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Gregorio Duvivier volta à PUCRS com “O Céu da Língua” em setembro

Gregorio Duvivier volta à PUCRS com “O Céu da Língua” em setembro
Foto: GIORDANO TOLDO

Monólogo dirigido por Luciana Paes terá seis apresentações no Salão de Atos da universidade, em Porto Alegre

Gregorio Duvivier retorna a Porto Alegre com “O Céu da Língua”, monólogo que mistura humor, poesia e reflexão sobre a língua portuguesa. O espetáculo terá seis apresentações no Salão de Atos da PUCRS, entre os dias 3 e 5 de setembro, com ingressos à venda pela Sympla e na bilheteria física do Museu de Ciências e Tecnologia da universidade.

Escrito e interpretado por Duvivier, com direção de Luciana Paes, o espetáculo volta à PUCRS depois de reunir milhares de espectadores em temporadas anteriores na universidade. Em cena, o artista parte de poemas, expressões populares, canções, reformas ortográficas e curiosidades do idioma para mostrar como a poesia atravessa o cotidiano de maneiras muitas vezes invisíveis.

A proposta não é fazer uma aula sobre língua portuguesa, nem um recital solene. “O Céu da Língua” se aproxima do público pela via do humor. Duvivier trata a palavra como matéria viva: algo que escapa, muda de sentido, provoca riso, cria vínculos e revela, no uso comum, uma complexidade que às vezes passa despercebida.

Segundo o próprio artista, a peça fica “na esquina” entre o poema e a piada. A frase resume bem o caminho da montagem. O espetáculo parte da literatura, mas não se fecha nela. Ao contrário, tenta mostrar que a poesia não está apenas nos livros ou nos nomes consagrados, mas também nas conversas, nos tropeços da fala, nos mal-entendidos e nas expressões que repetimos sem perceber.

“A poesia é uma fonte de humor involuntário, motivo de chacota”, afirma Duvivier. “Escrevi uma peça que pode ajudar alguém a enxergar melhor o que os poetas querem dizer e, pra isso, a gente precisa trocar os óculos de leitura.”

A relação de Duvivier com a literatura não é circunstancial. Além de ator, humorista, roteirista e integrante do Porta dos Fundos, ele cursou Letras na PUC do Rio de Janeiro e publicou livros de poesia e crônicas. Em “O Céu da Língua”, essa formação aparece menos como exibição de repertório e mais como prazer em compartilhar descobertas.

A direção de Luciana Paes valoriza justamente esse trânsito entre palco, conversa e pensamento. Parceira de Duvivier em trabalhos como o espetáculo de improvisação “Portátil” e em vídeos do Porta dos Fundos, a diretora constrói uma encenação sem excesso de cenário, apoiada na presença do ator, na música e nas projeções.

No palco, Duvivier divide a cena com a ambientação musical do instrumentista Pedro Aune, que executa a trilha ao vivo no contrabaixo, e com as projeções manipuladas por Theodora Duvivier. O resultado é uma estrutura simples, mas precisa, que deixa a palavra no centro da experiência.

Desde a estreia, em Lisboa, no contexto das comemorações dos 500 anos de Luís de Camões, “O Céu da Língua” circulou por cidades no Brasil e no exterior e consolidou-se como um dos principais trabalhos recentes de Duvivier nos palcos. A montagem foi assistida por mais de 200 mil pessoas e segue com agenda em diferentes capitais.

O retorno ao Salão de Atos da PUCRS reforça a relação do espetáculo com Porto Alegre. A cidade já recebeu a peça em 2025, com sessões de grande procura, e agora ganha uma nova temporada concentrada em três dias.

O interesse de “O Céu da Língua” está justamente em tratar a língua como lugar de encontro. Em tempos de comunicação rápida, ruído permanente e palavras usadas como arma, Duvivier aposta em outra possibilidade: a de olhar para o idioma como espaço de humor, beleza, contradição e convivência.

No fim, a peça pergunta menos “quem entende poesia?” e mais “quem ainda se permite escutar?”. E talvez seja aí que a língua, por alguns minutos, encontre seu céu.

Serviço

O Céu da Língua
Texto e interpretação: Gregorio Duvivier
Direção: Luciana Paes

Datas e horários:
3 de setembro de 2026, quinta-feira, às 19h e às 21h30
4 de setembro de 2026, sexta-feira, às 19h e às 21h30
5 de setembro de 2026, sábado, às 16h30 e às 19h

Local: Salão de Atos da PUCRS — Prédio 4
Endereço: Avenida Ipiranga, 6681 — Partenon, Porto Alegre — RS

Ingressos: à venda pela Sympla e presencialmente no Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS
Ponto de venda sem taxa de conveniência: Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS — Avenida Ipiranga, 6681, Prédio 40
Horário do ponto de venda: terça a sexta, das 9h às 17h; sábado e domingo, das 10h às 18h
Nos dias de apresentação: a bilheteria do Salão de Atos da PUCRS abre 2 horas antes do início da sessão

Duração: 80 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Acessibilidade: espaço com acessibilidade arquitetônica para pessoas com deficiência física e/ou mobilidade reduzida

TeatroIsabel Branquinha

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