Suspense queer “A Margem do Rio” vence o Festival do Rio e leva cinco prêmios
Filme pernambucano leva prêmio de ficção e Félix; “Vicentina Pede Desculpas” é o favorito do público e chega à Netflix em novembro
Um suspense ambientado nos manguezais do Recife venceu a categoria de ficção do Festival do Rio. “A Margem do Rio”, dirigido por Enock Carvalho e Matheus Farias, recebeu o Troféu Redentor de melhor longa de ficção na cerimônia que encerrou a 28ª edição do evento, no domingo (11), no Cine Odeon.
O filme também ganhou o Prêmio Félix de melhor produção brasileira, dedicado a obras com temática LGBTQIA+.
A história acompanha Izaquiel, auxiliar de serviços gerais interpretado por Caique Copque, que procura encontros secretos no mangue durante a noite. A chegada de Jeremias, pescador vivido por Ítalo Martins, desperta uma relação atravessada pelo desejo e pela ameaça de violência. O ambiente de rios e lama é parte do conflito: abriga os encontros, os segredos e os perigos que cercam os personagens.
Na premiação da Première Brasil, principal competição de filmes brasileiros do festival, “A Margem do Rio” levou ainda os troféus de fotografia, para Luciana Baseggio, e som, para Moabe Filho, Guma Farias, Daniel Turini e João Victor Coura.
O prêmio de atriz coadjuvante foi dividido entre Renna Costa, Artia e Ísis Broken, integrantes do elenco do longa.
A premiação no Rio sucede o Prêmio Especial do Júri recebido em agosto no Festival de Locarno, na Suíça. Primeiro longa-metragem dirigido pela dupla, “A Margem do Rio” tem distribuição da Vitrine Filmes e estreia anunciada nos cinemas brasileiros para 7 de janeiro de 2027.
Entre os documentários, o vencedor foi “Elza”, de Eryk Rocha. A própria Elza Soares conduz a narrativa com sua voz, em um trabalho que reúne arquivos e conversas registradas pelo cineasta ao longo de oito anos. A cantora, morta em 2022, aparece como narradora de suas lembranças, da música e das mudanças que atravessaram sua vida.
O documentário é produzido pela Aruac Filmes e pela Maria Farinha Filmes, em coprodução com Globo Filmes e GloboNews. Seu lançamento nos cinemas brasileiros está previsto para 2026.
“Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins, conquistou a escolha do público para melhor longa de ficção, além dos prêmios do júri de direção e roteiro. O filme chega a cinemas selecionados em 5 de novembro e à Netflix em 20 de novembro.
Rejane Faria interpreta Vicentina, professora aposentada que perde o filho, motorista de um ônibus envolvido em um acidente fatal. Quando surgem suspeitas sobre a responsabilidade dele pela tragédia, ela procura as famílias das vítimas para pedir desculpas. Martins, diretor de “Marte Um”, assina também a história original do filme, produzido pela Filmes de Plástico.
Na atuação, Isabel Teixeira, por “Diário do Fogo”, e Grace Passô, por “A Professora de Francês”, dividiram o prêmio de melhor atriz. Victor di Marco foi escolhido melhor ator por “London”, codirigido por ele e Márcio Picoli. O longa recebeu também o reconhecimento da Federação Internacional de Críticos de Cinema, a FIPRESCI, como melhor filme brasileiro.
Para quem está no Rio, o festival ainda tem sessões até quarta-feira (14). A repescagem começou na segunda (12) e reúne filmes da programação nas salas do Estação Claro Rio, em Botafogo e na Gávea. Os títulos e horários variam a cada dia e devem ser conferidos na programação oficial.