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Com Maria João Bastos, novo filme transforma os Casamentos de Santo António em comédia sobre Lisboa

Com Maria João Bastos, novo filme transforma os Casamentos de Santo António em comédia sobre Lisboa
Foto: Divulgação / NOS Audiovisuais

“Santo António, o Casamenteiro de Lisboa” estreia em Portugal em setembro com Rita Blanco, Joaquim Monchique e atriz conhecida do público brasileiro por novelas da Globo

Todo mês de junho, dezenas de casais atravessam Lisboa para dizer “sim” diante de uma cidade inteira. Há cerimônias nos Paços do Concelho e na Sé, desfile pelas ruas, transmissão televisiva e participação nas tradicionais Marchas Populares. Em 2026, foram 16 casais.

Em setembro, essa tradição vai parar no cinema.

“Santo António, o Casamenteiro de Lisboa”, novo longa de Ruben Alves, estreia nas salas portuguesas em 10 de setembro transformando os famosos Casamentos de Santo António em ponto de partida para uma comédia sobre tradição, modernização e a própria identidade de Lisboa.

No centro da história estão Carmo e Valentim, interpretados por Rita Blanco e Joaquim Monchique. Funcionários da Câmara Municipal de Lisboa, os dois dedicaram mais de 25 anos à organização dos casamentos quando recebem uma notícia nada romântica: uma multinacional francesa está prestes a assumir o evento e considera a celebração ultrapassada.

A missão passa a ser reinventar a festa sem fazer com que ela deixe de ser aquilo que sempre foi.

O elenco reúne nomes bastante conhecidos da dramaturgia portuguesa, como Joaquim de Almeida, Maria Rueff, Albano Jerónimo, Ana Bola, Isabel Abreu, Lídia Franco, João Catarré, Rui Mendes e Maria João Bastos, além do ator espanhol Paco León. O roteiro é assinado por Ruben Alves e Fer Pérez.

Para o público brasileiro, Maria João talvez seja justamente a ponte mais imediata com esse universo.

Uma portuguesa conhecida das novelas brasileiras

Antes de se tornar presença frequente em produções portuguesas, Maria João Bastos construiu uma parte importante da carreira também no Brasil.

Sua primeira novela na Globo foi “O Clone”, entre 2001 e 2002, quando deixou Portugal para interpretar a jornalista Amália na trama de Glória Perez. Na sequência, esteve em “Sabor da Paixão” e no “Sítio do Picapau Amarelo”.

Depois de quase dez anos distante das produções brasileiras, voltou em “Boogie Oogie”, em 2014, e posteriormente interpretou a botânica Letícia em “Novo Mundo”, novela das seis exibida em 2017. A ligação com o país chegou a se estender para além do trabalho: durante anos, a atriz manteve uma rotina dividida entre Rio de Janeiro e Lisboa.

Sua presença em “Santo António, o Casamenteiro de Lisboa” ajuda, portanto, a aproximar do espectador brasileiro uma tradição que, apesar de ter um santo muito popular por aqui, assume em Lisboa uma dimensão bastante particular.

No Brasil, Santo Antônio é lembrado principalmente como o santo casamenteiro das simpatias juninas, dos pedidos amorosos e das brincadeiras de festa popular. Em Lisboa, essa devoção ganha também contorno institucional, urbano e turístico: todos os anos, casais são selecionados para casar dentro da programação oficial das Festas de Lisboa.

É essa diferença que torna o filme curioso para o público brasileiro. O santo é familiar. A escala da celebração, nem tanto.

Mas o que são os Casamentos de Santo António?

A tradição nasceu em 1958, originalmente com o nome de “Noivas de Santo António”, e tinha uma função social bastante concreta: permitir que casais com poucos recursos pudessem se casar com apoio de patrocinadores e da cidade.

A realização foi interrompida em 1974 e recuperada pela Câmara Municipal de Lisboa em 1997. Hoje, os Casamentos de Santo António são um dos momentos mais conhecidos das Festas de Lisboa, realizados anualmente em 12 de junho, véspera do dia do santo.

A programação inclui cerimônias civis nos Paços do Concelho e cerimônias religiosas na Sé de Lisboa. Depois, os casais participam de celebrações públicas e integram o imaginário das Marchas Populares, outro elemento central das festas da cidade.

Em 2026, 16 casais participaram da celebração.

É justamente a tensão entre preservar uma tradição e impedir que ela se transforme apenas em produto turístico que o filme parece usar como motor da comédia. A ameaça de uma multinacional estrangeira assumir a organização dos casamentos funciona como conflito narrativo, mas também como metáfora para uma cidade que precisa negociar, o tempo todo, sua relação com memória, mercado e identidade.

