Ela entrou na universidade por cotas, ele implantou cotas no poder público, e os dois dividem o palco
"Escola Modelo", com dramaturgia de Bruno Lourenço e direção de Fernando Vilela, parte das trajetórias reais de Letícia Calvosa e Pedro Granato para discutir racismo e desigualdade na educação.
A temporada no iBT vai de 31 de outubro a 29 de novembro, com ingressos gratuitos e sessão extra no Dia da Consciência Negra.
Em cena estão uma mulher negra que enfrentou os dilemas das cotas para entrar na universidade e um homem branco que atuou como gestor público na área da formação. A partir dessas duas experiências, “Escola Modelo” discute racismo estrutural, ações afirmativas e os impasses da educação brasileira.
O espetáculo faz nova temporada no iBT, Instituto Brasileiro de Teatro, na Bela Vista, em São Paulo, de 31 de outubro a 29 de novembro, com sessões aos sábados, às 20h, e domingos, às 19h. Há ainda uma sessão extra em 20 de novembro, sexta-feira, feriado do Dia da Consciência Negra, às 19h. Os ingressos são gratuitos, retirados na bilheteria uma hora antes de cada sessão.
A dramaturgia é de Bruno Lourenço e a direção de Fernando Vilela, com Pedro Granato e Letícia Calvosa no elenco.
As duas trajetórias que o texto cruza
A atriz descreve o que a escola representou para ela. “Como estudante negra, sei que a formação escolar é um momento de muitas descobertas sobre o mundo e sobre si. Um momento delicado que, se não for bem experienciado pelo aluno, pode apagar suas potencialidades e história”, diz Letícia Calvosa. “O racismo estrutural se apresentou pra mim nesse processo com professores sem letramento racial, com materiais didáticos pensados pela branquitude e para a branquitude, sem referências onde eu me visse representada.”
Pedro Granato, que implementou cotas raciais em programas educacionais e levou escolas para as periferias durante sua passagem pelo poder público, levanta uma ressalva sobre o próprio campo. “Incomoda quando essas mesmas escolas que por décadas segregaram agora buscam, à custa de muito dinheiro, se colocar como pioneiras da luta antirracista”, afirma. “Meu foco central é a defesa de uma transformação estrutural, política de nossa desigualdade racial. E que possamos também aprofundar esse debate encontrando as sombras do processo para não se transformar em algo maniqueísta que serve mais para redes sociais que transformações reais.”
Segundo o dramaturgo, o texto se organiza em duas forças. “O privado, com relatos pessoais, pensamentos, reflexões, e o público, com poder público, leis, instituições”, explica Bruno Lourenço. A dramaturgia articula referências de pensadoras como Sueli Carneiro, Cida Bento e Lívia Sant'anna Vaz.
Lousas giratórias e cadeiras infantis na plateia
A encenação combina elementos de sala de aula com recursos da contação de histórias e referências ao teatro épico de Bertolt Brecht. A cenografia é inspirada no filme “Dogville”, de Lars von Trier, e usa módulos rotativos que remetem a lousas escolares e se transformam ao longo da narrativa. Cadeiras infantis coloridas distribuídas entre o público completam a ambientação.
Para o diretor, a plateia faz parte da discussão. “Se estamos aqui hoje discutindo a desigualdade racial, o plano de ensino nas escolas, a estrutura da educação, uma pergunta que se lança é: qual o modelo educacional que gostaríamos de ter, que fosse comum a todos, para os próximos anos?”, diz Fernando Vilela. “O público é parte fundamental da discussão, pois é a partir dele, pela sua identificação, que podemos elaborar juntos novos caminhos.”
Serviço
Escola Modelo iBT, Instituto Brasileiro de Teatro, pavilhão do térreo, Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 277, Bela Vista, São Paulo
De 31 de outubro a 29 de novembro de 2026 Sábados, às 20h.
Domingos, às 19h
Sessão extra em 20 de novembro, sexta-feira, às 19h, no feriado do Dia da Consciência Negra Ingressos gratuitos, com retirada na bilheteria uma hora antes da sessão
Duração: 75 minutos.
Classificação: 14 anos
Dramaturgia: Bruno Lourenço.
Direção e direção de arte: Fernando Vilela
Com Pedro Granato e Letícia Calvosa
Desenho de luz: Ariel Rodrigues.
Figurino: Thais Sakuma.
Preparação vocal: Malú Lomando
Produção e realização: Jessica Rodrigues Produções e Pequeno Ato
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