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Doze horas numa sala de espera de pronto-socorro: solo de Daniela Tozzi dá voz a oito personagens

Com dramaturgia e atuação de Daniela Tozzi e direção de Lavínia Pannunzio, "Acesso" estreia na segunda, 9 de novembro, no Teatro Estúdio, e fica em cartaz até 22 de dezembro, às segundas e terças, às 18h30. Ingressos a R

Doze horas numa sala de espera de pronto-socorro: solo de Daniela Tozzi dá voz a oito personagens
Foto: Manoel Marques:

Olivia passa horas no pronto-socorro de um hospital público do centro de São Paulo esperando atendimento para Alice, sua companheira, que luta para respirar. São mais de 12 horas entre salas de espera, corredores e burocracia.

É esse tempo suspenso que estrutura “Acesso”, solo com dramaturgia e atuação de Daniela Tozzi e direção de Lavínia Pannunzio, que estreia na segunda, 9 de novembro, no Teatro Estúdio, nos Campos Elíseos, e segue até 22 de dezembro.

Oito personagens, uma atriz

Enquanto espera, Olivia é atravessada por memórias e medos, e pelas pessoas que passam por ali. São oito narrativas, todas interpretadas por Daniela Tozzi.

Entre elas estão a enfermeira Judith, exaurida e ainda assombrada pela pandemia, a motogirl ferida numa entrega de comida por aplicativo, o menino vendedor de paçoca esfaqueado, o médico que confessa a exaustão ética da profissão e Gabriel, o Homem Esqueleto.

Para a diretora, a estrutura é de solo épico-dramático, em que autora e personagens se misturam. “Uma burocracia kafkiana que revela, ao mesmo tempo, as profundezas de um sistema administrativo tão complexo, absurdo e opressor, que esmaga o indivíduo, e a gama humana por trás daquelas centenas de pessoas anônimas”, diz Lavínia Pannunzio.

Como o texto nasceu

O espetáculo começou com três páginas. Daniela Tozzi escreveu a primeira versão num curso online de escrita teatral da CAL, a Casa das Artes de Laranjeiras, no Rio, conduzido pela dramaturga Daniela Pereira de Carvalho, que a incentivou a continuar e a orientou por sete meses ao longo de 2025.

“O primeiro encontro fez nascer o texto. O segundo, o espetáculo”, resume a atriz, que então convidou Lavínia Pannunzio para ouvir uma leitura. A diretora aceitou encenar e adaptou o texto original para o palco.

Tozzi dedica o trabalho aos pais, Terezinha Tozzi Casteline, já falecida, e Nelson Casteline, que consta da ficha técnica como apoio cultural da montagem.

A voz do ministro na ficha técnica

Um crédito chama atenção. A ficha técnica atribui a voz off do espetáculo a Alexandre Padilha, ministro da Saúde.

A produção não esclarece se a gravação foi feita especificamente para a montagem ou se o áudio vem de registro público já existente, e tampouco detalha em que momento da peça a voz aparece. Como se trata de um espetáculo que expõe as falhas de atendimento no sistema público de saúde, a natureza dessa participação muda bastante a leitura da cena.

Ingresso a R$ 20 para profissionais da saúde

A bilheteria tem uma faixa específica: profissionais da saúde pagam R$ 20, valor disponível apenas para compra presencial, na própria bilheteria do teatro. A inteira custa R$ 80 e a meia, R$ 40, com venda pelo Sympla.

É uma política coerente com o assunto da peça, e vale registrar que, como o desconto não está no site, quem trabalha na área precisa ir ao teatro para comprar.

Atenção ao acesso

A sala tem 42 lugares e, segundo a produção, o acesso ao espaço é feito apenas por escadas. É informação essencial para quem usa cadeira de rodas ou tem mobilidade reduzida, e precisa estar visível antes da compra do ingresso.

Serviço

Acesso Teatro Estúdio, Rua Conselheiro Nébias, 891, Campos Elíseos, São Paulo

De segunda, 9 de novembro, a terça, 22 de dezembro de 2026 Segundas e terças, às 18h30 Ingressos: R$ 80 a inteira e R$ 40 a meia, pelo Sympla. R$ 20 para profissionais da saúde, somente na bilheteria 1h20. Classificação indicativa: 14 anos. Sala com 42 lugares Acesso ao espaço apenas por escadas

Direção: Lavínia Pannunzio Dramaturgia, atuação e realização: Daniela Tozzi Orientação dramatúrgica: Daniela Pereira de Carvalho Cenografia e direção de arte: Mira Andrade. Figurino: Anne Cerutti Desenho de luz: Aline Santini. Acordeão: Aline Reis Trilha sonora original e design de áudio: Rafael Thomazini Direção de produção: Carol Vidotti

TeatroIsabel Branquinha
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