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"Chicago" chega aos 30 anos na Broadway com a estratégia que a manteve viva: trocar de elenco sem parar

Em 16 de novembro, o Ambassador Theatre reúne Bebe Neuwirth e James Naughton, da companhia de 1996, ao lado de Ariana Madix, Alex Newell, Robyn Hurder, Whitney Leavitt e Reece Weaver.

”Chicago” chega aos 30 anos na Broadway com a estratégia que a manteve viva: trocar de elenco sem parar
Foto: Jeremy Daniel/Divulgação

A renda vai para programas de apoio a bailarinos, e os ingressos entram em venda em 15 de outubro.

A apresentação que vai celebrar os 30 anos de "Chicago" na Broadway resume, por si, o método que manteve o espetáculo em cartaz por três décadas. No dia 16 de novembro, o Ambassador Theatre reúne no mesmo palco Bebe Neuwirth e James Naughton, integrantes da companhia original de 1996, e artistas que chegaram décadas depois, entre eles Robyn Hurder, Ariana Madix, Alex Newell, Whitney Leavitt e Reece Weaver. Outros convidados ainda serão anunciados.

A sessão acontece dois dias depois do aniversário oficial do revival, que abriu em 14 de novembro de 1996, e terá a renda revertida para programas do Entertainment Community Fund voltados a bailarinos. Os ingressos começam a ser vendidos em 15 de outubro.

Durante 30 anos, a montagem permaneceu a mesma. Quem a interpretava mudou constantemente.

Roxie muda, o espetáculo fica

O revival chegou à Broadway depois de nascer em uma apresentação da série Encores!, do New York City Center. A companhia original reunia Ann Reinking como Roxie Hart, Bebe Neuwirth como Velma Kelly, James Naughton como Billy Flynn e Joel Grey como Amos Hart.

A produção preservou a estrutura enxuta daquela versão: orquestra exposta no palco, poucos elementos de cenografia, figurinos predominantemente pretos e o foco sobre atores, música e coreografia. Trinta anos depois, a concepção continua reconhecível. O elenco, não.

Roxie Hart já passou por dezenas de intérpretes vindas de universos muito diferentes, entre elas Brooke Shields, Melanie Griffith, Brandy Norwood, Michelle Williams, Pamela Anderson, Christie Brinkley, Mel B, Ashlee Simpson, Ariana Madix e Angelica Ross. A mesma lógica alcançou os outros papéis. Billy Flynn já foi interpretado por Usher, Billy Ray Cyrus e Jerry Springer. Em 2023, Jinkx Monsoon se tornou a primeira drag queen a viver Mama Morton na Broadway.

Em "Chicago", uma substituição de elenco frequentemente deixa de ser manutenção e vira notícia.

Quando o casting também é marketing

A estratégia funciona bem porque conversa com o assunto do próprio musical, uma sátira sobre crime, imprensa e fabricação de celebridades. Roxie Hart quer transformar um assassinato em fama, e Billy Flynn sabe que atenção pública pode ser manipulada como qualquer outro recurso. Colocar uma personalidade conhecida dentro dessa estrutura cria uma camada metalinguística.

Os números acompanham. Ariana Madix, conhecida principalmente pelo reality show "Vanderpump Rules", estreou como Roxie em janeiro de 2024, e sua chegada levou a produção à maior bilheteria de uma semana não festiva registrada até então. A temporada foi prorrogada e, meses depois, ela voltou ao papel. Com Jinkx Monsoon aconteceu algo semelhante: durante a primeira passagem como Mama Morton, a produção bateu recordes sucessivos de arrecadação em semanas não festivas e chegou a ultrapassar US$ 926 mil em uma única semana.

Uma montagem construída para receber o próximo

A encenação facilita esse movimento. Diferente de espetáculos cuja identidade depende de cenários grandes ou efeitos complexos, "Chicago" mantém estrutura simples, com a orquestra no centro do palco e cadeiras, luz, figurinos e coreografia fazendo a maior parte do trabalho visual. Isso concentra a atenção sobre quem está interpretando Roxie, Velma, Billy ou Mama Morton naquele momento. Uma nova atriz pode construir outra Roxie sem que a produção precise ser reinventada, e quando o contrato termina a estrutura está pronta para a seguinte.

Essa flexibilidade ajudou o revival a atravessar também diferentes endereços. A montagem começou no Richard Rodgers Theatre, passou pelo Shubert e ocupa o Ambassador desde 2003. Até 4 de outubro deste ano, acumulava 11.784 apresentações.

Hoje é o musical norte-americano de maior duração da história da Broadway, o revival mais longevo do circuito e a segunda produção com mais tempo em cartaz na história local, atrás apenas de "The Phantom of the Opera".

Um revival que não precisou de outro revival

Tecnicamente, "Chicago" é um revival, mas passou três décadas produzindo pequenas renovações dentro da mesma montagem. Uma estrela chega por algumas semanas, outra assume o papel, surge uma nova campanha e um público diferente compra ingresso.

Não é a única explicação para os 30 anos. A força da obra de John Kander, Fred Ebb e Bob Fosse e uma operação de manutenção relativamente eficiente também contam. Mas a troca constante de intérpretes permitiu criar sucessivos momentos de novidade sem precisar estrear de novo.

Serviço

Chicago 30, apresentação especial
Ambassador Theatre, Nova York
16 de novembro de 2026, às 19h
Convidados já anunciados: Bebe Neuwirth, James Naughton, Robyn Hurder, Whitney Leavitt, Ariana Madix, Alex Newell e Reece Weaver
Ingressos à venda a partir de 15 de outubro de 2026
Renda destinada aos programas para bailarinos do Entertainment Community Fund
Música: John Kander. Letras: Fred Ebb. Concepção coreográfica original: Bob Fosse

Teatro MusicalIsabel Branquinha

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