Don L acrescenta versos inéditos a "Acorda Amor" em projeto que entrega Chico Buarque a outras vozes
Dirigido por Marianna Brennand, com roteiro de Clarice Falcão, "Leve Chico" reúne 13 releituras do compositor por artistas do pop, do pagode, do rap e da música brasileira contemporânea.
A estreia mundial é na 50ª Mostra de São Paulo, em 27 e 29 de outubro.
O rapper Don L não apenas regravou “Acorda Amor”. Ele acrescentou versos inéditos à composição. É um dos encontros reunidos em “Leve Chico”, projeto audiovisual dirigido por Marianna Brennand que terá estreia mundial na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
A produção tem 13 episódios, cada um dedicado ao encontro entre um intérprete contemporâneo e o repertório de Chico Buarque. Na Mostra, o material será apresentado em um programa de 100 minutos, dentro da seção Mostra em Série, com sessões em 27 e 29 de outubro.
O projeto nasceu em torno dos 60 anos de “Chico Buarque de Hollanda”, primeiro LP do compositor, lançado em 1966.
Do pagode ao rap
O repertório deixa claro que não há busca por uma sonoridade única. Péricles leva “Eu Te Amo” para o pagode. Duda Beat interpreta “Olhos nos Olhos” a partir do seu universo pop romântico. Gaby Amarantos fica com “O Que Será (À Flor da Pele)”, e Dora Morelenbaum revisita “Samba e Amor”.
Há encontros menos previsíveis. Além do trabalho de Don L, Juçara Marçal assume “Construção”. Jaloo e Zé Ibarra cantam “Apesar de Você”, Catto e Lula Galvão interpretam “Atrás da Porta”, e Zeca Veloso e Cristóvão Bastos ficam com “Todo Sentimento”.
O projeto chega também à família do compositor. Clara e Ceci Buarque, netas de Chico, participam ao lado de Clarice Falcão e Pretinho da Serrinha de um medley que reúne “Partido Alto”, “Cordão” e “Não Existe Pecado ao Sul do Equador”.
A produção musical é de Kassin, com banda-base formada por Elísio Freitas, Antônio Dal Bó, Carlos Júnior e Estevan Cipri. Segundo a produção, a escolha dos participantes buscou artistas com alguma relação com a obra de Chico, mesmo quando vindos de linguagens musicais distantes das gravações originais.
O que acontece antes da música pronta
A proposta não é apenas registrar novas versões. Entre ensaios, conversas e gravações, a câmera acompanha o processo de cada artista para descobrir o que fazer com músicas que, em muitos casos, já acumulam décadas de interpretações anteriores. É possível observar as decisões de arranjo e a procura por um lugar próprio dentro de composições muito conhecidas.
A direção é de Marianna Brennand, com roteiro de Clarice Falcão, fotografia de André Prata e montagem de Jordana Berg. Brennand e Carolina Benevides assinam a produção pela Inquietude.
A escalação não se limita a entregar o repertório a artistas mais jovens. Péricles, Gaby Amarantos, Juçara Marçal, Duda Beat, Don L e Dora Morelenbaum vêm de gerações e cenas diferentes, e produzem leituras que não precisam reproduzir a sonoridade já associada às canções.
Depois da Mostra, disco e televisão
A primeira sessão acontece em 27 de outubro, às 19h, no CineSesc, seguida de bate-papo. A segunda será em 29 de outubro, às 13h30, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca 3.
Em seguida, o projeto se desdobra em dois formatos. As releituras formarão um álbum, com lançamento pela Biscoito Fino, e a série documental chegará ao Canal Curta!. A previsão anunciada é que ambos saiam ainda em 2026.
Serviço
Leve Chico Estreia mundial na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na seção Mostra em Série
27 de outubro de 2026, às 19h, no CineSesc, com bate-papo após a sessão 29 de outubro de 2026, às 13h30, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca 3
Duração da apresentação na Mostra: 100 minutos Formato: série documental em 13 episódios
Direção: Marianna Brennand.
Roteiro: Clarice Falcão
Fotografia: André Prata.
Montagem: Jordana Berg.
Produção musical: Kassin
Produção: Marianna Brennand e Carolina Benevides, pela Inquietude Álbum pela Biscoito Fino e série no Canal Curta!, previstos para 2026