A herdeira que passou quatro décadas reclusa em um casarão no centro de SP vira espetáculo na Funarte
Com texto e direção de Patrícia Teixeira, "Um Tempo Chamado Yayá" reconstrói a história de Sebastiana de Mello Freire e cruza saúde mental, gênero e patrimônio. A temporada vai de 9 de outubro a 1º de novembro.
Órfã aos 13 anos, herdeira de uma grande fortuna e tutelada por um senador, Sebastiana de Mello Freire (1887-1961) foi internada em um hospital psiquiátrico em 1919 e depois passou a ser tratada em casa, onde viveu reclusa até morrer, mais de quatro décadas depois. A história de Dona Yayá, como ficou conhecida, é o fio condutor de "Um Tempo Chamado Yayá", que volta ao cartaz em 9 de outubro na Funarte SP, com sessões às sextas e sábados, às 20h, e aos domingos, às 19h, até 1º de novembro. Os ingressos custam R$ 80 e R$ 40.
A montagem é da Cia. Coexistir de Teatro, com texto e direção de Patrícia Teixeira e processo colaborativo das atrizes. Em cena, Alana Carvalho, Gabriela Pietro, Gislaine Mendes, Janaína Reis, Lia Xavier, Natália Duzzi, Onil Mello Jr, Sandra Crobelatti e Silvia Fuller interpretam diferentes fases da vida da protagonista e os personagens que atravessaram sua história, entre eles a madrinha, cuidadoras, um enfermeiro e um professor.
Loucura, gênero e o papel do Estado
A peça trata o adoecimento mental a partir de seu contexto social e histórico, relacionando a trajetória de Dona Yayá às formas de institucionalização de mulheres ao longo do tempo.
"Entrar em contato com a história de Dona Yayá é debruçar-se de forma crítica, cuidadosa e atenta sobre o que foi feito de fato com essa mulher", afirma Patrícia Teixeira. "Por meio do teatro, mediamos e compartilhamos questões relacionadas à história e memória da institucionalização, considerando como as questões de gênero se articulam com a loucura e sem esquecermos que o manicômio é a forma na qual o Estado se relaciona com a sociedade."
Para a diretora, o caso individual aponta para um padrão. "Estarmos diante da história de Dona Yayá é também estarmos diante de tantas Yayás no processo histórico", diz. "Abordar esse tema é nos fazer refletir sobre a necessidade de interseccionar a discussão da saúde mental com as questões de gênero, classe e raça."
Uma companhia que pesquisa psique e mitotexto
Fundada em 1999 pela diretora e psicoterapeuta junguiana Patrícia Teixeira, a Cia. Coexistir mantém núcleo fixo de pesquisa desde 2006 e trabalha a relação entre psique, mito e rito. Desde 2023, concentra-se nos temas da luta antimanicomial, dos feminismos e da saúde mental.
O grupo soma mais de 500 apresentações em São Paulo e cerca de 15 mil espectadores, com trabalho em espaços públicos, penitenciárias, abrigos e albergues.
Serviço
Um Tempo Chamado Yayá Funarte SP, Alameda Nothmann, 1058, São Paulo
De 9 de outubro a 1º de novembro de 2026 Sextas e sábados às 20h, domingos às 19h
Ingressos: R$ 80 e R$ 40, pela Sympla
Duração: 1h30.
Classificação: 14 anos
Dramaturgia e direção geral: Patrícia Teixeira
Realização: Cia. Coexistir de Teatro e Governo do Estado de São Paulo


