Mostra de SP na 50ª edição: série de Salles, sessão grátis e quem paga a conta

São 391 títulos até 29 de outubro, curta de Kleber Mendonça Filho e permanente de R$ 640; a edição tem Petrobras, Itaú e Lei Rouanet, mas não divulga o orçamento

Cartaz da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, desenhado pelo cineasta James Gray
Cartaz da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, desenhado pelo cineasta James Gray — Arte: James Gray / Divulgação Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

A Mostra Internacional de Cinema em São Paulo chega ao primeiro fim de semana da 50ª edição, em 17 e 18 de outubro, com 391 títulos de mais de 90 países em cartaz até o dia 29. O número saiu com a programação completa, em 9 de outubro. O release de 3 de outubro trazia 380, em 57 salas. SBT News e Viva publicaram 392 nos dias 14 e 15.

A abertura para convidados foi em 14 de outubro, na Sala São Paulo, com Tigre de Papel, de James Gray, e um curta de oito minutos de Kleber Mendonça Filho. Na grade estão a Palma de Ouro deste ano, Fjord, de Cristian Mungiu, e o Leão de Ouro de Veneza, Mulher Desconhecida, de May el-Toukhy, dois dos 21 filmes da programação que disputam vaga no Oscar de filme internacional. “O Intruso”, da Universal, passa por ali antes da estreia de 26 de novembro.

Leon Cakoff criou a Mostra em 1977, em plena ditadura, e no começo quem dava os prêmios era o público. “Saíram até matérias de que o único lugar onde se podia votar no Brasil era na Mostra”, contou a diretora Renata de Almeida ao portal Viva, em entrevista publicada em 15 de outubro. Renata entrou na equipe em 1989, na 13ª edição, e assumiu a direção quando Cakoff morreu, em 14 de outubro de 2011, uma semana antes da abertura da 35ª. Em 49 anos, segundo o release desta edição, o festival exibiu 11.692 filmes de 8.474 cineastas.

Na mesma entrevista, Renata disse que às vezes briga com diretores e produtores brasileiros que querem pré-estreia cheia de convidados. “O principal da Mostra é o público, porque ninguém faz só filmes para os amigos”, afirmou. No editorial da 50ª, ela escreveu que “datas redondas são perigosas porque criam expectativas” e que, “temerosos, até exageramos nas realizações”. O livro de memórias dela, “Antes Que Eu Me Esqueça”, lançado pela Cosac nesta edição, tem prefácio de Walter Salles.

A série de Salles e o curta de Kleber

Em 15 de outubro, segundo o Jornal da Mostra, Salles conversou com James Gray depois da primeira sessão de “Tigre de Papel” aberta ao público, na Sala Petrobras do Solar Fábio Prado. No dia 23, o assunto será o trabalho dele. A sessão está marcada para as 18h15, nas salas 2 e 3 do Espaço Petrobras de Cinema, na Rua Augusta, com os dois primeiros episódios de Sócrates Brasileiro. A série documental é sobre Sócrates, meia do Corinthians e da seleção, formado em medicina, que morreu em 2011. A conversa com o público vem depois da sessão. É o primeiro trabalho de Salles desde que Ainda Estou Aqui deu ao Brasil o Oscar de filme internacional, em março de 2025.

Os dois episódios somam 140 minutos e ainda estão em finalização. O primeiro, “Raio de Ouro”, percorre a infância e a adolescência de Sócrates, de Belém a Ribeirão Preto, e passa pela migração interna e pelo golpe de 1964. O segundo, “Ganhar ou perder, mas sempre com democracia”, parte da chegada ao Corinthians, em 1978, e do encontro com Wladimir, Zé Maria, Casagrande e Zenon para contar a Democracia Corinthiana. A sinopse da Mostra abre com o nome de batismo: “Que país era esse em que jovens pais autodidatas, ambos funcionários públicos, nomearam seu primeiro filho ‘Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira’?”.

A ficha técnica dá a série como produção da Globoplay, com coprodução da VideoFilmes, de Salles, e da Anonymous Content Brazil; a sinopse fala em cinco episódios. Quando o projeto foi apresentado no Rio2C, em 26 de maio, a previsão era de quatro capítulos e estreia direta na plataforma em outubro, informou o Pipoca Moderna. A página da Mostra não traz data de estreia. “Acompanhamos o Oscar, e que privilégio a gente conviver com o Walter Salles para deixar o legado do Sócrates ainda mais forte”, disse Raimar, irmão do jogador. A fala saiu em março de 2025 na Rolling Stone Brasil e na agência Ansa, que citam o Globo Esporte.