Não por acaso, a própria Lisboa é tratada pela campanha como uma das protagonistas.

Do diretor de “A Gaiola Dourada”

Ruben Alves já construiu parte de sua filmografia observando identidades culturais e deslocamentos entre países.

Seu trabalho mais conhecido é “A Gaiola Dourada”, comédia de 2013 sobre uma família portuguesa vivendo em Paris e dividida entre a possibilidade de retornar a Portugal e a vida construída na França. O filme se tornou um fenômeno de bilheteria e ajudou a projetar o diretor como um nome ligado a narrativas sobre pertencimento, humor, memória familiar e identidade portuguesa fora de Portugal.

Agora, em “Santo António, o Casamenteiro de Lisboa”, o olhar se desloca para dentro da capital portuguesa.

A cidade não aparece apenas como cenário bonito de cartão-postal. Pelo menos na premissa, Lisboa é o campo de disputa da história. De um lado, a tradição dos casamentos, as festas populares, os bairros, a devoção e o afeto. Do outro, a tentativa de transformar tudo isso em evento modernizado, controlado e possivelmente esvaziado de sua origem.

A comédia nasce desse embate. Como atualizar uma tradição sem arrancar dela aquilo que a torna reconhecível? Como fazer uma festa continuar viva sem congelá-la no passado? E quem tem o direito de decidir o que uma cidade deve preservar?

Uma comédia portuguesa que pode conversar com o Brasil

Por enquanto, a estreia anunciada é para os cinemas portugueses. Ainda assim, “Santo António, o Casamenteiro de Lisboa” tem alguns elementos que podem dialogar bem com o público brasileiro.

O primeiro é a presença de Maria João Bastos, atriz portuguesa que construiu uma relação afetiva com espectadores de novelas da Globo. Para muita gente no Brasil, ela não é apenas um nome do audiovisual português: é também uma figura associada a tramas brasileiras dos anos 2000 e 2010.

O segundo é o próprio Santo António, ou Santo Antônio, como dizemos por aqui. A figura do santo casamenteiro circula com força nas festas juninas brasileiras, nas simpatias amorosas, nas tradições populares e no imaginário de casamento. O filme parte de uma tradição lisboeta específica, mas aciona uma referência que o Brasil reconhece imediatamente.

O terceiro é o tipo de conflito. Tradições populares transformadas em produto turístico, cidades que tentam se modernizar sem perder identidade, festas que pertencem ao povo mas passam a ser disputadas por marcas, patrocinadores e instituições: tudo isso não soa distante da realidade brasileira.

Talvez por isso o filme interesse além de Portugal. Porque, entre casamentos coletivos, Santo Antônio, Maria João Bastos e uma comédia sobre a reinvenção de uma festa popular, quase tudo soa estranhamente familiar.

A diferença está em descobrir como Lisboa conta essa história.

Sinopse

Em “Santo António, o Casamenteiro de Lisboa”, Carmo e Valentim trabalham há mais de 25 anos na organização dos tradicionais Casamentos de Santo António. Quando uma multinacional francesa ameaça assumir o evento por considerá-lo ultrapassado, os dois precisam encontrar uma forma de reinventar a celebração sem destruir sua essência.

Entre amor, tradição, humor e disputa pela memória da cidade, a comédia transforma Lisboa em protagonista de uma história sobre aquilo que permanece vivo justamente porque ainda consegue mudar.

Serviço

Santo António, o Casamenteiro de Lisboa
Direção: Ruben Alves
Roteiro: Ruben Alves e Fer Pérez
Estreia em Portugal: 10 de setembro de 2026
Gênero: comédia romântica
Distribuição em Portugal: NOS Audiovisuais

Elenco: Rita Blanco, Joaquim Monchique, Joaquim de Almeida, Maria Rueff, Albano Jerónimo, Ana Bola, Isabel Abreu, Maria João Bastos, Lídia Franco, João Catarré, Rui Mendes, Paco León, Inês Aires Pereira e Jacqueline Corado.

Produção: Blablabla Media e São Films
Coprodução: Comba e Bombom Filmes
Apoios: Disney+, Turismo de Lisboa, Programa MEDIA — Europa Criativa, Instituto do Cinema e do Audiovisual, Fundo de Apoio ao Turismo e ao Cinema, Câmara Municipal de Lisboa, Lisboa Cultura e Lisboa Film Commission
Participação: RTP e NOS Audiovisuais

Quem aparece nesta matériaMaria JoãoMaria João Bastos
CinemaIsabel Branquinha

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