A palavra gaslighting nasceu de uma peça de 1938, e agora virou novela de três minutos no Globoplay
Lançado na última terça, 6 de outubro, "Eu Não Era Louca, Era Casada" tem 50 capítulos de dois a três minutos, com Fernanda Rodrigues e Ricardo Pereira. A criação e o roteiro são de Ecila Pedroso, e a direção artística é de Adriano Melo.
O Globoplay lançou nesta terça-feira, 6 de outubro, "Eu Não Era Louca, Era Casada", microdrama original com Fernanda Rodrigues e Ricardo Pereira nos papéis principais. São 50 capítulos de aproximadamente dois a três minutos cada, no formato de novela vertical, pensado para o consumo pelo celular. A criação e o roteiro são de Ecila Pedroso, com direção artística de Adriano Melo.
O tema central é o gaslighting, mecanismo de abuso em que uma pessoa manipula repetidamente a percepção da outra até fazê-la duvidar de si mesma. Segundo a autora, era um assunto que ela queria tratar especificamente havia algum tempo.
O que acontece com Beatriz
Fernanda Rodrigues interpreta Beatriz, galerista bem-sucedida que começa a viver situações difíceis de explicar. Lembranças não correspondem aos fatos, acontecimentos inexplicáveis se acumulam e, pouco a pouco, ela perde a confiança na própria percepção.
Por trás disso está Vítor, seu marido, vivido por Ricardo Pereira. Ele arquiteta um plano para fazer Beatriz parecer emocionalmente instável e assumir o controle da fortuna dela. Conta com Lúcia, personagem de Barbara Reis, sua amante, que se aproxima da família e participa da manipulação. Completam o núcleo principal Ilvio Amaral, Daniel Rocha e Danielle Winits.
A escolha coloca no centro da trama uma violência que não deixa marcas físicas, mas pode produzir isolamento, perda de autoestima e dependência.
De onde vem o termo
A palavra deriva de "Gas Light", peça do britânico Patrick Hamilton escrita em 1938 e depois adaptada para o cinema, inclusive na versão de 1944 dirigida por George Cukor e protagonizada por Ingrid Bergman.
Na história original, um marido manipula a esposa para convencê-la de que está perdendo a sanidade. Ele muda objetos de lugar dentro de casa, nega acontecimentos que ela presenciou e insiste que certas percepções são fruto da imaginação dela. Até as luzes a gás diminuem de intensidade. Ela nota. Ele diz que não aconteceu. Com o tempo, o título da peça passou a nomear esse tipo de manipulação.
Quase 90 anos depois, a produção do Globoplay parte de uma dinâmica semelhante, com a casa como principal espaço de controle e um marido tentando determinar o que a mulher pode considerar real.
Por que o formato curto funciona aqui
A novela vertical obriga a uma dramaturgia mais acelerada. Em vez de construir um gancho ao fim de dezenas de minutos, a trama precisa criar uma nova dúvida, ameaça ou revelação praticamente a cada episódio.
No caso desta história, o formato tem afinidade com o conteúdo. A progressão do gaslighting se fragmenta bem em pequenas situações: uma memória contestada, uma informação contraditória, um objeto fora do lugar, uma evidência de que a protagonista talvez não esteja entendendo o que acontece ao seu redor. É o acúmulo dessas dúvidas que forma o padrão.
Fernanda Rodrigues relatou a intensidade do processo nas gravações, com muitas cenas emocionalmente pesadas feitas em sequência. A direção de Adriano Melo constrói a atmosfera de suspense entre a casa da protagonista, a clínica e os espaços ligados à carreira dela no mercado de arte.
Serviço
Eu Não Era Louca, Era Casada Globoplay, disponível desde 6 de outubro de 2026
50 capítulos de aproximadamente dois a três minutos, em formato vertical
Criação e roteiro: Ecila Pedroso.
Direção artística: Adriano Melo Com Fernanda Rodrigues, Ricardo Pereira, Barbara Reis, Ilvio Amaral, Daniel Rocha e Danielle Winits
Se você ou alguém que você conhece está em uma situação de violência, a Central de Atendimento à Mulher atende gratuitamente pelo telefone 180, 24 horas por dia.