O curta da abertura, Sul de Teerã, foi filmado em 16 mm por Evgenia Alexandrova, em Nova York, em outubro de 2025. Kleber e o iraniano Jafar Panahi levavam então ao festival da cidade O Agente Secreto e Foi Apenas um Acidente. O filme acompanha Panahi pela cidade enquanto ele fala da carreira e da perseguição que sofre no Irã. O convite partiu de Dennis Lim, diretor artístico do Festival de Nova York, onde o curta estreou. “Jafar e eu estávamos quase sempre juntos”, escreveu Kleber no Instagram em 6 de agosto, segundo a Folha de Pernambuco e A Crítica. No mesmo post, ele relatou que chamou o colega com um “Jafar, vamos fazer um filme!” e ouviu “Vamos!”. O curta volta em 27 de outubro, às 21h, na Cultura Artística, na sessão de “Tigre de Papel”.

O release conta mais de 70 obras brasileiras na seleção. Feito Pipa, de Allan Deberton, Urso de Cristal em Berlim, é o filme que o Brasil escolheu para tentar uma vaga no Oscar 2027. A Margem do Rio, de Matheus Farias e Enock Carvalho, chega com o Prêmio Especial do Júri de Locarno. Na Mostra em Série, a mesma seção de Salles, Leve Chico, de Marianna Brennand, entrega canções de Chico Buarque a outras vozes.

Quanto custa uma sessão

De sexta a domingo, o ingresso avulso custa R$ 32, com meia de R$ 16. De segunda a quinta, cai para R$ 26 e R$ 13. No dia da sessão, sobra uma cota pequena na bilheteria.

A venda avulsa abre pelo aplicativo da Mostra e pelo site da Velox quatro dias antes de cada sessão, às 9h. Quem tem pacote ou permanente troca o ingresso um dia antes. Pela divisão de cotas, a troca dos credenciados pode ficar com até 60% dos lugares.

O pacote de 40 ingressos saía por R$ 440, ou R$ 11 por filme, cerca de um terço da inteira de fim de semana. Em 17 de outubro, estava esgotado. Também acabaram o pacote de 20 e a permanente especial, que vale de segunda a sexta até as 17h55. Segue à venda a permanente integral, de R$ 640, para qualquer dia e horário, sessões especiais incluídas.

A entrada é gratuita nas salas do Circuito Spcine em 26 CEUs e no Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes, segundo a Prefeitura. No Centro Cultural São Paulo e no Spcine Olido, da mesma rede, o ingresso custa R$ 4 ou R$ 2. Também não se paga no Itaú Cultural, no Cinusp, no Teatro Sérgio Cardoso e no Bulevar do Rádio, do Sesc Paulista. No IMS Paulista, a primeira sessão do dia é de graça.

Na 3ª Mostrinha, para crianças e adolescentes, são 21 filmes de 20 países em 118 sessões, gratuitas nos CEUs. Alunos da rede municipal têm transporte até essas salas, com apoio da Secretaria Municipal de Turismo e da Spcine.

Quem paga a conta

A lista de quem banca a 50ª edição junta uma estatal, um banco, o Sesc e os três níveis de governo. A Petrobras é a patrocinadora master; o Itaú, patrocinador. O Sesc, parceiro desde a primeira edição, segundo o release, tem a parceria institucional. A Prefeitura é parceira, com a Spcine, e o governo paulista entra com fomento do ProAC. A realização é do Ministério da Cultura, pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet. Ela permite a empresas e pessoas abater do Imposto de Renda, no todo ou em parte, o valor aplicado em projetos aprovados pelo ministério. Embratur e Netflix colaboram, e o Projeto Paradiso apoia.

Há ainda os patronos, pessoas e empresas listadas em quatro faixas no site. Na primeira, a Plano Sequência, estão André Novis, Isay Weinfeld e a VideoFilmes, a produtora de Salles.

A Mostra não publica, no site nem no release, o custo da edição nem o valor captado pela lei.

A Netflix, pelo quarto ano, vai comprar um filme brasileiro da programação que ainda não tenha contrato com streaming. O Prêmio Paradiso, também na quarta edição, apoia o lançamento em cinema de um título da Mostra Brasil. O release não diz quanto vale nenhum dos dois. No Troféu Bandeira Paulista, criado por Tomie Ohtake, os longas da Competição Novos Diretores mais votados pelo público na primeira semana vão a um júri com Boots Riley, Ali Asgari, César Augusto Acevedo e Laís Bodanzky. O público escolhe também o melhor estrangeiro e o melhor brasileiro. Os vencedores saem na cerimônia de premiação, que o release não data. A 50ª Mostra termina em 29 de outubro, e de 30 de outubro a 4 de novembro o CineSesc reprisa parte da seleção na Repescagem.

Serviço

50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo: até 29 de outubro de 2026
“Sócrates Brasileiro”, de Walter Salles: 23 de outubro, às 18h15, no Espaço Petrobras de Cinema (Rua Augusta, 1.475), com conversa depois da sessão
“Sul de Teerã”, com “Tigre de Papel”: 27 de outubro, às 21h, na Cultura Artística (Rua Nestor Pestana, 196)

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