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Esta "Antígona" se interessa pela irmã que sobreviveu

Em versão da britânica Lulu Raczka, com direção de Daniela Stirbulov e tradução de Fernanda Gidali, a montagem mostra Antígona e Ismênia antes da tragédia, como duas jovens comuns.

Esta ”Antígona” se interessa pela irmã que sobreviveu
Foto: Cecília Gidal

A temporada é curta, apenas às quartas e quintas, até 5 de novembro, no Espaço da Cia. da Revista.

Antes que a tragédia se consolide, Antígona e Ismênia aparecem como jovens comuns, entre jogos, desejos e tentativas de levar uma vida ordinária, enquanto o mundo ao redor se deteriora. É desse ponto que parte a releitura do mito de Sófocles escrita pela britânica Lulu Raczka, que estreou na quarta-feira, 14 de outubro, no Espaço da Cia. da Revista, nos Campos Elíseos, em São Paulo.

A direção é de Daniela Stirbulov, com Fernanda Gidali e Julia Gaspar em cena. A temporada vai até 5 de novembro, com sessões às quartas e quintas, às 20h, numa sala de 82 lugares. Os ingressos custam R$ 70 e R$ 35 (meia).

O deslocamento que a peça faz

Conforme a violência externa se aproxima, o espaço de experimentação das irmãs se transforma. A guerra, a morte e o peso da herança familiar impõem escolhas irreversíveis, e a decisão de Antígona deixa de funcionar como símbolo distante para se revelar gesto humano, atravessado por contradições e urgência.

A montagem então se desloca do ato em si para suas consequências, abrindo espaço para o olhar de Ismênia e para a experiência de viver depois da tragédia. As duas irmãs aparecem como formas distintas de lidar com o mesmo mundo: Antígona insiste e enfrenta as consequências dos próprios impulsos, Ismênia tenta sobreviver pela adaptação.

A encenação investiga sobretudo o momento anterior, quando ainda existe dúvida e possibilidade de escolha. A pergunta que atravessa o espetáculo é o que constitui um ato de coragem e até que ponto certas ações nascem de convicções coletivas ou de necessidades individuais. Sem oferecer respostas, aproxima o mito de um presente marcado por polarizações, julgamentos e exigências constantes de posicionamento.

Duas atrizes construindo o espaço em cena

O centro da montagem é o jogo entre as duas intérpretes e as transições constantes entre diálogo, narração e ação. Elas constroem e transformam o espaço diante do público, alternando intimidade, confronto, humor e relato. A guerra é presença contínua e transforma memórias em disputas políticas, mas a encenação não situa a história em um tempo específico.

A tradução é de Fernanda Gidali, que também atua e assina a produção. A cenografia é de Carmem Guerra, o figurino de Paô Souza, a iluminação de Camila Jordão e a trilha sonora original de Nathália Gidali e Vitor Constantino.

Quem assina o texto e a direção

Lulu Raczka escreve para teatro, cinema e rádio, e suas peças já passaram por casas britânicas como o Almeida Theatre, o Unicorn Theatre, o New Diorama, o Leeds Playhouse e o Royal Exchange Manchester. Em 2019, recebeu o Imison Award pela peça radiofônica “Of a Lifetime”. Atualmente desenvolve novos trabalhos para o Royal Court Theatre e para o Rose Theatre, em Kingston.

Daniela Stirbulov é mestre em direção teatral pela University of Essex e graduada em artes cênicas pela USP, além de integrar a Young Vic's Directors Network. Assina atualmente a direção de “O Mercador de Veneza”, com Dan Stulbach, e passou por montagens como “Oleanna”, “Cabaret: Kit Kat Club”, “Heathers” e “Ney Matogrosso: Homem com H”. Recebeu os prêmios ACESC, de melhor direção e melhor espetáculo, e o APCA de melhor elenco.

Serviço

Antígona Espaço da Cia. da Revista, Alameda Nothmann, 1135, Campos Elíseos, São Paulo
Até 5 de novembro de 2026, às quartas e quintas, às 20h
Ingressos: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia), pelo Sympla
Capacidade: 82 lugares.
Duração: 90 minutos.
Classificação: 14 anos Informações: (11) 3751-5200
Texto: Lulu Raczka. Tradução: Fernanda Gidali.
Direção: Daniela Stirbulov
Com Fernanda Gidali e Julia Gaspar
Cenografia: Carmem Guerra.
Figurino: Paô Souza.
Iluminação: Camila Jordão
Trilha sonora original: Nathália Gidali e Vitor Constantino
Produção e realização: Fernanda Gidali

TeatroIsabel Branquinha
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