O musical sobre "O Pianista" usa as canções que Szpilman escreveu, não só o Chopin que ele tocou
Adaptação das memórias de Władysław Szpilman estreou em 15 de outubro no Park Theatre, em Londres, com Daniel Krikler no papel principal e direção de Thom Southerland.
A temporada vai até 28 de novembro, e os arranjos são de Simon Lee.
A história que o cinema levou ao mundo em “O Pianista” chegou aos palcos de Londres com uma diferença central: parte da trilha foi escrita pelo próprio homem que a viveu.
“The Pianist” começou as apresentações em 15 de outubro no Park Theatre, com Daniel Krikler como o pianista e compositor polonês Władysław Szpilman. A adaptação e a direção são de Thom Southerland, a noite oficial para a imprensa é 22 de outubro e a temporada segue até 28 de novembro.
A montagem não adapta o longa de Roman Polanski. Volta às memórias que Szpilman escreveu depois da Segunda Guerra Mundial, o mesmo relato que décadas mais tarde serviu de base ao filme de 2002 com Adrien Brody. A diferença está na música: o espetáculo usa composições do próprio Szpilman, com novos arranjos e orquestrações de Simon Lee, colaborador de longa data de Andrew Lloyd Webber.
Quinhentas canções além do Noturno
Para boa parte do público internacional, Szpilman permanece associado ao piano e a Frédéric Chopin. A associação tem fundamento histórico. Em 23 de setembro de 1939, enquanto Varsóvia era bombardeada pelas forças alemãs, ele tocava o Noturno em dó sustenido menor de Chopin em uma transmissão da Rádio Polonesa. Pouco depois, a emissora saiu do ar.
Mas a carreira dele não se limitava à interpretação. Szpilman foi um compositor prolífico, responsável por cerca de 500 canções populares, além de música clássica e de peças para rádio, teatro e cinema. Muitas dessas canções ficaram conhecidas na Polônia.
É esse lado menos difundido que a montagem procura recuperar. A trilha inclui composições dele, listadas pela produção como “I'm Lost in This Moment”, “True and Tender”, “Memories of You”, “Once in a While” e “Someday We Will Love Again”, além do Noturno de Chopin associado à sua biografia.
Havia um artista antes do sobrevivente
A montagem usa atores-músicos para reconstruir a vida cultural de Varsóvia e a família de Szpilman antes e durante a ocupação nazista. Malcolm Forbes-Peckham atua como pianista e diretor musical, enquanto a companhia assume personagens e instrumentos ao longo da narrativa.
A escolha permite recuperar o que normalmente fica em segundo plano quando essa história é recontada: havia uma carreira, uma família e uma vida artística antes de a identidade dele passar a ser definida internacionalmente pela sobrevivência.
Szpilman era judeu e trabalhava na Rádio Polonesa quando a Alemanha invadiu o país, em 1939. Durante a ocupação, foi confinado no gueto de Varsóvia. Seus pais, o irmão e as duas irmãs foram deportados e mortos durante o Holocausto. Ele escapou da deportação e sobreviveu escondido em diferentes endereços da cidade. Nos meses finais da guerra, foi encontrado pelo oficial alemão Wilm Hosenfeld, que, em vez de denunciá-lo, passou a ajudá-lo com comida.
Depois da guerra, Szpilman voltou à Rádio Polonesa e retomou a carreira como pianista e compositor. Morreu em 2000, aos 88 anos.
A comparação inevitável com o filme
Dois anos depois da morte dele, Polanski levou as memórias ao cinema. “O Pianista” recebeu sete indicações ao Oscar de 2003 e venceu três: melhor ator para Adrien Brody, melhor direção para Polanski e melhor roteiro adaptado para Ronald Harwood.
A força daquele filme torna a comparação inevitável para qualquer nova adaptação. A montagem teatral tenta se deslocar dessa disputa apostando justamente no que o cinema não colocou no centro, que é a obra escrita por Szpilman e que continuou existindo depois da guerra.
A produção chega a Londres depois de uma curta temporada realizada em setembro no Mayflower Studios, em Southampton.
Serviço
The Pianist Park Theatre, Londres
cartaz desde 15 de outubro de 2026, até 28 de novembro
Noite de imprensa: 22 de outubro
Adaptação e direção: Thom Southerland
Música: Władysław Szpilman.
Arranjos, orquestrações e supervisão musical: Simon Lee Direção musical: Malcolm Forbes-Peckham
Com Daniel Krikler como Władysław Szpilman
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