Vídeo projetado no couro de um tambor guarda a memória em solo sobre a Amazônia ribeirinha
"Do Ventre à Cabeça", primeiro solo da atriz paraense Luiza Braga, com direção de Victor Mendes, estreia em 23 de outubro no Sesc Ipiranga, para plateias de 40 pessoas, e fica em cartaz até 15 de novembro.
A projeção de vídeo não acontece em telão nem em parede. Ela é feita sobre o couro de um tambor, funcionando como camada de memória em cena. É um dos elementos de “Do Ventre à Cabeça”, primeiro solo da atriz paraense Luiza Braga, que estreia em 23 de outubro no Sesc Ipiranga e segue até 15 de novembro, com sessões às sextas, às 21h, e aos sábados, domingos e no feriado de 2 de novembro, às 18h30. Não haverá sessão em 25 de outubro.
A dramaturgia e a atuação são de Luiza Braga, com direção de Victor Mendes. A capacidade é de 40 lugares por sessão, e os ingressos custam R$ 50, R$ 25 (meia) e R$ 15 (credencial plena).
A avó ribeirinha e a cabocla encantada
Em cena, a atriz reúne narrativas orais de uma mulher ribeirinha de Cametá, no interior do Pará, e histórias míticas da cabocla encantada Mariana, padroeira da Encantaria e do Tambor de Mina. O espetáculo parte dos ensinamentos de uma avó ribeirinha e costura um diálogo entre a trajetória familiar da artista, os saberes da Encantaria e as migrações que fazem parte do próprio percurso dela.
A montagem trata de ancestralidade, infância, travessias, cultura popular e da Encantaria Amazônida, manifestação popular fundada em saberes indígenas e afro-diaspóricos.
Um palco que funciona como rio
A encenação parte da ideia de delicadeza e aposta na manualidade. A atriz manipula todos os elementos em cena, transformando ou ressignificando cada um diante do público, numa chave de feito à mão.
O cenário de Marisa Bentivegna reforça essa escolha e cria a sensação de um palco-rio, com margens borradas, pelo qual a atriz navega entre ilhas cênicas enquanto conta a história.
A musicista Gisah Preta está em cena o tempo todo, tocando ao vivo, com direção musical de Marco França. Outro elemento sonoro importante é a voz de Mãe Rita D'Oxum, yalorixá do Teucy, terreiro de Ananindeua, no Pará, que completa 80 anos em 2026. A presença dela na peça simboliza as mulheres detentoras dos saberes e das tradições ribeirinhas amazônidas e das encantarias. A direção de movimento é de Fabrício Licursi.
Cinco anos de pesquisa com um terreiro
O espetáculo nasce de uma pesquisa iniciada em 2021, durante a produção do documentário “Mariana: histórias de vida e encantaria”. O mesmo estudo deu origem à série “Pororocas”.
O Coletivo Filhos de Iracema, do qual Luiza Braga faz parte, deu suporte a toda a investigação, com entrevistas, resgate de cantigas e compilação de relatos de mães de santo e das entidades que trabalham na casa. O coletivo atua junto a comunidades tradicionais de terreiro, especialmente a Casa Teucy, segundo terreiro mais antigo do Pará, e desenvolve trabalhos ligados à identidade cultural amazônica.
A consultoria em Encantaria é de Mãe Rita D'Oxum, Pai Lucas Irain e Mãe Yasmin Queiroz, com curadoria de processo da professora Andrea Flores.
Serviço
Do Ventre à Cabeça Sesc Ipiranga, Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga, São Paulo
De 23 de outubro a 15 de novembro de 2026 Sextas, às 21h. Sábados, domingos e o feriado de 2 de novembro, às 18h30 Sem sessão em 25 de outubro
Ingressos: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia) e R$ 15 (credencial plena), em sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades do Sesc São Paulo
Duração: 60 minutos.
Classificação: 16 anos.
Capacidade: 40 lugares Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Dramaturgia e atuação: Luiza Braga. Direção: Victor Mendes Música em cena: Gisah Preta.
Direção musical: Marco França
Cenografia e desenho de luz: Marisa Bentivegna.
Figurino: Vinny Araujo
Idealização: Luiza Braga e Coletivo Filhos de Iracema
Quem marca passa a ver as nossas matérias em destaque nas Principais Notícias do Google.