Amália se apaixona por quem ela olha, e o conto de Newton Moreno virou peça gratuita em São Paulo
Com adaptação e direção de Ivan Andrade e atuação de Lara Córdulla e Marcos Azevedo, o espetáculo fica em cartaz no Teatro Estúdio de 2 de novembro a 22 de dezembro, às segundas e terças, às 20h.
São 16 sessões, todas gratuitas, e há ensaio aberto acessível nesta sexta, 30 de outubro.
Amália não consegue fixar o alvo do próprio afeto. Da infância à vida adulta, ela se apaixona por quem vê, e passa a vida em busca de um amor definitivo até descobrir que o problema não está no coração, e sim no olhar que não descansa.
O conto de Newton Moreno, um dos autores mais premiados da dramaturgia brasileira, ganhou adaptação teatral de Ivan Andrade, que também assina a direção. A temporada vai de segunda, 2 de novembro, a 22 de dezembro, no Teatro Estúdio, nos Campos Elíseos, às segundas e terças, às 20h. Em cena, Lara Córdulla e Marcos Azevedo. Os ingressos são gratuitos, retirados pelo Sympla e na bilheteria.
A trama parte de uma decisão radical. Para acalmar sentimentos que não controla, Amália faz uma inspeção fisiológica do próprio organismo e conclui que precisa anestesiar o coração, que considera responsável pela pulsão que a governa. Um primo a interrompe segundos antes, e é aí que ela entende que a origem da inquietação é outra.
O olhar como perigo
Para o diretor, a tradição sempre tratou o olhar como ameaça. Orfeu perde Eurídice ao olhar para trás, Narciso se perde de si mesmo, Édipo se cega ao descobrir o que os olhos não viram, Perseu obriga a Medusa a se ver no espelho, a mulher de Ló vira estátua de sal.
“Já na tradição renascentista, o coração se queixa do fogo que o consome. Os olhos seriam a causa desse incêndio. Perceber, ver e conhecer acendem o desejo”, afirma Andrade. “Por isso o conto nos pareceu surpreendente: num texto tão curto, ele traz uma série de contradições que não conseguimos resolver de imediato.”
O diretor lê a investigação que a personagem faz do próprio corpo como a causa da tragédia dela. “Amália não quer apenas conhecer os seus sentimentos, ela quer conhecê-los para controlá-los.”
A adaptação desloca o conto para as mudanças de comportamento das últimas décadas, provocadas pelas tecnologias de comunicação e pela aceleração dos fluxos de informação. Apesar do fundo trágico, segundo Andrade, o espetáculo é bem-humorado e dinâmico.
Para o autor, ela é uma máquina que se alimenta de amor
Newton Moreno descreve a personagem em outros termos. “Num mundo com erosões afetivas, comprimido por respostas e relações rápidas, na dopamina do prazer imediato, ela tem uma anomalia única: se apaixona por aquele que vê”, diz. “Gosto de pensar que, para Amália, o amor é o outro.”
Ensaio aberto e sessões acessíveis
A produção realiza um ensaio aberto acessível nesta sexta, 30 de outubro, antes da estreia. Durante a temporada haverá ainda duas sessões com audiodescrição e tradução em Libras, além de um bate-papo com três palestrantes sobre os temas da peça, também com tradução simultânea em Libras. As datas estão sendo definidas pela produção.
A consultoria de acessibilidade é de Gustavo Torniero, e a audiodescrição é de Lívia Motta.
Serviço
Amália Teatro Estúdio, Rua Conselheiro Nébias, 891, Campos Elíseos, São Paulo
De segunda, 2 de novembro, a terça, 22 de dezembro de 2026 Segundas e terças, às 20h, em 16 sessões Ingressos gratuitos, retirada pelo Sympla e na bilheteria do teatro 60 minutos. Classificação indicativa: 12 anos. Sala com 112 lugares Ensaio aberto acessível em 30 de outubro
Dramaturgia e direção: Ivan Andrade, a partir do conto de Newton Moreno Com Lara Córdulla e Marcos Azevedo Cenografia e figurinos: Giorgia Massetani.
Iluminação: Mirella Brandi
Sonoplastia: Raul Teixeira.
Direção de movimento: Roberto Alencar Produção: LNW
Produções Artísticas.
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