Theatro Sete de Abril reabre em Pelotas depois de 16 anos fechado
Depois de 16 anos de portas fechadas, o Theatro Sete de Abril voltou a receber público em Pelotas na noite de 7 de julho de 2026, data em que a cidade completou 214 anos. A reabertura teve descerramento de placa no hall, homenagem aos trabalhadores da reta final da obra e show de Vitor Ramil, acompanhado do filho Ian, também músico e compositor. Na esplanada Berê Fuhro Souto, em frente ao prédio, a DJ Helô tocou para quem ficou do lado de fora.
A Prefeitura de Pelotas, gestora da casa, informou que a retomada consumiu R$ 11 milhões ao longo do processo, mais de R$ 2,2 milhões deles no primeiro ano da atual gestão municipal. O município descreve o Sete de Abril como o teatro mais antigo do Rio Grande do Sul e o quarto mais antigo do país ainda em funcionamento.
Por que o teatro passou 16 anos fechado
O prédio foi interditado pelo Ministério Público em janeiro de 2010, depois de uma denúncia anônima, conforme o Jornal do Comércio. Vistorias técnicas apontaram risco de colapso na estrutura que sustentava o telhado, e o teatro parou. A recuperação começou pela cobertura, entre 2013 e 2014, segundo reportagem do jornal A Hora do Sul.
O projeto executivo de restauro integral foi acolhido pelo PAC Cidades Históricas em 2018, mas as obras só começaram em setembro de 2019. A pandemia e entraves de licitação esticaram o cronograma. A Construtora Biapó, responsável pela intervenção, registra o período de restauração entre setembro de 2019 e janeiro de 2022. O restauro recuperou fachadas, camarotes, camarins, plateia, foyer e o palco em estilo italiano, além dos pisos originais de madeira, mármore e ladrilho hidráulico. Mobiliário e equipamentos ficaram para os anos seguintes.
O que o restauro entregou
A obra incluiu instalações elétricas e hidrossanitárias novas, rampas de acesso, elevadores, áreas reservadas para cadeirantes e sistema de prevenção contra incêndio. No palco, foi construída uma caixa cênica em estrutura metálica, com cortinas, ciclorama e varas de iluminação. Um anexo administrativo foi erguido ao lado, e o subsolo passou por escavação arqueológica durante os trabalhos.
O lustre do Theatro foi recuperado dentro da universidade. Em 2022, uma parceria entre a Prefeitura e a Universidade Federal de Pelotas viabilizou a restauração da peça, trabalho desenvolvido pelo estudante do curso de Conservação e Restauro Lucas Ceglinski, sob orientação da professora Andrea Bachettini.
O que ainda falta
A casa reabriu inacabada, fato que a Secretaria Municipal de Cultura registrou publicamente. Em entrevista publicada pelo A Hora do Sul, a secretária Carmem Vera Roig detalhou o que ainda falta.
"Precisamos completar a instalação elétrica, que foi feita pela metade, para termos a capacidade total de som e luz, e completar a climatização, só os dutos foram colocados. Ainda faltam detalhes do acabamento, como o corrimão dos camarotes", disse Carmem Vera Roig ao jornal A Hora do Sul.
O plano de prevenção contra incêndio vem sendo executado por etapas. Já a climatização depende de investimentos específicos, sem recursos garantidos por enquanto, conforme o balanço publicado pelo A Hora do Sul.
Da Sociedade Scenica ao tombamento
O Sete de Abril nasceu de uma iniciativa privada. Segundo a Prefeitura de Pelotas, foi construído entre 1831 e 1834 a partir de uma sociedade dramática particular, a Sociedade Scenica Theatro Sete de Abril, com o objetivo de oferecer às famílias pelotenses distração e divulgação da arte. O nome homenageia a data em que Dom Pedro I abdicou do trono brasileiro em favor do filho.
A fachada que a cidade conhece hoje veio de uma remodelação posterior. O projeto inicial tinha quatro colunas e costumava ser classificado como neoclássico. Em 1916, uma reforma abandonou as colunas e inseriu elementos iconográficos ligados às artes cênicas, conforme o histórico do monumento publicado pela Construtora Biapó.
Em 1972, o prédio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em 1979, passou a ser gerido pela Prefeitura de Pelotas. Pelo palco passaram companhias de operetas e zarzuelas, concertos, recitais e sessões de cinematógrafo. Entre os artistas que se apresentaram na casa, a Prefeitura lista Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Beatriz Segall, Ari Fontoura, Renata Sorrah e Cássia Eller.
O plano para não fechar de novo
Na cerimônia de reabertura, o prefeito Fernando Marroni ligou a preservação ao uso contínuo do prédio.
"Quando me perguntam sobre como vamos manter esse teatro eu respondo que é ocupado, vivo, se ele estiver assim tenho certeza que vamos mantê-lo como o que ele de fato é, um grande patrimônio da cultura de Pelotas", afirmou Marroni, segundo o registro da Prefeitura de Pelotas.
O diretor da casa, Alexandre Mattos Meirelles, definiu quatro eixos de trabalho: formação de plateias, ocupação artística, geração de trabalho e renda e preservação do patrimônio. Em declaração ao A Hora do Sul, ele afirmou que a prioridade inicial é levar as escolas ao teatro.
A programação da reabertura seguiu com atrações diárias até 12 de julho, entre elas o Grupo Tholl, o Ballet Diclea Ferreira de Souza, a Orquestra Estudantil Municipal de Pelotas e a Sociedade Pelotense Música pela Música.
A secretária de Cultura resumiu a vocação da casa em entrevista ao programa Debate Regional, da Rádio Pelotense, transmitido do palco do teatro na manhã da reabertura.
"Esse teatro foi construído para ser ocupado pela arte, pela cultura, por atividades artísticas", disse Carmem Vera Roig à Rádio Pelotense.
Com a reabertura, o Sete de Abril volta ao mapa das casas históricas brasileiras em atividade, ao lado de endereços como o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Serviço
Theatro Sete de Abril
Praça Coronel Pedro Osório, 160, Centro, Pelotas (RS)
Telefone: (53) 3222-3856
Programação e informações: theatro.setedeabril@gmail.com



