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Newton Moreno escreve fábula sobre identidade e intolerância, e Claudio Fontana leva o texto sozinho ao palco

Newton Moreno escreve fábula sobre identidade e intolerância, e Claudio Fontana leva o texto sozinho ao palco
Foto: Renata Monteiro

Dirigido por Elias Andreato, o solo inédito "A Raiz" estreia em 24 de outubro no Teatro Sérgio Cardoso e fica em cartaz até 29 de novembro, com ingressos a R$ 50 e R$ 25.

Um narrador conta a história de uma criança que descobre a própria identidade e enfrenta o preconceito da família e da sociedade. É essa a estrutura de "A Raiz", texto inédito de Newton Moreno que Claudio Fontana interpreta sozinho, sob direção de Elias Andreato. A estreia acontece em 24 de outubro no Teatro Sérgio Cardoso, na Sala Paschoal Carlos Magno, com sessões aos sábados e domingos, às 18h30, até 29 de novembro.

A peça nasce como resposta a um dado: segundo a ANTRA, o Brasil lidera há 18 anos consecutivos o ranking global de assassinatos de pessoas trans e travestis, e o país segue entre os que mais registram violência contra a população LGBTQIAPN+, no monitoramento do Grupo Gay da Bahia.

Um povo andino e o cuidado com o plantio

O ponto de partida do autor, porém, não é a violência. Moreno conta que se inspirou em um povo andino no qual apenas as mulheres cuidavam do plantio.

"De imediato esta conexão feminina me encantou, pelo que tem de empoderamento e poesia", diz o dramaturgo. "Daí, claro, retornei ao mundo LGBTQIAPN+ e ao protagonismo do feminino, e teci uma fábula sobre afirmação, reconhecimento, pertencimento, através de um personagem que aprende a escutar sua essência, sua natureza, sua raiz."

Ele define o tom que buscava. "Quis construir uma história que, ainda que venha atravessada de violências, seja afirmativa, solar, para nos dar força, futuro, saídas."

Para o diretor, a montagem trata daquilo que sobrevive. "A peça é uma fábula sobre aquilo que nasce quando alguém ousa ser quem é, porque há verdades que a terra não enterra", afirma Elias Andreato. "O texto fala sobre identidade, intolerância e resistência, tendo a terra como memória, corpo e lugar de renascimento."

Claudio Fontana resume o recado: "O conto fala da força da natureza, que é maior que o preconceito e a intolerância dos homens. Toda forma de amor precisa ser aceita."

Uma parceria de dez espetáculos

Ator e diretor trabalham juntos há muitos anos e somam dez montagens, entre elas "Adivinhe Quem Vem Para Rezar", "Esperando Godot", "Édipo Rei", "Estado de Sítio" e "A Última Sessão de Freud".

Nascido em Recife, Newton Moreno é mestre e doutor em Artes Cênicas pela USP e um dos autores mais premiados do país. Venceu o Prêmio Shell e o APCA de melhor autor em 2004 por "Agreste", levou o Shell por "Memória da Cana" e o APCA de melhor texto por "As Cangaceiras, Guerreiras do Sertão". Também escreveu "Maria do Caritó" e "O Grande Circo Místico".

A montagem tem figurino de Gabriel Villela, com cenografia e trilha sonora assinadas pelo próprio Andreato.

Acessibilidade com tateamento de cenário

Além de ser acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida, o espetáculo oferece visitas guiadas ao palco e tateamento da cenografia e dos figurinos para pessoas com deficiência visual.

Serviço

A Raiz Teatro Sérgio Cardoso, Sala Paschoal Carlos Magno, Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista, São Paulo
De 24 de outubro a 29 de novembro de 2026 Sábados e domingos, às 18h30
Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia), pela Sympla ou na bilheteria, aberta nos dias de espetáculo das 14h até o início da sessão, telefone (11) 3288-0136
Duração: 60 minutos.
Classificação: 12 anos
Dramaturgia: Newton Moreno.
Direção: Elias Andreato.
Atuação: Claudio Fontana
Figurino: Gabriel Villela

TeatroIsabel Branquinha

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