthur Azevedo, Avenida Paes de Barros, 955, Alto da Mooca, São Paulo

De quinta, 19, a sábado, 21 de novembro de 2026, às 20h. Domingo, 22, às 19h Ingressos gratuitos, retirada na bilheteria uma hora antes de cada sessão 70 minutos. Classificação indicativa: 12 anos Teatro acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Atividades gratuitas: exposição no foyer durante a temporada, aulão de tango na sexta, 20, das 17h às 18h, oficina no sábado, 21, das 17h às 18h, e debate no domingo, 22, às 17h

Direção de cena: Sérgio Maggio. Dramaturgia: Santiago Serrano. Tradução: Carmem Moretzsohn Com Miqueias Paz e Jones Abreu Schneider Música ao vivo: Janaina Sabino e Pedro Tupã Direção de imagens: Catarina Accioli. Cenografia: Maria Carmem de Souza Coreografia cênica: Dilo Paulo. Coreografias de tango: Paulo Pivetta Luz original: Rodrigo Lélis. Iluminação da itinerância: Gabriel Martins Produção: Criaturas Alaranjadas. Produção local: Ana Nero

TeatroIsabel Branquinha
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