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Fringe de Edimburgo 2026 tem 3.649 espetáculos e oito produções paulistas

Fringe de Edimburgo 2026 tem 3.649 espetáculos e oito produções paulistas
Foto: Gabe Oliveira/Divulgação

O Festival Fringe de Edimburgo abre a edição de 2026 em 7 de agosto, com 3.649 espetáculos distribuídos por 258 espaços da capital escocesa, num total de 53.884 apresentações até 31 de agosto. Segundo a Fringe Society, entidade que organiza o evento, a programação reúne trabalhos de 71 países. Entre eles está o Brasil, com oito produções paulistas de teatro, dança e circo levadas pelo São Paulo Showcase, iniciativa do governo estadual que faz sua segunda temporada no festival.

Os números foram divulgados pela Fringe Society em 4 de junho, no lançamento do programa. A entidade descreve o Fringe como o maior festival de artes do mundo, e a escala vem do próprio desenho do evento. Ele nasceu em 1947, quando oito grupos de teatro apareceram sem convite para se apresentar no Festival Internacional de Edimburgo. A Fringe Society foi constituída em 1958 com a regra de não fazer seleção de programação, que segue valendo.

O programa saiu maior que o de 2025

A comparação com o ano passado depende do momento da contagem, porque os números que circulam não medem a mesma coisa. O total do Fringe cresce depois que o programa é lançado, já que as inscrições continuam abertas: em 2025 a Fringe Society anunciou 3.352 espetáculos em 3 de junho e terminou agosto com 3.893.

Postos lado a lado no mesmo estágio, os dois programas mostram um festival maior neste ano. O de 2025 trazia 3.352 espetáculos em 265 espaços, 49.521 apresentações e trabalhos de 58 países. O de 2026 traz 3.649 espetáculos e 53.884 apresentações em 258 espaços, com 71 países representados. Mais montagens, mais sessões e mais países, num número ligeiramente menor de locais.

O balanço de encerramento de 2025, divulgado pela Fringe Society em 25 de agosto, registrou ainda 301 espaços, 53.942 apresentações, artistas de 62 países e cerca de 2,6 milhões de ingressos emitidos.

Tony Lankester, executivo-chefe da Fringe Society, creditou parte desse movimento ao aumento de inscrições vindas de fora do Reino Unido. "Dentro do número de produções que se inscreveram este ano, vimos um aumento notável nas inscrições de artistas do exterior", afirmou, no anúncio publicado pela própria Fringe Society. "Isso nos diz que, apesar dos ventos contrários econômicos e políticos que o mundo enfrenta, o Fringe segue relevante e importante para nossos artistas."

Entre os assuntos que atravessam a programação, a organização lista inteligência artificial, seitas, a chamada manosfera, crise de identidade, classe social, nostalgia dos anos 2000 e o estado do mundo.

Oito produções paulistas na vitrine

O São Paulo Showcase é uma iniciativa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, com gestão e produção da Associação Paulista dos Amigos da Arte e recursos da Lei Aldir Blanc. A seleção mistura capital e interior: 116 Gramas – Peça para emagrecer, de Letícia Rodrigues, e Por um pingo, do Teatro Manás Laboratório, ficam no Zoo; Circo Valise, de Eduardo Salzane, de Hortolândia, e Vidrado, do circense Guilherme Torres, na Assembly; Corpos de Fronteira, da T.F. Cia de Dança, no Dance Base.

Completam a lista Queda de baleia, ou canto para dançar com minha morte, de Bruna Longo, apresentado dentro da igreja St. Cuthbert's; Um Milhão de Palavras, de Ivo Müller, no Pleasance; e Dribble, da companhia Cênica, no Underbelly.

"Levar mais um ano de espetáculos para o Fringe, o maior festival de artes cênicas do mundo, reforça o nosso compromisso com a internacionalização dos talentos paulistas", afirmou Marília Marton, secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, cuja pasta também respondeu pela reabertura do Museu Casa das Rosas.

O projeto começou em 2025, quando levou seis produções paulistas a Edimburgo. Em abril de 2026, o showcase fez uma escala no Festival de Curitiba, com 15 apresentações na mostra Fringe!, que acontece dentro do festival paranaense.

O drible de Charles Miller

A companhia Cênica, coletivo de repertório criado em 2007 em São José do Rio Preto, embarca em 2 de agosto para a segunda ida seguida ao festival. Em 2025 apresentou Cheese and Guava, versão em inglês de Queijo & Goiabada. Desta vez estreia Dribble, com apresentações de 5 a 31 de agosto no espaço Buttercup, no Underbelly George Square.

O espetáculo parte de Charles Miller (1874-1953), filho de pai escocês e mãe brasileira, reconhecido por introduzir o futebol organizado no Brasil depois de uma temporada de estudos na Inglaterra. Em cena, um bar brasileiro em que a mesa vira palco, campo e ponto de encontro, com música ao vivo. A direção é de Fagner Rodrigues, com o encenador convidado Fernando Yamamoto, dos Clowns de Shakespeare.

"O espetáculo é resultado das vivências que tivemos ano passado durante nossa participação no Fringe", contou Fagner Rodrigues à Gazeta de Rio Preto. "Inclusive tive a ideia de montar o espetáculo durante o festival. Existem muitos diálogos entre futebol e teatro."

A ida da companhia foi viabilizada pelo Fomento CultSP ProAC, linha do governo paulista voltada à participação em festivais e mostras internacionais.

Por que uma vitrine no Fringe interessa

O festival funciona também como feira. Em 2025, segundo a Fringe Society, 1.770 produtores, programadores e agentes credenciados de 68 países foram a Edimburgo procurar espetáculos, e 17 vitrines internacionais disputaram a atenção deles, entre elas as da Dinamarca, da Austrália, da Coreia do Sul e do Brasil. É nesse balcão que se decidem turnês e convites para outros festivais. Foi por esse caminho que chegaram ao Brasil montagens estrangeiras como o texto Renda-se, da britânica Sophie Swithinbank, que passou pelo Fringe antes de ganhar montagem brasileira, com Martha Nowill, em São Paulo.

O modelo tem custo alto para quem vai por conta própria: hospedagem, aluguel de sala e divulgação em uma cidade tomada por 258 espaços simultâneos. Por isso os showcases nacionais, bancados por governos, se tornaram uma das portas de entrada para companhias de fora do eixo britânico. Outro festival europeu de peso, Avignon, encerrou a edição de 2026 com cerca de 1,5 milhão de ingressos vendidos entre a mostra oficial e o Off.

Serviço. Edinburgh Festival Fringe 2026, de 7 a 31 de agosto, em Edimburgo, na Escócia, com prévias a partir de 5 de agosto. Programação e ingressos em edfringe.com.

NotíciaRedação Foyer

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