10 filmes conhecidos que têm uma peça de teatro em sua origem

De “Casablanca” a “A Baleia”, histórias chegaram ao cinema depois de existir como dramaturgia, às vezes sem uma estreia no palco

Dooley Wilson e Humphrey Bogart em foto de divulgação de “Casablanca”, de 1942; imagem de arquivo.
Dooley Wilson e Humphrey Bogart em foto de divulgação de “Casablanca”, de 1942; imagem de arquivo. — Crédito: Fotógrafo não identificado / Warner Bros. / Wikimedia Commons.

Nem toda história associada a um grande filme nasceu como roteiro de cinema. Algumas foram testadas em temporadas teatrais; outras chegaram aos estúdios antes de encontrar uma montagem. Conhecer essa origem ajuda a perceber o trabalho de adaptação que existe entre o texto e a tela.

Os dez casos abaixo têm vínculos diferentes com o teatro. Há adaptações diretas, um remake que descende de uma peça e uma obra teatral que também se baseava num romance. As diferenças fazem parte de suas histórias.

1. “Casablanca” (1942)

O filme com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman teve como ponto de partida “Everybody Comes to Rick’s”, de Murray Burnett e Joan Alison. A peça ainda não havia sido produzida quando chegou à Warner. A origem teatral, portanto, não significa que o clássico tenha reproduzido um sucesso anterior dos palcos. O desenvolvimento para o cinema reorganizou aquele material, levando a história de Rick e Ilsa a outro público antes de uma trajetória teatral equivalente.

2. “Festim Diabólico” (1948)

Alfred Hitchcock partiu de “Rope”, de Patrick Hamilton, para contar a história de dois jovens que cometem um assassinato e recebem convidados no apartamento onde esconderam o corpo. O espaço concentrado e a tensão entre o que os personagens sabem e o que a visita ignora têm raízes nessa dramaturgia. O filme fez da aparente continuidade da ação uma de suas escolhas formais mais conhecidas.

3. “Amadeus” (1984)

Antes do filme dirigido por Miloš Forman, Peter Shaffer havia escrito a peça centrada no confronto imaginado entre Salieri e Mozart. Shaffer também assinou o roteiro da adaptação. O cinema ampliou os espaços e a presença da música sem transformar a ficção em biografia comprovada. A origem teatral é especialmente útil para compreender que a rivalidade narrada pertence à construção dramática da obra.

4. “Ligações Perigosas” (1988)

O romance de Choderlos de Laclos ganhou uma adaptação teatral de Christopher Hampton antes de chegar ao filme dirigido por Stephen Frears. Hampton escreveu também o roteiro. O percurso não foi, portanto, uma criação teatral sem antecedente literário: passou do romance à dramaturgia e dela ao cinema. Intrigas e sedução encontraram formas diferentes de expor quem manipula quem.

5. “Flores de Aço” (1989)

Robert Harling escreveu a peça sobre mulheres ligadas por um salão de beleza e também o roteiro do filme. A montagem teatral concentra sua ação naquele espaço, enquanto a adaptação com Sally Field, Julia Roberts e Dolly Parton amplia os ambientes. A mudança oferece ao cinema situações que no palco podem chegar ao espectador pelo relato das personagens.

6. “Questão de Honra” (1992)

Aaron Sorkin apresentou “A Few Good Men” na Broadway em 1989, antes da versão dirigida por Rob Reiner. O filme com Tom Cruise, Demi Moore e Jack Nicholson conservou no centro o julgamento de dois militares e a investigação sobre a cadeia de comando. Sorkin escreveu a adaptação, levando ao roteiro uma história que já dependia de confrontos verbais e de informações reveladas aos poucos.

7. “A Gaiola das Loucas” (1996)

O filme americano dirigido por Mike Nichols é um remake da comédia francesa “La Cage aux Folles”, de 1978, que nasceu da peça de Jean Poiret. Robin Williams e Nathan Lane vivem o casal envolvido num encontro com a família conservadora da noiva do filho. A cadeia de adaptações importa: o filme não é simplesmente a versão cinematográfica do musical da Broadway com o mesmo título francês.

8. “Closer: Perto Demais” (2004)

Patrick Marber escreveu a peça que se tornou o filme dirigido por Mike Nichols, com Julia Roberts, Jude Law, Natalie Portman e Clive Owen. O autor também assinou o roteiro. Relações cruzadas, omissões e disputas sobre a verdade organizam uma história em que uma conversa pode alterar o que o espectador acredita saber sobre os personagens.

9. “Dúvida” (2008)

John Patrick Shanley escreveu “Doubt”, apresentada inicialmente pelo Manhattan Theatre Club em 2004, e dirigiu sua adaptação cinematográfica. O filme reúne Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams e Viola Davis. A passagem para a tela preserva o conflito entre suspeita e certeza que move a peça, sem oferecer ao espectador uma simples investigação resolvida ao fim.

10. “A Baleia” (2022)

A história do professor Charlie e da tentativa de se reaproximar da filha nasceu na peça de Samuel D. Hunter, apresentada em 2012. Hunter escreveu o roteiro do filme dirigido por Darren Aronofsky, com Brendan Fraser. A origem teatral ajuda a reconhecer a importância do espaço doméstico e dos encontros que chegam até o protagonista, em vez de atribuir essa estrutura apenas à escolha do cineasta.

CinemaPedro Amaral
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